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23 de março de 2012

Valeu, Chico!

Ah, brasileiros... deixam cair em olvido suas alegrias, sua gente, sua história. Poucos hoje sabem quem foi Chico Anysio . Pouquíssimos. Talvez menos ainda saibam quem foi Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, verdadeiro nome da figura.
          O humor como arma e propaganda de oposição foi uma de suas marcas.  Humorista,
Chico Anysio ironizou o quanto pode os detentores do poder. Pagou caro por isso,.Essas, respostas dos trogloditas que não tiveram capacidade para responder no mesmo nível de inteligência.
      Chico Anysio não foi qualquer humoristazinho que surgiu em um dia para tomar tortadas na cara e sumiu no outro, e muito menos apelava para a pornografia e nem para palavrões em seu personagens,
tendo grande admiração popular e admiração também da intelectualidade, fazendo milhões de brasileiros rirem com sua atração mais recente: a Escolinha do Professor Raimundo, onde ele, com a sua alma generosa, abriu espaço e garantiu o sustento de vários humoristas veteranos – muitos dos quais, agora, o aguardam em algum lugar do paraíso. E assim como acolheu os mais velhos, ele também as portas da televisão para os mais jovens, como Tom Cavalcante, Claudia Jimenez e Heloísa Perissé. Não precisa falar mais nada, né? Pior que precisa. 
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu em 12 de abril de 1931 na cidade cearense de Maranguape. Construiu a carreira no Rio de Janeiro, para onde se mudou aos seis anos de idade. Chico Anysio começou na Rádio Guanabara, como ator em rádio novelas de diversas emissoras. Seu talento para criar personagens o levou ao cargo de roteirista da extinta Atlântida Cinematográfica. Estreou na TV Rio em 1957, com o Noite de Gala. Em 1959, estreou o programa Só tem Tantã, rebatizado meses depois de Chico Anysio Show.
Em 1968, ele foi para a Rede Globo, onde ficou nacionalmente conhecido, por programas como Chico City, Chico Total, Escolinha do Professor Raimundo e, mais recentemente, Zorra Total.
Chico Anysio ficou famoso pela criação de mais de 70 personagens, alguns inesquecíveis para o grande público como Alberto Roberto, o Professor Raimundo, Bento Carneiro, Bozó, Justo Veríssimo, Painho, Véio Zuza, Zé Tamborim, entre tantos outros.
Ele também se destacou como autor de romances, contos e peças de teatro, além de ser pintor de quadros, principalmente nos últimos anos de vida. Nos anos 2000, Chico fez participações em novelas globais, como Caminho das Índias, Pé na Jaca e Sinhá Moça.
Chico era casado com a empresária Malga Di Paula e pai de oito filhos: Lug de Paula, Nizo Neto, Ricardo, André Lucas, Cícero, Bruno Mazzeo, Rodrigo e Vitória, de cinco relacionamentos diferentes.
Em homenagem aos 60 anos de sua carreira, Ziraldo reuniu vários cartunistas e criou um livro chamado É Mentira, Chico?, com caricaturas dos personagens do humorista, além de um DVD, com especiais dos programas de Chico.
Em 2009, ele foi tema da escola de samba Unidos do Anil, do Rio de Janeiro, desfilando com o enredo Chico Total! Sou Anil e Faço Carnaval. Uma das últimas aparições do humorista na TV foi no especial Guerra e Paz, vivendo um padre. Em 2009, atuou no filme Se Eu Fosse Você 2 e dublou o protagonista da animação UP.
Aos 80 anos, Chico Anysio foi se juntar a Zacarias, Mussum, Costinha, Grande Otelo e tantos outros humoristas que se tornaram eternos para fazer Deus e todo o Céu rir bastante. Perdemos nosso melhor amigo. Ou aquele que nos presenteou com uma galeria imensa de melhores amigos. Nenhum artista, na face da Terra, foi tão completo quanto o nosso Chico Anysio, nascido em Maranguape, criado no Rio de Janeiro e presente em todos os lares de um país continental como o Brasil. Chico criou uma centena de personagens, deu vida a todos eles e os interpretou de forma primorosa. Seus amigos dizem que Chico é o Chaplin brasileiro. Mas Chico foi genial em quase tudo o que criou; o inglês acertou com Carlitos. E todos os personagens do nosso gênio, como o Painho, o Pantaleão, o Bozó, o Alberto Roberto e tantos outros, são quase pessoas reais, de carne e osso, tal é a sua presença no imaginário nacional.

Justo Veríssimo, como os muitos que há no Senado, foi inspirado numa conversa de Chico com Alceu Valença, que conhecia um político pernambucano que tinha ojeriza a povo. O Bozó, que “trabalhava na Globo”, é o retrato do brasileiro que, sempre que pode, trafica influência – por menor que seja. Seu Pantaleão, o maior contador de casos da nossa história, tinha a voz inspirada na de Luiz Gonzaga. Painho é o retrato de uma Bahia onde muitos que chegam ao poder querem também ser painhos. E Alberto Roberto, sem dúvida, foi o maior galã de todos os tempos, na história da humanidade.Na memória de muitos brasileiros, no entanto, Chico será mais lembrado por sua atração mais recente: a Escolinha do Professor Raimundo, onde ele, com a sua alma generosa, abriu espaço e garantiu o sustento de vários humoristas veteranos – muitos dos quais, agora, o aguardam em algum lugar do paraíso. E assim como acolheu os mais velhos, ele também as portas da televisão para os mais jovens, como Tom Cavalcante, Claudia Jimenez e Heloísa Perissé.Chico Anysio se foi, mas é eterno, assim como suas criações. E a melhor maneira de homenageá-lo é assistir a alguns de seus vídeos disponíveis no YouTube, e ouvindo o sambão da Caprichosos de Pilares de 1984 - A visita da nobreza do riso à Chico Rei num palco nem sempre iluminado:
Sorria, meu povo
Sorria, "Chico Rei" chegou

Nesse palco todo iluminado
Que um dia por pecado (bis)
Se apagou
Ô ô ô ô ô ô

E Popó mandou cair na folia
A festa é nossa no reinado da alegria
É cascata, o pacotão
No combate, como bate o coração
Na agonia, com a corda no pescoço
A piada rói o osso
E alegra o meu povão

Salomé, Salomé
Bate um fio pro João (bis)
Que dureza não dá pé

Tantas loucuras
Dos ministros, "Os Trapalhões"
Brasil, "Brazil", brazuca
É Alice num país de ilusões
Meu sorriso brasileiro
Tempero nacional
Do Azambuja trambiqueiro
Do Turuna dando branca Federal
Palmas pro Velho Guerreiro
Que o ano inteiro faz seu Carnaval

Pai, painho
No abaitolá (bis)
Dando axé
Até o dia clarear
Obrigado por tudo, Chico!

21 de março de 2012

Obrigado, Seu Arcõncio, Um Comunista de Verdade!

Há uma semana, o comunista (de verdade, diferente de meio mundo que nós aqui do Boteco conhecemos, que na hora em que o sistema joga dinheiro a rodo nas duas mãos , acabou a ideologia!) Arcôncio Pereira da Silva recebeu amigos para uma tarde regada a café e política, o assunto que fez parte de toda a trajetória do alagoano de Viçosa, bauruense por adoção. “Discutimos política. Ele estava com uma lucidez extraordinária, trocando ideias”, contou nesta terça-feira, abalado, o ex-guerrilheiro Darcy Rodrigues, um dos amigos presentes.

