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30 de outubro de 2012

FUTEBOL: FC Sankt Pauli, Parabéns pelo Retorno!


A galera aqui do Boteco do Valente faz toda questão de parabenizar o FC Sankt Pauli pelo retorno a elite do futebol alemão, mas vamos contar essa história, pois agora, em seu ano de centenário, o St. Pauli conseguiu no último dia 8, o acesso a Bundesliga, primeira divisão do Campeonato Alemão, da qual ficou fora desde a temporada de 2001/2002.
Um clube de futebol cujo assessor de imprensa é relacionado para um jogo de primeira divisão. Seu ex-presidente é assumidamente gay. Uma torcida que se declara contra o racismo, fascismo e sexismo. Um uniforme que leva o nome de uma sex shop entre os patrocinadores e com a camisa em uma cor peculiar: marrom. Um de seus símbolos é a bandeira pirata. O St. Pauli pode não lutar pelo título alemão, mas brilha por ser a equipe mais alternativa do mundo. O time, que voltou nesta temporada à primeira divisão, tenta se firmar na elite. A tarefa tem sido árdua: o St. Pauli ocupa a 13ª posição com 28 pontos, três acima da zona de rebaixamento.
O time de Hamburgo tem uma série de peculiaridades que o fizeram ganhar a simpatia de milhões de fãs não apenas na Alemanha. Em sua última “peripécia”, o St. Pauli teve um jogador especial relacionado para enfrentar o Hannover 96, no fim de fevereiro. Hauke Brückner, assessor de imprensa do clube, ficou no banco de reservas. O jornalista, de 30 anos, já havia defendido o time em dez partidas na temporada 2002/03, quando o St. Pauli estava na segunda divisão alemã. Conheça mais algumas curiosidades sobre o St. Pauli:

EX-PRESIDENTE ASSUMIDAMENTE GAY

Corny Littman presidiu o St. Pauli entre 2002 e 2010. Diretor teatral, ele é declaradamente gay, o que ilustra um ponto forte do clube: seu caráter contrário a qualquer forma de discriminação. Os torcedores da equipe abominam todo tipo de racismo, sexismo, xenofobia e homofobia. Outro exemplo deste comportamento foi a remoção de um anúncio de uma revista masculina do estádio, pois foi considerado ofensivo às mulheres.

UNIFORME COM PATROCÍNIO DE SEX SHOP

A sede do St. Pauli se localiza na região de Reeperbahn, área da cidade de Hamburgo na qual se localizam boates e casas de prostituição. O clube não poderia perder a oportunidade para faturar em cima disso. A diretoria fechou um contrato com a Orion, uma das lojas de artigos eróticos mais conhecida do mundo. Para comemorar o retorno do time à primeira divisão, o sex shop fabricou 20 mil camisinhas com o escudo do St. Pauli.

UMA TORCIDA FANÁTICA E POLITIZADA

Os torcedores do St. Pauli fazem questão de exibir sua posição política, alinhada à esquerda. Estima-se que o clube tenha cerca de 11 milhões de sócios na Alemanha. A fama da equipe de Hamburgo se espalhou pelo mundo: hoje, há em torno de 500 fãs clubes do St. Pauli fora do país. A paixão da torcida também se mede no estádio. Quando o St. Pauli estava na terceira divisão, o clube tinha uma média de 15 mil torcedores por partida como mandante - contra 200 da média geral do torneio.

BANDEIRA PIRATA COMO SÍMBOLO

Force um pouco sua memória e tente se lembrar de algum time cujo uniforme tem o marrom como a cor principal. Além da peculiaridade em sua camisa, o St. Pauli tem como símbolo extraoficial a bandeira pirata. Em 2009, após marcar um gol contra o Hansa Rostock, Deniz Naki fez a festa da torcida ao fazer um sinal de que cortaria o pescoço dos adversários. A identificação com o símbolo foi completada no fim da partida, quando ele fincou uma bandeira do St. Pauli no gramado.

LIGAÇÃO PRÓXIMA ENTRE CLUBE E MÚSICA

Não seria um exagero dizer que o St. Pauli joga por música. Quando o time entra em campo no estádio Millerntor, nada de hinos; pelos alto-falantes, ouve-se Hells Bells, do AC/DC (foto). Se a equipe da casa faz um gol, a música Song#2, do Blur, anima a torcida. A ligação do clube de Hamburgo com a música vai além. Diversas bandas se mostraram simpatizantes do St. Pauli, como Bad Religion, Asian Dub Foundation e Turbonegro, e até compuseram canções sobre a equipe.
 
