Tadinho da Transurb
Temos que ajudá-los
Tomarmos o aumento da passagem
Tratando de beneficiá-los
São muito cuidadosos
Sabem nos transportar
Servem para unir os bauruenses
Suados, enlatados, respirando o mesmo ar
Não existe nada melhor que ônibus
Nós é que não sabemos manter
Nunca eu faria mal a um empresário
Nem pensaria em lhe ofender
Rezo sempre para eles:
“Rei dos Céus, os proteja
Rápido vou e volto à minha casa
Reinando sempre a presteza”
Quando volto em pé no ônibus
Quase morro de alegria
Quero pensar pelo lado positivo
Que em lugar que não tem ônibus maior é a agonia
Enguiçando na rua
Eu ajudo a consertar
E quando vem o outro ônibus
Exijo novamente pagar
Agora digo que não suporto
Aqueles cobradores preguiçosos
Ainda tem aqueles motoristas:
Anarquistas-grevistas, inescrupulosos!
Odeio as velhinhas,
O cego e o aleijado,
O Conselho de Usuários
(esse, a Transurb aumenta o ônibus
na hora em bque ela bem acha bom aumentar
e eles falam amém!)
Ordinários estudantes,
Os que não dão lucro ao empresariado
Baruru pobre não agüento
Bonita é Bauru de rico
Bem barato tá a passagem
Bom aumento é preciso!
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17 de agosto de 2011
16 de agosto de 2011
Sou um ser humano imperfeito com olhos imperfeitos, porém, feliz.
Pensando sozinho, aqui na sala de minha casa (que na verdade não é minha, é onde meus pais escolheram para eu morar), cheguei a algumas conclusões sobre o comportamento deste indelével ser chamado homem.
Por que não somos perfeitos? Adão e Eva realmente são muito sacanas, ou seria Deus? Eu gostaria de saber se, no lugar da maçã, eles tivessem comido quiabo (argh!).O “legume proibido”. O que poderia nos acontecer?
Ainda bem que não somos perfeitos! Com os meus olhos imperfeitos, vejo que seria um tédio. O que seria do mundo sem pobres, sem injustiças, sem preconceitos, um mundo completamente igual, sem sofrimento, sem dor? O que seria de nós sem a adorável televisão e suas atraentes propagandas dizendo que se seguirmos suas dicas de como sermos felizes, seremos felizes e assim continuaremos sempre? Minha bisavó, coitadinha, não era nem um pouco feliz, pois a propaganda diz que na sua época não existia “aquele” remédio para a sua dor de cabeça. Pelo contrário, hoje eu estou radiante por contar com tantos aliados contra este terrível mal. E como o que importa é a minha felicidade, azar da coitadinha da minha bisavó. Temos também tecnologia avançada e ela é boa! Traz praticidade, conforto, longevidade e muito, muito mais tempo para aproveitarmos todas as coisas boas de nossa vida, tanto que, muita gente simplesmente larga seu emprego para dar lugar a máquinas mais poderosíssimas que produzem muito mais, só para poder usufruir melhor de suas benesses.
Tenho certeza de que somos felizes! Muito felizes. Isso, devido à nossa incrível capacidade de sonhar, idealizar e realizar as coisas. TER carro, TER televisão em todos os cômodos de nossa casa (inclusive na casinha do totó), TER condições de ir a um bom restaurante,TER dinheiro para comprar aquelas coisas caras no novo shopping da cidade, quando só se é permitido olhar a vitrine, e babar, e sonhar , e idealizar... e ser feliz.
Extraterrestres existem! Corram todos! Gritem! Esperneiem! Sintam medo! Sou muito mais perigoso do que pareço!
Que nada! Sou um extraterrestre humanizado, domesticado a tal ponto de não conseguir viver como um extraterreno digno de meu planeta de origem. Adquiri vícios: bebo (e quando eu bebo demais, até fumo), assisto televisão, jogo futebol, sonho e idealizo a todo instante. Aprendi a mentir, a comprar, tenho um MP3 player e bebo coca-cola. Sou orgulhoso. Nunca em minha vida pus um de meus dois pés em um McDonald’s da vida. Já protestei contra as altas tarifas de uma empresa de ônibus e utilizei este mesmo ônibus para me deslocar à minha casa após o protesto. Acho que, por isso, e somando-se às minhas qualidades e pouquíssimos defeitos, tenho boa cotação na bolsa de valores do céu. Porém, me preocupo com os humanos. O seu destino é aquecido no caldeirão do capeta, sua própria criação.
A vida é paradoxal demais para ser vivida. Preciso de emprego, minha cidade precisa de indústrias. Como quer que eu arrume um emprego? Tem outra idéia melhor? O caldeirão do capeta precisa de mais lenha. Vi na televisão que estão nos dando poucos anos de vida se continuarmos nesse ritmo. A guerra, a seca, a pobreza e toda a nossa felicidade. Sim, somos felizes, e isso não é paradoxal?
Por favor, queimem mais florestas! Digo... lenha. Aqueçam o caldeirão do capeta, está saindo muito pouca fumaça. O cheirinho está ficando bom. É dióxido de carbono. O Sr. Progresso da humanidade adora este prato, tanto que o repete várias vezes. Ser vivo ao molho pardo, ou seria molho rubro, de sangue.