Arcôncio sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) nesta terça-feira de manhã e foi levado para o Pronto-Socorro Central. Amigos como Darcy e o professor Isaías Daibem, assessor de gabinete do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), se mobilizaram para agilizar a internação hospitalar, mas não deu tempo.

No meio da tarde de ontem, Seu Arcôncio, aos 96 anos, foi se juntar a Che Guevara, Marighella, Lampião, Zumbi dos Palmares,João Candido,Paulo Freire, Henfil, Betinho, Santo Dias, Gonzaguinha, Bezerra da Silva e tantos outros que inspiram tanto a velha guarda quanto a nova geração de militantes sociais a lutar. Deixa filhos e a mulher, Zuleide, com quem oficializou a união há quatro anos.  Segundo o memorialista Antônio Pedroso Jr., especialista em reunir as histórias dos militantes de esquerda de Bauru e amigo de Arcôncio, o velho comunista ainda aguardava a portaria que oficializaria sua anistia política pelo governo federal.  Pedroso também estava na conversa da semana passada.

Filiado ao PC do B desde a década de 1940, o ex-ferroviário virou símbolo da resistência ao participar da histórica greve de 1949, conhecida como a “greve de Triagem”. Foi demitido da ferrovia e perdeu os direitos políticos. Três prisões também fazem parte da trajetória de Arcôncio - no ano da greve, em 1964 e em 1970.

“Deixa uma lacuna, principalmente quando a classe politica não defende com clareza princípios ideológicos”, disse Pedroso Jr.  Segundo Darcy, que foi aliado do capitão Carlos Lamarca na guerrilha, o ex-ferroviário foi um ícone da esquerda e teve grande influência na sua formação de militante. “Ele fez o meu batismo político”.

Advogado e jornalista, Arthur Monteiro Jr. lembra de Arcôncio também como um ótimo declamador de poesias e um homem bom de conversa. “E manteve os ideais até o final da vida”, reforçou.

Na juventude, o comunista precisou brigar com o pai para sair de Alagoas. Queria conhecer outros lugares e estudar. O pai não aceitava. Tinha 15 filhos e não achava certo deixar um estudar e os outros não.  Arcôncio bateu o pé e seguiu seu destino em São Paulo. Vinte e cinco anos depois, voltou a Viçosa para visitar a família. Na última conversa com os amigos, contou que iria para Alagoas “comer peixe na Semana Santa”.

Pro senhor, Seu Arcõncio, úm comunista de verdade, que eu tive, ainda que por pouco tempo, a honra de conhecer pessoalmente, pois só seu sei o quanto eu tou escrevendo esse post de hoje com lágrimas nos olhos, e quem quiser duvidar da minha sinceridade , que diuvide, faço minhas as palavras da GRES Tom Maior, no Carnaval Paulistano de 2012 , no samba-enredo PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE:

Vem nessa amor... Vermelho e amarelo,Sumaré chegou!
A nossa bateria hoje vai dar um show,é  Sensação, vai te levar,na proteção de um exército celestial, arcanjos da corte divina,tocando o seu coração, mais amor, violência não! A luta da natureza pra não sucumbir,chega de ambição de poluir, isso não pode se concretizar...e a paz que eu sempre sonhei, não pode acabar!


É tempo de mudar, somos todos irmãos,e de mãos dadas vamos juntos nessa união...fazer o bem, sem distinção, por onde for...Paz e amor!


A esperança de um novo amanhecer,é  a criança, abençoado ser...se cuidarmos bem dará bom fruto, cidadão de fé, fraterno e justo,de boa vontade, feito poucos,que sempre lutaram pelos outros!


Estrela, no céu a brilhar,o samba não te esquecerá...
Linda trajetória, de sonhos e glórias,um "Marko" em nossa história!



Seu Arcõncio, eternamente nos coracões da galera aqui do Boteco do Valente, que nunca vai deixar de te amar!

12 de agosto de 2011

Che Guevara, poesia escolhida

Che Guevara, não era só o guerrilheiro mundialmente conhecido pela boina estrelada, ele chegou à Bolívia em novembro de 1966, disfarçado de diplomata. Dias depois, estava no sul do país, na região onde montaria uma guerrilha com cerca de 30 combatentes. Com a guerrilha isolada e enfraquecida, foi capturado e morto quase um ano depois, após uma operação que reuniu 12 mil soldados bolivianos e a CIA.

Che carregava consigo três cadernos. Seu diário, um caderno com anotações e apontamentos teóricos e outro, de capa verde, com 69 poemas. Depois de passar anos em mãos do exército boliviano, os poemas escolhidos por Che para acompanha-lo na selva boliviana estão sendo reunidos em livro.

Cópias do cadernos chegaram às mãos do escritor mexicano Paco Ignacio Taibo II, autor de uma biografia de Che. A princípio, ele pensou que poderiam ser do próprio Guevara, mas reconheceu alguns dos textos e concluiu que “era evidentemente uma antologia, era sua própria antologia”. Taibo acredita que tenham sido copiados um a um durante a guerrilha e recordou que um dos guerrilheiros havia brincado que “carregar a mochila de Che era como carregar pedras, porque estava cheia de livros”.

Che, que gostava de poesia desde a adolescência, havia levado consigo para a Bolívia um pouco da obra de Pablo Neruda, Nicolas Guillén, César Vallejos e León Felipe. El cuaderno verde de Che foi lançado em 12 países da América Latina e sairá por aqui até o fim do ano, pela editora Planeta. Apresentamos, abaixo, os poetas escolhidos e alguns de seus poemas.

CÉSAR VALLEJOS
“São algo surpreendente os mineiros
remontando suas ruínas vindouras,
elaborando sua função mental
e abrindo com suas vozes
o buraco, anunciando as profundezas!
A sua natureza amarelada,
sua lanterna mágica,
seus baldes e histórias, seus percalços,
seus seis nervos ópticos,
seus filhos que jogam na igreja
e seus silenciosos pais infantis!
Saúde, ó criadores das profundezas...”
(Trecho de “Os mineiros saíram da mina”)

Em 1918, é lançado Os arautos negros, um marco na poesia peruana. Vallejos trouxe o sentimento indígena à literatura latino-americana. Segundo o poeta Mariátegui, “é uma arte rebelde que rompe com a tradição cortesã de uma literatura de bufões e lacaios”. Vallejos se aproxima da luta política e entra no PC. Em 1937, produz España, aparta de mi este cáliz e declara: “não é poeta aquele que hoje é insensível à tragédia operária”.

PABLO NERUDA
“E a minha voz nascerá de novo,
talvez noutro tempo sem dores,
sem os fios impuros que emendaram
negras vegetações ao meu canto,
e nas alturas arderá de novo
o meu coração ardente e estrelado.”
(In Canto Geral)

O autor de Cem sonetos de amor é o mais conhecido estre os que acompanhavam Che em seu caderno. Mas, além das paixões, nutria o amor pela humanidade, um amor universal.

A atuação política de Neruda despertou em 1936, quando participou, com o poeta Federico García Lorca, da Guerra Civil Espanhola. A morte de Lorca e a luta contra o franquismo fez com que escrevesse Espanha no coração. Em 1950, publicou Canto Geral, no México, uma das suas obras mais importantes. Em 1971, Neruda ganhou o Nobel de Literatura. Morreu dois anos depois, 12 dias após o golpe de Pinochet, e seu cortejo foi um grande ato contra a ditadura.

Apesar de jamais ter se distanciado do PC, o poeta não se enquadrava no realismo socialista. Tampouco na literatura dos poderosos. No livro Confesso que vivi, explica que “a burguesia exige uma poesia cada vez mais isolada da realidade. O poeta que sabe chamar o pão de pão e o vinho de vinho é perigoso para o capitalismo”.

NICOLÁS GUILLÉN
“Fita esse corpo leve
de anjo adolescente que trazia
sequer ainda bem fechadas
as cicatrizes sobre os ombros
onde teve asas;
fita esse corpo de perfil ausente,
desfeito a pedra e pedra,
e chumbo e pedra,
a insulto e pedra.”
(Trecho de Elegia a Emmet Till, negro de 14 anos morto por racistas nos EUA)

Guillén é o maior poeta cubano e conviveu com Che após a revolução. Nasce em 1902, em Cuba, já independente da Espanha, mas diretamente colonizada pelos Estados Unidos. O poeta, jornalista e escritor participa da luta política e alia a esta a sua produção poética. Sua obra representa como nenhuma outra a alma do povo negro cubano, sua cultura, sua luta e sua musicalidade. Seus versos rompem com toda a métrica e formalismo e surgem ecoando a percussão dos ritmos afro-cubanos, como o “son”.

Após a confirmação da morte de Che, Guillén escreve o belíssimo Che comandante lido em Havana, com versos como: “estás em toda a parte. Estás no índio feito de sonho e cobre. E no negro revolto em espumosa multidão”.

LEÓN FELIPE
“Tua é a fazenda,
a casa,
o cavalo
e a pistola.
Minha é a voz antiga da terra.
Você fica com tudo
e me deixa nu e errante pelo mundo...
mas eu te deixo mudo... Mudo!
E como vai recolher o trigo
e alimentar o fogo
se eu levo comigo a canção?”
(Para Franco)

Nascido na Espanha, em 1884, a poesia de León Felipe está intimamente ligada à América Latina. Sua primeira viagem ao continente foi em 1922. Após morar na Guiné Equatorial e no Panamá, retornou à Espanha durante a Guerra Civil. Em 1940, viaja ao México, onde viveu até sua morte em 1968.

Sua obra é marcada pela luta por justiça e pelo lamento dos povos. León também denuncia a Igreja Católica que, na Guerra Civil, abençoou os soldados de Franco e distribuiu “uma medalha ensangüentada”.

A odisséia de Dom Quixote é revivida em versos. León canta o cavaleiro, mas dedica atenção a Rocinante, o único cavalo que “conhece o significado da palavra justiça”. Conclui: “a grande esperança do mundo não tem pedigree”

5 de agosto de 2011

Desenredo - G.R.E.S. Unidos do Pau Brasil

DESENREDO - G.R.E.S. UNIDOS DO PAU BRASIL
Composição : Ivan Lins e Gonzaguinha, mas quem sempre a cantou maravilhosamente foi o inesquecível GONZAGUINHA, porém, existe por aí, outra, ótima também, com Leila Pinheiro. Aconselho a lerem a letra ouvindo a voz do mesmo, em algo tirado do Youtube, portanto vão no link abaixo, a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=HK-gObiFAOE
"No dia em que o jovem Cabral chegou por aqui, ô ô
Conforme diversos anúncios na televisão
Havia um coro afinado da tribo Tupi
Formado na beira do cais cantando em inglês
Caminha saltou no navio assoprando
Um apito em free bemol
Atrás vinha o resto empolgado da tripulação
Usando as tamancas no acerto da marcação
Tomando garrafas inteiras de vinho escocês
Partiram num porre infernal por dentro das matas ô ô
Ao som de pandeiros, chocalhos e acordeon
Tamoios, Tupis, Tupiniquins, Acarajés ou Carijós, sei lá
Chegaram e foram formando aquele imenso cordão, meu Deus, que bão!
E então de repente invadiram a avenida central, mas que legal!
E meu povo vestido de tanga adentrou ao coral
O velho cacique dos pampas sacou do piston
E deu como aberto em decreto mais um carnaval, ah, que bom!
E assim, a 22 daquele mês de abril
Fundaram a escola de samba Unidos do Pau Brasil!".

EXPLICAÇÃO: Essa letra é tão linda que a canto até hoje, desde que baixei um dos melhores LPs (pelo menos na minha odesta opinião) do Gonzaguinha, desses que até hoje, quando eu toco , a galera toda aqui do Boteco do Valente, sai batucando nas mesas.
Saiu de sua maravilha criativa e se a quiserem ouvir, peçam para o Wellington Leite, no programa matinal de MPB lá na Veritas FM, que ele com toda certeza é um dos únicos, que além de a conhecer a terá para brindar a todos nas manhãs, pois essa obra -prima de Gonzaguinha nos fala de  um 22 de abril, quando fomos descobertos (sei essa descoberta....) por seu Cabral, dando no que deu, essa imensa GRES, da qual todos nós fazemos parte, cujo pavilhão está completamente desbotado,  além de só levar nota 0 em toda apuração que disputa, a sua bateria toca toda fora do enredo,o seu samba está totalmente atravessado, nem os diertores de harmonia e muito menos a cúpula da escola se entendem, e que até agora está lutando com unhas e dentes para subir pro Grupo Especial, mas sair do Grupo de Acesso que é bom, ninguém viu!

29 de julho de 2011

Segura, Gonzaguinha!

Emocionalmente, no momento, nós, aqui do Boteco do Valente, não me encontramos inspirados o suficiente para falar deste maravilhoso compositor e cantor de nossa MPB. Só queremos expressar em poucas palavras, que na nossa modesta opinião, não existe uma composição sequer deste artista, que não seja uma belíssima obra musical.  Mas quem é ele? Vocês vão ter a imensa alegria de conhecê-lo agora:

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior nasceu em 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro, filho legítimo de Luiz Gonzaga, (o velho Lua) o rei do baião, e Odaléia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil.

"Venho de Odaléia, uma profissional daquelas que furam cartão e de vez em quando sobem no palco; ela cruzou com meu pai e de repente eu vim" (Gonzaguinha)

A mãe morreu de tuberculose ainda muito moça, com apenas 22 anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos, e o pai, não podendo cuidar do menino porque viajava por todo Brasil, entregou-o aos padrinhos

"Dina (Leopoldina de Castro Xavier) e Xavier (Henrique Xavier), baiano do violão das calçadas de Copacabana, do pires na zona do mangue, morro de São Carlos foram eles que me criaram e por isso eu toco violão. (Gonzaguinha)

As primeiras letras Gonzaguinha aprendeu numa escola local, mas as verdadeiras lições de vida recebeu pelas ladeiras do morro. Quando garoto, para conseguir algum dinheiro, carregava sacolas na feira.

Moleque Luizinho – seu apelido de infância, ia aprontando das suas. Pipas, peladas, bolinha de gude, pião e os acidentes da infância. Como as três vezes em que furou o olho esquerdo. Na primeira, com uma pedrada, depois, com um estilingue e, na quina da cama, com isso perdeu 80% da visão desse olho.

No carnaval fugia com Pafúncio, um vendedor de caranguejos que morava nas redondezas e era membro da ala de compositores da Unidos de São Carlos, a partir daí, o samba estaria definitivamente em sua vida. Nas ruas do Estácio, Gonzaguinha ia crescendo, entre a malandragem dos moleques de rua e o carinho da madrinha.