Como extraterrestre totalmente lúcido que sou, pelo menos estou tentando mudar o mundo à minha volta, mas, o que eu gostaria mesmo era voltar ao meu planeta de origem. O problema é que eu não sei mais qual é. Aliás, quem sou eu mesmo? Sou um E.T humanizado, e domesticado, e contraditório, e mesmo assim capaz de ser feliz como qualquer ser humano. A diferença é que não existe diferença. Somos demasiadamente iguais, seres não perfeitos, com olhos imperfeitos e felizes. Tudo isso por causa de uma simples maçã. Se pelo menos fosse um pé de quiabo!
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3 de agosto de 2011
A Ópera do Malandro
O malandro já nasce blindado. Sua filosofia de vida é que chapéu de otário é marreta e para ele, malandragem é virtude. O seu maior herói é o João Sem Braço. Sempre joga nas dez e bate com pau de dois bicos! Quando o besouro sem asa vem no “zig”, ele já está no “zag” e vice versa... Por não ter escola, vive de expediente. Passa o dia e a noite pirulitando pelo mundo sem cancela. Mesmo dormindo ele é perigoso, pois leva a fase REM pensando em como aplicar o 171 na população ordeira. Quando o otário (sua vítima) acorda, já está aplicado por antecipação. Para o malandro, o mundo está cheio de jurão e pato abarrufado!Em sua homenagem, Wilson Batista cantou: “navalha no bolso/eu passo gingando/provoco e desafio/eu tenho orgulho/em ser vadio”. Bezerra da Silva, notório admirador e divulgador da malandragem, ele mesmo um autêntico malandro das favelas do RJ, sempre cantava que: “malandro é malandro, mané é mané!”.
O malandro é tão lesivo que se você estiver no caminho dele, somente levará a pior. Se você for aplicado por ele e der queixa na polícia, durante a acareação ele provará ao delegado que foi você quem o lesou! Se você o levar às barras do tribunal, o malandro arranja defensor de graça, ganha a ação e você ainda pagará as custas do processo... Se ele for condenado, não terá grana para pagar coisa alguma, logo será libertado dado ao escândalo feito por sua mãe e suas quengas, na porta do delegado e do juiz. Liberto, o malandro mexerá os pauzinhos e fará tudo para lhe dar outro prejuízo ainda pior.
Se você perder a paciência e o executar com seis petardos na caixa torácica, vai ter que pagar o enterro, as custas do processo, os advogados e a famigerada pensão da mulher dele pelo resto da vida, além da ajuda de custo da mãe (dele) doente! Você então entenderá a máxima de Balzac: “As mulheres amam por excelência as contradições, as incoerências e os maus sujeitos.”.
Se ele escapar do atentado, o que é muito comum, além das despesas processuais, você arcará com as despesas médicas, hospitalares, remédios, fisioterapia, indenização e a feira da quenga pelo resto da vida... Na prática e, mesmo indiretamente, você financiará até o bagulho que ele queima para arejar o cabeçote.
Se ele, por um milagre, escapar de tudo isso ileso, você mudará de cidade para se livrar da vendeta (vingança) e ele acabará por descobri-lo. Aí, a fera serrará o cano de uma 12 e irá montar campana na sua cola. Quando você estiver todo relax arriando a massa numa pescaria, o malandro aparecerá por detrás de uma moita alta, atira e você virará tábua de pirulito... Morrerá com a bermuda presa nas pernas recendendo um baita bafo de cachaça e todo lambuzado de coliformes fecais.
Existe o malandro, o malandrinho e o malandreco. Os dois últimos são auxiliares operacionais. Ficam com uma parte do que foi aplicado. Tem o falso malandro; aquele que desse o morro balançando que nem pato. Não confunda o malandro com o mala sem alça e nem o mané com o jurão. O malandro e o mané são tribais.
Ainda não falamos de mais dois tipos de malandro que Deus fez de prima qualidade. Uma delas é a mulher que “faz vida na noite” e perfuma a existência dos que sofrem dos males do amor. Tudo nela é doce, na medida exata para encantar o otário. A outra coisa é o baiano. Ele foi criado apenas para aplicar em você e lhe provar que você é lóqui. Ele é campeão em tudo! Mais malandro do que o carioca.
Ele como tem axé dos Santos e Orixás, vão te deixar babando, enrolado e com quebranto de encruzilhada. Ponha uma coisa na sua cabeça, o carioca diz que é malandro e faz a malandragem só na conversa. O malandro baiano nega que faz e faz. Já que falamos no baiano, veio à recordação a coisa mais encantadora que Deus fez para o mundo. A baiana. Ela é uma verdadeira rainha Sherazade das Mil e Uma Noites nos Jardins Suspenso dos Orixás.
Basta ela ligar para você e emitir, em espirais metálicas o seu canto de enfeitiçar, seu filtro de sedução e amor: venha cá Paim! E você vai arrastando no chão, como um cachorrinho na coleira, mas vai. Ela é pura magia! Você vai morrer delirando! Já fui feliz vítima de uma “mãeinha”. Foram os mais prazerosos anos da minha vida de artista das estradas do mundo. Faria tudo de novo, mesmo sofrendo.
Para dar cabo do malandro tem que usar bala dum dum curtida no alho com azeviche. Dormida no Ebó em Codó (MA) e lavada com água do Rio Paraguaçu. E viva o malandro e a malandragem!
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