Do pai, recebia o nome de certidão, dinheiro para pagar os estudos e algumas visitas esporádicas. Imerso no dia-a-dia atribulado da população, Gonzaguinha ia aprendendo a dureza de uma vida marginal, a injustiça diária vivida por uma parcela da sociedade que não tinha acesso a nada.

O aprendizado musical se fez em casa mesmo, ouvindo o padrinho tocar violão e tentando fazer o mesmo: "Sempre toquei um instrumento e poderia chegar a tocar bem, sendo um músico profissional, coisa que não sou. Sou um compositor e um intérprete que também toca violão, mais não sou músico nem tenho intenção de me arvorar a sê-lo" (Gonzaguinha)

Quando pequeno, Gonzaguinha ouvia Lupicínio Rodrigues, Jamelão e as músicas de seu pai. Gostava de bolero e era assíduo freqüentador de programas sertanejos. Ouvia também muita música portuguesa, pois D. Dina sua madrinha e mãe adotiva, era filha de portugueses e manteve-se ligada às tradições familiares.

Aos catorze anos, Gonzaguinha escrevia sua primeira composição: Lembranças da Primavera. Pouco mais tarde , compôs Festa e From U.S of Piauí, que seu pai gravaria em 1967.


Em 1961, Gonzaguinha, que estava completando 16 anos, foi morar com o pai em Cocotá. Xavier e Dina não podiam dar estudos para o garoto, que queria estudar economia.

Neste ano Gonzaguinha estudou muito, desde então jamais repetiu um ano, lia todos os jornais e guardava tudo num saco de estopa, ele dizia que esses jornais podiam ajudar ele nos estudos. Só depois de formado é que ele jogou tudo fora.

Trancado no quarto, estudava economia e tocava violão. Quando saía, ia para a praia jogar futebol, sua outra paixão. Como já fizera no morro de São Carlos, esquecia dos horários e nunca vinha almoçar.

Em dezembro de 61, ocorreu o primeiro acidente automobilístico de sua vida, em viagem com o pai e uma amigo, a caixa de mudança do carro enguiçou, isso ocorreu no Rio, em direção a Miguel Pereira, Gonzagão ficou um mês hospitalizado, e Gonzaguinha só sofreu um grande susto. Os desentendimentos com Helena, esposa de Gonzagão, fizeram com que o menino acabasse sendo interno em um colégio. Talvez tenha sido a partir daí que o "homem" Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior tenha começado a se delinear. Não só concluiu o Curso Clássico, como ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes (Rio de Janeiro). Aquele que tinha tudo para não dar em nada, começava a mostrar o cidadão consciente social e politicamente.

O começo da amizade com Ivan Lins e alguns outros teve inicio na rua Jaceguai, na Tijuca onde morava o psiquiatra Aluízio Porto Carrero, um homem que gostava de levar pessoas a sua casa para longas conversas, jogos de cartas ou uma roda de violão.

Foi nesta casa que Gonzaguinha conheceu Ângela, sua primeira esposa, mãe dos seus dois filhos mais velhos, Daniel e Fernanda . Das rodas de violão na casa do psiquiatra nasceu o M.A.U. (Movimento Artístico Universitário) e dele faziam partes nomes como Ivan Lins, Aldir Blanc, Paulo Emílio, César Costa Filho. "Éramos um Grupo com pretensões de romper as barreiras do mercado de trabalho, com a consciência de que os festivais não projetavam ninguém" (Ivan Lins). O MAU acabaria sugado pela TV Globo que em 1971 lançava o programa "Som livre exportação".

Nos primeiros dois meses as coisas caminharam bem e o grupo fez grande sucesso. Passando esse período, na hora da renovação do contrato, a Globo só queria Ivan Lins, Gonzaguinha e César Costa Filho. No início eles procuraram manter-se unidos , "na base do ou assina todo mundo ou ninguém assina". Passados os primeiros dias, as grandes somas envolvidas, as diferenças pessoais e outros fatores cindiram o grupo. O programa continuou por mais algumas semanas, comandado por Ivan lins, que foi o que mais vacilou na defesa do grupo. "Não era uma questão de eu ser mais ou menos forte que o Ivan. É uma questão estrutural. Só isso. A minha imagem de antipatia não permitia que as pessoas tentassem me cooptar. Isso me deixava muito distante. (Gonzaguinha)

Foi nessa época que se difundiu a imagem de Gonzaguinha como um artista agressivo, chegando um jornalista a chamá-lo de "cantor rancor". Para o compositor, sua agressividade foi criada pelo sistema para ele vender mais.

Em 1973, Gonzaguinha participou do programa Flávio Cavalcanti apresentando a música Comportamento Geral num dos concursos promovidos pelo programa. Os jurados ficaram apavorados com a letra que dizia "Você deve aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado/ São palavras que ainda te deixam dizer por se homem bem disciplinado/ Deve pois só fazer pelo bem da Nação tudo aquilo que for ordenado".

Muita polêmica, uma advertência da censura mas, em compensação, o compacto gravado pelo compositor, que estava encalhado nas prateleiras das lojas, esgotou-se em poucos dias e logo Gonzaguinha pulava do quase anonimato para as paradas de sucesso na Rádio Tamoio e era convidado para gravar um novo disco.

Como era de se prever naqueles anos de chumbo, a divulgação da música logo foi proibida em todo o território nacional e Gonzaguinha "convidado" a prestar esclarecimentos no DOPS. Seria a primeira entre muitas visitas do compositor ao orgão público. Para gravar 18 músicas, Gonzaguinha submeteu 72 à censura - 54 foram vetadas!  Apesar de toda a perseguição, Gonzaguinha nunca deixou de divulgar seu trabalho: quer seja em discos onde driblava os censores com canções alegóricas, quer seja em shows onde, além de cantar as músicas que não podiam ser tocadas nas rádios, Gonzaguinha não se continha e exprimia suas opiniões e sua preocupação com os rumos que a nação tomava.
 
Em 1975, Gonzaguinha dispensou os empresários e essa atitude foi fundamental para sua carreira, segundo Gonzaguinha a vantagem de trabalhar independente dos empresários está nos contatos que o artista mantém com várias pessoas, o que concorre para recuperar se a base humana do trabalho. O ano de 1975 foi particularmente importante na vida do compositor: tendo contraído tuberculose, Gonzaguinha viu-se obrigado a passar oito meses em casa e aproveitou o tempo para meditar e refletir sobre si mesmo. Neste período acabou chegando a algumas conclusões importantes.

"Achei que devia retomar toda uma espontaneidade em termos de apresentação, de estar no palco como se estivesse em qualquer outro lugar" (Gonzaguinha)

O ano de 1975 também marcou o início das suas excursões pelo Brasil, em que rodou todo o país de violão. Com isso, conseguiu solidificar as bases nacionais de sua arte e descobriu a importância de seu pai, na música popular brasileira.

Em 1976, Gonzaguinha gravou o LP Começaria Tudo Outra Vez. O disco, de acordo com o próprio autor, representou a capacidade de voltar ao início da carreira, retomar a espontaneidade perdida e "assumir a coerência de um trabalho que vem se estendendo há muito tempo"

Em 1981 nasceu Amora Pêra, filha de Gonzaguinha e da Frenética Sandra Pêra. Depois disso, sua carreira constituiu um coleção de sucessos, tanto nas apresentações ao vivo como nos diversos LPs que lançou, entre os quais Gonzaguinha da vida (1979), Coisa Mais Maior de Grande (1981), Alô, Alô Brasil (1983), em toda essa trajetória, Gonzaguinha tem demonstrado, ao lado de qualidades artísticas indiscutíveis, uma grande coerência de idéias sobre a arte, a vida e a dimensão política do homem.

Seus últimos 12 anos de vida, Gonzaguinha passou-os ao lado de Louise Margarete Martins  - a Lelete. Desta relação nasceu Mariana, sua caçula. Até hoje Lelete e Mariana vivem em Belo Horizonte, cidade onde Gonzaguinha viveu durante dez anos.

A vida em Minas, mais calma, com longos passeios de bicicleta em torno da lagoa da Pampulha, marcou um período mais introspectivo de sua carreira. O músico dedicava-se a pesquisar novos sons dividindo-se entre longos períodos em casa e demoradas turnês de shows pelo país.

A mais importante dessas turnês talvez tenha sido com o show "Vida de Viajante", ao lado do pai Luiz Gonzaga, em 1981. Não apenas um show, "Vida de Viajante" selou o reencontro de pai e filho, a intersecção de dois estilos, o Brasil sertanejo do baião encontrando o Brasil urbano das canções com compromisso social e uma só paixão - o palco.

Se "Todo artista tem de ir aonde o povo está", lá estavam pai e filho deixando mágoas, desavenças, ressentimentos na poeira das estradas. Viajando juntos por quase um ano, mais do que se perdoaram - tornaram-se amigos. Não houve reconciliação, houve compreensão.

O acidente que tirou a vida de Luiz Gonzaga Júnior, aconteceu na manhã do dia 29 de abril de 1991 , ocorrido no quilômetro 30 da BR-280, entre os municípios de Renascença e marmeleiro, na região sudoeste do Paraná e a cerca de 420 quilômetros de Curitiba.

O Monza dirigido por Gonzaguinha bateu de frente no caminhão F-4000 com placa de Marmeleiro(PR), Gonzaguinha ainda chegou a ser levado a policlínica São Francisco de Paula, em Francisco Beltrão onde chegou sem vida. Os passageiros que viajavam com o Cantor, seu empresário Renato Manoel Duarte e Aristide Pereira da Silva, foram internados na mesma policlínica em estado de coma, ambos tiveram traumatismo craniano. O Renato foi o único sobrevivente.

Segundo um patrulheiro da policia rodoviária estadual, disse que possivelmente o sol atrapalhou a visão do motorista da caminhonete , pertencente a um matadouro. O motorista cruzou a pista para entrar numa estrada de terra que conduz ao matadouro e atingiu o Monza. No asfalto, ficou a marca da freada do automóvel por quase 50 metros.

Gonzaguinha seguia em destino a Foz do Iguaçu onde de lá tomaria um avião com destino a Florianópolis, para a realização de seis shows em Santa Catarina.

Ney Matogrosso

“ É tão súbito que nem sei o que dizer. Éramos amigos e há, pouco tempo, chegamos a estar bem próximos mesmo sem ter trabalhado juntos. Mais do que seu trabalho, gostava dele como pessoa”

Fagner

“ Era muito ligado a ele e a toa sua família. Tudo que posso dizer nesse momento é que estou chocado”

Joanna

“ Gonzaguinha era um poeta contemporâneo, que abordava a alma feminina de uma forma completa. Através da palavra, desnudava o universo da mulher> Ele tinha a sensibilidade à flor da pele. Na minha obra é de extrema importância. Sempre esteve presente nos meus trabalhos, desde que fez a música agora para o meu primeiro LP”

Simone

“ Era uma pessoa de quem gostava muito.Tinha um grande talento. Estou muito chocada agora para dizer para dizer mais alguma coisa”

 
Arquiles (MPB-4)

“ Nós éramos muito amigos. Sempre tivermos uma ligação forte porque o MPB-4 gravou muitas músicas dele. Ele nunca nos negou uma composição inédita. Nossas posições políticas também eram parecidas”

Abel Silva

“ A música brasileira perde um grande compositor de apelo popular, que dizia ass coisas com muito precisão e coragem. As canções que ele deu para a Bethânia por exemplo vão ficar. Na última vez que o vi, ele disse: ‘tenho saúde, resto a gente tira de letra’.”

Nana Caymmi

“Tinha um carinho grande pelo compositor e pelo ser humano. Vai ficar faltando um pedaço. À importância da obra dele é enorme. Com o tempo sentiremos falta de sua música. Ele lutava pela pátria. Sempre fui sua amiga e era muito ligada a ex-mulher dele, Ângela .Nossos filhos cresceram juntos. È horrível e inacreditável que isso tenha acontecido

Gonzaguinha tanto fez das das suas lá no Morro de São Carlos, que no Carnaval do Grupo de Acesso A do RJ em 2010, um de seus versos de Com a Perna no Mundo, "TEU MENINO DESCEU O SÃO CARLOS", foi lembrado pela G.R.E.S Estácio de Sá , com o samba-enredo Deixa falar. A Estácio é isso ai! Eu visto esse manto e vou por aí...


Ê, FAVELA!

DA BATUCADA, DO MEU GRANDE AMOR
EU SOU MALANDRO E FAÇO HISTÓRIA
NA ZONA DO MANGUE ONDE TUDO COMEÇOU

NASCIA EM FORMA DE ORAÇÃO
NAS MESAS DO CAFÉ, UMA CANÇÃO
BAMBAS QUE O BERÇO DO SAMBA UM DIA EMBALOU
VERSOS DE ISMAEL, "SE VOCÊ JURAR"
TE DOU EM POESIA, "A DONA DO LUGAR"
VAI MINHA INSPIRAÇÃO... DEIXA FALAR

EU VOU, "BEM JUNTO AO PASSO"
BEM NO COMPASSO DA MARCAÇÃO
EU SOU DO "VELHO ESTÁCIO"
E SE MORRER É DE EMOÇÃO

A "CADA ANO", "VÊ SE PODE"
MEU "PARAÍSO" É MAIS FELIZ
FEZ DA ARTE NEGRA ROMARIA
SE VESTIU DE FANTASIA E CRIOU SUA RAIZ

DO TERREIRO GRANDE, A DOCE VOZ
QUE EMOCIONA A TODOS NÓS
"TEU MENINO DESCEU O SÃO CARLOS"
BROTA "MELODIA" DESSE CHÃO

"EU VI, AI MEU DEUS EU VI"
A MINHA ESCOLA LEVANTAR A MULTIDÃO
E "QUERO A ARTE PRO MEU POVO
SER FELIZ DE NOVO", MEU LEÃO

ESTÁCIO É O MEU AMOR
E ESSE AMOR TEM SEU LUGAR
UM CORAÇÃO VERMELHO E BRANCO
QUE BATE FORTE SEM PARAR!

25 de julho de 2011

Valeu, Amy Winehouse, Saravá!

Hoje, os tantãs, surdos, pandeiros, agogõs, taróis, repeliques, repiques de mão, tamborins e cavacos da galera aqui do Boteco do Valente estão de luto, pois neste último sábado, 23 de julho, a grande Amy  Winehouse (Londres, 14 de setembro de 1983 — Londres, 23 de julho de 2011) foi ser mais uma das tantas atrações dos palcos do céu, ao lado de James Brown, Raul Seixas, Taiguara, Luiz Gonzaga, Bezerra da Silva, Mussum, Clara Nunes, Kid Morengueira,  Gonzaguinha, Jovelina Pérola Negra, Mamonas Assassinas, Agepê e tantos outros que deixaram sua marca de  raça e coragem misturadas a muita garra, talento,malandragem, deboche e irreverência neste mundo (agora, os esconjurados FDPs dos tablóides tem notícia de sobra pra dar!).

Seu primeiro álbum, Frank, lançado em 2003 pela Island Records, foi muito bem recebido, comercial e criticamente, e o segundo, de 2006, Back to Black, deu a ela seis indicações ao Grammy Awards, das quais venceu cinco.

Amy também foi muito conhecida por seus escândalos públicos e pelo uso de drogas. Os problemas de Amy com drogas e álcool foram noticiados pelos meios de comunicação ao redor do mundo desde 2008. Em junho de 2008 o pai de Amy revelou aos jornalistas que ela estava com uma possível arritmia cardíaca por conta do uso abusivo de cocaína e cigarro.Em 2009, Winehouse garantiu estar se recuperando. Ela já havia vendido 505 mil cópias de seus dois discos anteriores no Brasil, segundo a revista semanal Veja.

Em 2010, Amy terminou seu tratamento na reabilitação e finalmente parecia ter se libertado das drogas, podendo concentrar-se no seu terceiro disco, esperado para janeiro de 2011, fa(c)to que não ocorreu. No seu último show, em 19 de junho de 2011, em Belgrado, a cantora teve uma atuação em que era visível o seu estado de embriaguez, levando a assobios  e vaias por parte dos fãs sérvios. Ficou assim provado, que a cantora não se tinha ainda curado do alcoolismo. No dia 23 de julho de 2011 foi encontrada morta em sua casa. A polícia informou que a causa de sua morte "ainda não foi explicada."
 
Amy Winehouse nasceu em uma área suburbana de Southgate, bairro de Londres, numa família judia de quatro pessoas, com tradição musical ligada ao jazz. Seu pai, Mitchell Winehouse, era motorista de táxi e sua mãe, Janis, farmacêutica. Amy tem ainda um irmão mais velho, Alex Winehouse. Cresceu em Southgate, onde fez os estudos na Ashmole School.

No dia 18 de maio de 2007 casou-se com Blake Fielder-Civil em Miami. Seu marido cumpre prisão temporária pela acusação de ter ferido gravemente James King, 36, proprietário de um pub, e de ter tentado obstruir a justiça em 2007, desde dezembro do ano passado. Blake admitiu sua culpa em audiências preliminares ao processo e evitou que o processo fosse agravado. Sua sentença poderia chegar a dez anos. Amy assistiu duas vezes às audiências, no tribunal londrino de Snaresbrook.Amy já foi presa duas vezes no ano de 2008, devido a posse de drogas e confessou ter batido em um homem com as mãos, passou uma noite numa cela, mas foi presa sem acusação formal.

Em 16 de julho de 2009, Amy e Blake se divorciariam, por causa de acusações de infidelidade de ambas as partes. Foram conhecidas as brigas que tiveram, com agressões. Boatos do reatamento de Amy com Blake foram desmentidos. Amy estava namorando com Reg Traviss, um diretor de cinema. Segundo amigos e parentes da cantora, Traviss é uma ótima influência para Amy e não tem envolvimento com drogas e nem álcool.

O pai da cantora, Mitch Winehouse, lançou-se como cantor com o álbum "Rush Of Love", que traz clássicos do jazz de Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e ainda quatro músicas compostas por Mitch. Amy Winehouse possuia algumas tatuagens pelo corpo. No braço direito, um pássaro com as palavras Never clip my wings (nunca amarres as minhas asas). No braço esquerdo, uma pin-up e uma ferradura (sorte), misturadas com a expressão daddy's girl (menina do papai). Já no antebraço esquerdo tinha uma pena. Na barriga, "Hello Saylor" (Olá Marinheiro). Finalmente, tinha tatuado sobre o seio esquerdo um bolso, e, escrito logo a cima, Blake's, que significa, do Blake.

Ultimamente tinha-se debatido, juntamente com o seu ex-marido, com problemas relacionados com drogas, tendo várias vezes tentado superar o vício em clínicas de desintoxicação. Os tablóides britânicos elegeram-na como alvo preferencial, destronando deste modo Pete Doherty ex-The Libertines e atual líder da banda Babyshambles, como junkie mais famoso da Grã-Bretanha.

No dia 22 de janeiro de 2008, um vídeo com Amy usando crack e outras drogas saiu no site do jornal inglês The Sun. Em 25 de janeiro, foi internada numa clínica de reabilitação, sendo vigiada 24 horas por dia..[10]

Em função das polêmicas, o governo dos Estados Unidos negou visto à artista para cantar no Staples Center, sede da 50ª edição do Grammy, realizada em 10 de fevereiro em Los Angeles. A pedido dos organizadores, Winehouse deveria cantar numa performance ao vivo de Londres, onde morava e cumpria seus tratamentos antidrogas.

No dia 30 de maio de 2008 deu o seu primeiro concerto em Portugal, no Rock in Rio Lisboa. Aparentemente, Amy entrou em palco bêbada. Apresentou-se com um hematoma no pescoço e uma ligadura na mão que a impedia de segurar no microfone. Encontrava-se rouca, pelo que o concerto deixou um pouco a desejar. Este concerto foi motivo de notícia nos mais diversos meios de comunicação. A cantora inglesa pediu desculpas pelo seu atraso de 40 minutos (o que fez com que o alinhamento fosse encurtado para não atrasar o espectáculo de Lenny Kravitz) e admitiu ainda que devia ter cancelado o concerto, devido ao mau estado da sua voz. Nesse mesmo concerto, Amy quase chorou quando cantou "Love Is A Losing Game", onde, depois, disse que tinha feito recentemente um ano de casamento com o seu marido que iria sair da prisão dentro de semanas. No seu grande cabelo, Amy tinha um coração com o nome do seu marido. Durante a música "Wake Up Alone", a cantora quase cai. A sua presença naquele concerto era uma incógnita até ao momento em que aparecesse em palco, e o facto de ter aparecido já foi um ponto muito positivo para muitos fãs e para um recinto de quase 100 mil pessoas completamente esgotado. Acompanhada de seis músicos e dois vocalistas, Amy Winehouse demorou 50 minutos para interpretar pouco mais de dez temas retirados dos seus dois álbuns (Frank, Back to Black), mas não na sequência anteriormente prevista..[11][12]

Semanas antes deste concerto, Amy foi presa duas vezes, e foi vista cheia de arranhões.[13]

Na última audiência do marido, Amy exaltou-se no tribunal e foi expulsa do edifício pois não parava de gritar dentro da sala.

Várias fotografias de Amy com o seu marido vieram para a internet. Amy aparece em poses sensuais, o seu peito exposto e ainda com comprimidos na língua. Também apareceram dois vídeos: um onde Amy canta uma música racista e outro onde Amy está com Pete Doherty, brincando com ratinhos recém-nascidos. Amy Winehouse já pediu desculpas pelo vídeo onde canta a música racista.

Amy passou algum tempo internada pelo pai num hospital depois de ter desmaiado em casa quando ia dar autógrafos a fãs que a esperavam à porta de sua casa. Os médicos fizeram testes de tuberculose que deram negativo, e disseram que Amy estava com sinais de algo que podia levar a um enfisema pulmonar. Foi feito um ultimato à cantora: se não deixar as drogas, irá perder a voz e morrer rapidamente. Amy foi liberada para sair do hospital na última semana de junho para ensaiar, pois iria fazer shows que já estavam marcados antes de ir para o hospital. Tudo isso seria feito com acompanhamento médico e depois dos shows ela retornaria ao hospital para continuar seu tratamento. Amy Winehouse, logo depois da saída do hospital para ir ensaiar, já foi encontrada fumando e comprando whisky, vodka e figurinhas do Euro 2008 para o ex-marido, com quem teria reatado.

No dia 29 de maio, a cantora inglesa apresentou-se no Festival de Glastonbury, onde cantou durante uma hora. Desta vez, a cantora aproximou-se muito dos fãs, e um deles jogou um objeto que bateu em sua cabeça, o que fez com que Amy tivesse uma reação agressiva, tentando dar socos no fã.[14] Amy Winehouse há pouco tempo sofreu uma overdose e alguns especialistas disseram que Amy estaria pesando 45 quilos, o que não seria normal para uma pessoa em que já pesou 50 kg em sua perfeita forma física e moral. Amy surpreendeu muitos ao declarar que sonhava ter filhos e ser feliz em um lugar que, segundo ela, estaria longe do cotidiano em que vivia.

Amy foi encontrada morta em sua casa, em Camden, Londres, no dia 23 de julho de 2011, às 16 horas (hora local), aos 27 anos.[15] A informação teria sido divulgada pelo jornal The Daily Mirror e confirmada pela polícia inglesa. O jornal The Sun divulgou notícia sobre a morte, informando que a polícia havia sido chamada às 16h 05 min, a uma propriedade ao norte de Londres, respondendo a um chamado para atender uma mulher desmaiada.[16]

Por volta dos dez anos, Winehouse fundou uma banda amadora - e de curta vida útil - de rap chamada Sweet 'n' Sour, as Sour. Ela descreveu a banda como sendo "the little white Jewish Salt 'n' Pepa" ("a pequena Salt 'n' Pepa judaica"). Ganhou a sua primeira guitarra elétrica aos 13 anos de idade e por volta dos 16 anos já cantava profissionalmente ao lado de um amigo, o cantor de soul Tyler James.

Segundo os pais de Amy, ela não demonstrava muito talento e cantava tudo timidamente. Eles acreditavam que ela não tinha muitas expectativas. Antes de assinar o contrato com a Island Records, Amy cantava e tocava em pubs de Londres. Darcus Breeze ouviu demos que a cantora havia enviado e "quis saber quem era a garota com a voz de jazz e blues". Pouco depois, Amy assinou um contrato com a Island e lançou seu álbum de estreia Frank.

O seu álbum de estreia, "Frank", lançado em outubro de 2003, foi produzido por Salaam Remi. Diversas canções do álbum possuem influências do jazz e, todas as canções foram escritas por Winehouse. O álbum foi bem recebido pela crítica e sua voz foi comparada à de Sarah Vaughan, Macy Gray, entre outras.[2] Frank foi indicado para o Mercury Music Prize 2004.[17] O álbum foi lançado apenas no Reino Unido.
 

O seu segundo álbum, "Back to Black", recebeu 6 indicações para o Grammy 2008, das quais venceu 5: Canção do Ano, Gravação do Ano, Artista Revelação, Melhor Álbum Vocal Pop, Melhor Performance Vocal Pop Feminina.[18][19] Back to Black atingiu grande sucesso comercial, sendo o disco mais vendido de 2007(mais de 5 milhões de cópias no ano) e com mais de 8 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro até o primeiro semestre de 2008 e 13 milhões de cópias vendidas até 2010.[2][20]

Durante o EMA 2007, Amy recebeu um prêmio surpresa: foi feita uma votação entre os artistas de mais destaque nesse ano para saber qual o artista que merecia ganhar, tendo sido Amy a mais votada. Artistas como Rihanna, Chris Brown, Fergie e Shakira disseram que ela merece uma vez que é original, tem uma voz incrível e um ritmo único.

Apesar de ter apenas dois álbuns de estúdio, Amy Winehouse teve "Rehab" eleita pelos criticos do segmento uma das músicas mais influentes da década 2000-2009. 

Após quatro anos desde o lançamento de Back to Black, Amy Winehouse voltou a produzir material inédito com Mark Ronson, o produtor de seu segundo álbum, em 2010. Esse novo projeto é um pseudo-tributo a carreira de Quincy Jones, um álbum chamado Q Soul Bossa Nostra e que possui o apoio de diversos artistas da música contemporânea, incluindo Jennifer Hudson, Amy Winehouse, Akon, Ludacris, Usher, Mary J. Blige, Robin Thicke, Tyrese, LL Cool J, Trey Songz, Three 6 Mafia, Jermaine Dupri, Scott Storch e Jamie Foxx. Amy optou por regravar uma canção que fez sucesso na voz de Lesley Gore em 1963: "It's My Party (song)". O lançamento desse álbum está marcado para o dia 9 de Novembro de 2010. De acordo com Quincy Jones, um dos produtores mais conhecidos da música, já tendo assinado obras de grandes nomes da música como Frank Sinatra, Michael Jackson e Sarah Vaughan, a cantora é "de outro planeta", declarou sobre o talento de Amy Winehouse na revista "Rolling Stone", e que a nova roupagem da canção ficou "com cara de Amy".

O terceiro álbum de Amy Winehouse estava sendo produzido desde 2008, mas nessa época não foi concluído e foi abandonado. Após estar mais recuperada das drogas, Amy compôs algumas canções quando estava em Santa Lúcia (em 2009), mas as canções foram rejeitadas pela gravadora. Segundo os executivos o disco era muito depressivo e com muitas referências ao ex-marido da cantora, Blake Fielder-Civil. Amy chamou Mark Ronson para "tentar salvar o novo álbum" mas, na época, os dois não chegaram nem a se reunir. Finalmente em 2010, Winehouse começou a trabalhar oficialmente no terceiro trabalho de estúdio, o sucessor de Back to Black. Segundo Darcus Breeze, que ouviu algumas demos do álbum, as músicas são ótimas e ele ficou realmente impressionado. O pai de Amy Winehouse, Mitch Winehouse afirmou que o novo álbum da cantora deve sair em dezembro de 2010 e que as canções são ótimas.Porém, o produtor Mark Ronson afirmou que Winehouse ainda não começou a trabalhar no disco. Amy afirmou que o álbum será lançado em janeiro de 2011 e que tem material o suficiente para produzir três discos diferentes.

Amy Winehouse findou sua curta e brilhante carreira antes de lançar o tão aguardado terceiro álbum. Espera-se que haja o lançamento de materiais inéditos e demos que foram gravados pela cantora antes de sua trágica morte. Espera-se que o terceiro álbum seja lançado como um CD póstumo. Em 14 de fevereiro de 2007 ganhou um Brit Award por Melhor Artista Feminina Britânica entregue pela Baby Spice, Emma Bunton. Quatro meses depois,Winehouse, recebe o Mojo Awards pela melhor canção do ano. Mesmo que seja recebeu e vários outros como : Europe Music Awards , MTV Video Music Awards , Mercury Prize Awards , Q Awards , Elle Style Awards , Ivor Novello Awards , South Bank Show Awards , Meteor Irish Music Awards e outras .

Apesar de ter lançado somente dois álbuns, Amy influenciou alguns artistas: a cantora Adele (que inclusive era amiga de Amy) foi intitulada pela mídia como a nova Amy Winehouse, além de ter voz e estilo parecidos. Gabriella Cilmi também é comparada a Winehouse por seu timbre, sendo este quase idêntico. Paloma Faith tem visual, voz, estilo musical influenciados por Winehouse. Amy Winehouse morreu de over ou underdose? Estava sozinha? Feliz ou infeliz? Todas essas e tantas outras perguntas não importam mais. O que prevalece é o fato de que o mundo da música perdeu um extraordinário talento. Uma cantora dona de uma belíssima voz, que não conseguiu, em nove anos de cantora, e aos 27 anos de idade superar a dependência do uso de drogas numa tremenda mostra de muita raça e determinação.


Em circunstâncias semelhantes à da morte de Amy, e com a mesma idade, já morreram talentos como o de Janis Joplin, Kurt Cobain, Jim Morrison e Jimi Hendrix. No Brasil, vítima do uso excessivo de álcool, morreu, antes de completar 27 anos de idade, o extraordinário talento de Noel Rosa. Amy Winehouse teve uma vida tumultuada, cercada de brigas e escândalos com o marido Blake Fielder-Civil. Sua vida também era uma rotina de uso excessivo de drogas e prisões. Viveu cenas patéticas no palco, quando esquecia a letra de suas músicas ou cantava completamente embriagada.


Nada disso apaga o valor do seu talento musical. Nada fará seus milhões de fãs, em todo o mundo, esquecerem a beleza de suas canções e principalmente da sua voz. Amy não deixa em desespero apenas sua família, os músicos que a acompanhavam, os amigos e milhões de fãs na Inglaterra e em todo o mundo. O sofrimento na verdade é de todos que amam a boa música, o verdadeiro talento de uma artista e a voz inigualável de uma cantora.


Acima, muito acima, do vício pelas drogas ou pelo álcool, a vida desregrada e tumultuada de um artista, está o seu talento, a beleza do seu trabalho e o reconhecimento do público. O máximo que podemos fazer é lamentar que uma pessoa tão jovem, bonita e talentosa, tenha vivido tão pouco. E egoisticamente dizer: teria nos contemplado com tantas outras canções e interpretações maravilhosas... Seria tão bom...


O que importa hoje, naquela tarde um pouco fria de sábado, é que o mundo musical ficou mais pobre. Perdeu precocemente mais um grande talento. Para matar a saudade, vamos ver e ouvir a bela voz de Amy Winehouse, nesse vídeo maravilhoso, em preto e branco, tão badalado e tão visto, mas que dá a impressão de que ela está conduzindo a despedida de si própria.

Amy Winehouse foi um ícone de estilo, trazendo em seu "look" uma mistura diversificada: os olhos cobertos por um forte delineador que lembrava o visual de cantores de rock; o cabelo (característica mais marcante no seu visual) era inspirado nos penteados das divas dos anos 1950/60; as roupas eram modernas. Suas roupas eram simples; sapatilhas de balé estavam quase sempre com a cantora.

 Muito obrigado,Amy Winehouse, por sua meteórica passagem pela Terra e sucesso na sua REHAB aí no outro lado da vida, que aqui, nós do Boteco do Valente, vamos tocando nossas vidas, até o dia em que todos nós vamos nos encontrar de novo, e pra você fazemos nossas as palavras do GRES Estácio de Sá no Grupo de Acesso A do Carnaval do Rio em 2010, debaixo de uma tremenda e estrondosa batucada, feita pela nossa bateria, em sua homenagem, regada a muito churrasco e cerveja (guaraná pra quem não bebe, por favor!), como direito a nossa galera toda dizendo no pé, no melhor estilo da malandragem (pois você foi bem malandra no seu prório estilo, com cara e jeito de periferia, sem precisar imitar ninguém!) pois você não deve ser lembrada com tristeza, mas sim com alegria :

"Ê, FAVELA!DA BATUCADA, DO MEU GRANDE AMOR.../EU SOU MALANDRO E FAÇO HISTÓRIA/NA ZONA DO MANGUE ONDE TUDO COMEÇOU (...)VAI MINHA INSPIRAÇÃO... NASCIA ASSIM, EM FORMA DE ORAÇÃO, NAS MESAS DO CAFÉ, UMA CANÇÃO/BAMBAS QUE O BERÇO DO SAMBA UM DIA EMBALOU.... (...) DEIXA FALAR!(...)EU VOU, "BEM JUNTO AO PASSO"/BEM NO COMPASSO DA MARCAÇÃO/ EU SOU DO "VELHO ESTÁCIO" E SE EU MORRER É DE EMOÇÃO!"

9 de abril de 2011

Um ofício. Uma carta. Uma resposta. E o futebol virou de ponta-cabeça!

Há exatos 87 anos, uma carta mudou os rumos do futebol brasileiro. Em 07 de abril de 1924, os homens do Vasco, liderados por José Augusto Prestes, davam à sociedade brasileira uma demonstração de como deveria ser o Brasil, forte e com igualdade para todos.

Uma carta que, mais que uma carta, é um verdadeiro libelo contra a discriminação social e racial. Pelo que representou para o esporte nacional, pelo que representa até hoje para toda a nação  vascaína e para nós, do Boteco do Valente e pela nobreza do seu conteúdo, a nossa reverência.Confira a carta:

Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.
Ofício nr. 261
Exmo. Sr. Dr. Arnaldo Guinle
M.D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos

As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V.Exa tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.

Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma por que será exercido o direito de discussão e voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V.Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se à AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.

Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.

Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr.

Obrigado.

(a) Dr. José Augusto Prestes
Presidente

Obs.: os grandes clubes do Rio de Janeiro exigiram que o Vasco da Gama eliminasse 12 jogadores. Motivo velado: eram negros. Toma a resposta do Vasco no meio de suas fuças!

23 de março de 2011

HABEAS PINHO (Ronaldo Cunha Lima)

Em 1955 em Campina Grande, na Paraíba, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada do mês de junho, quando chegou a PM e apreendeu o violão. Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da Faculdade e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em Juízo, para que fosse liberado o violão.  Aquele pedido ficou conhecido como "Habeas Pinho" e enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares de praias no Nordeste. Mais tarde, Ronaldo Cunha Lima foi eleito Deputado Estadual, Prefeito de Campina Grande, Senador da República, Governador do Estado e Deputado Federal. O Boteco do Valente traz pra você a famosa petição:

HABEAS PINHO

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito
Arthur Moura
 da 2ª Vara desta Comarca

O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola.
É simplesmente, doutor, um violão.

Um violão, doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão.
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade.
Ao crime ele nunca se mistura.
Inexiste entre eles afinidade.

O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e que povoam a vida
Sufocando suas próprias dores.

O violão é música e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpétua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Mande soltá-lo pelo Amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras.

Libere o violão, Dr. Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz,
cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, e afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
derramando na rua as suas dôres?

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento.
Juntando esta petição aos autos nós pedimos
e pedimos também DEFERIMENTO.

Ronaldo Cunha Lima
advogado.

O juiz Arthur Moura, sem perder o ponto, deu a sentença no mesmo tom:

Para que eu não carregue remorso no coração,
Determino que seja entregue ao seu dono,
Desde logo, o malfadado violão.

Recebo a Petição escrita em verso
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo em sombra imerso
É desumana e vil destruição
De tudo, que há de belo no universo.

Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte à rua, em vida transviada
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de lua, plena madrugada,
Venha tocar à porta do Juiz.