No final dos anos 70 os neonazistas, de forma similar a outros países (especialmente na Inglaterra), começam a se infiltrar nos estádios de futebol de Hamburgo, que até então não tinha nenhum caráter político, tomando em pouco tempo o controle dos estádios graças a sua grande organização. A partir de então eles começam a se situar no "Bloco E" da Curva Norte, por esse motivo muitos torcedores deixam de ir aos estádios. Essas organizações fascistas, que ainda hoje continuam na ativa (como "FAP", "NF" ou o mais velho partido nazista alemão "NDP"), eram capazes de criarem torcidas organizadas de caráter neonazista como os "Borussenfront" em Dormunt ou os "Hertafrösche" em Berlim. Muitos dos importantes líderes destes grupos eram militantes de partidos neonazistas. Suas zines, bandeiras e outros materiais eram dessa mesma influência política, assim como os hinos que cantavam nos estádios. Não tardou para a polícia interceptar, nesse mesmo ano, uma circular interna escrita pelo líder nazista Michael Kühnen, na qual dizia que "o futebol devia ser um campo de captação de recrutas para o movimento nazista alemão".

Por outro lado, ao norte da cidade, no bairro de St. Pauli, dar-se início a uma série de acontecimentos significativos para a história do bairro: os "squatters" se multiplicam em muito pouco tempo e as baixas rendas que pagavam pelos tetos fazem com que a maioria dos habitantes da esquerda de Hamburgo se desloque para o bairro de St. Pauli, trazendo consigo, claro, um aumento no número de espectadores do Millentorn (estádio do St. Pauli) que até então não superava os 2000 afiliados.

O FC St. Pauli sempre foi uma equipe modesta, limitando-se apenas a jogar na Bundesliga, e quase sempre jogou na segunda e terceira divisão alemã. Seu estádio, o Millentorn, conta com uma capacidade de 21000 espectadores. Por volta de 1985 começa-se a notar esse crescimento na torcida do St. Pauli. Em apenas um ano a equipe começou a dobrar o número de sócios, passando para 4000 afiliados. Já em 1989 começam a se organizar de um modo mais efetivo os primeiros grupos de torcida do St. Pauli. Em 1991 editam um vídeo sobre eles mesmos em sua passagem pela Bundesliga, feito que voltariam a realizar em 1997. Também começam a organizar seu meio de comunicação próprio, o famoso "Millentorn Roar!", que atualmente tem uma tiragem de mais de 30000 números, tornando-se assim a revista de torcidas com maior tiragens do mundo.
Mas não avancemos tanto, pois como já dissemos, pouco a pouco a massa do St. Pauli vai aumentando, chamando a atenção da extrema-direita. Em 1988 após uma disputa entre Alemanha e Holanda em Hamburgo, alguns fascistas decidem, para celebrar a vitória da seleção alemã, acabar com a Haffenstrabe, conjunto de okupas situada em St. Pauli. A resposta do bairro é incrível: avançaram em fúria contra os fascistas, confrontando-se fisicamente com eles; os nazistas sofreram numerosas perdas. Depois deste fato, mais e mais antifascistas uniram-se à torcida do St. Pauli. Porém, neste momento, o verdadeiro motivo de sua organização foi para lutar contra os projetos mesquinhos da diretoria do clube, que queria transformar o St. Pauli em um "time grande" à custa da população. Eles planejaram um mega-projeto esportivo que necessitava, como infra-estrutura, milhões de marcos... um estádio novo, um centro comercial, uma cidade esportiva...
 Enfim, isto supunha o encarecimento do preço dos tetos, o desalojamento das casas okupas, maior controle policial na zona, aburguesamento do bairro etc., e as torcidas do St. Pauli se organizaram para impedir este projeto. Foram ao estádio e fizeram uma série de manifestações, agitando cartazes e bandeiras. O clube então cedeu e as coisas ficaram como estavam. Era a segunda grande vitória, em tão pouco tempo, ganhada pela torcida do St. Pauli, esse foi o verdadeiro começo do que viria depois: deslocamentos de milhares de torcidas organizadas para ver o St. Pauli jogar por toda a Alemanha, o reconhecimento das torcidas estrangeiras (Celtic Glasgow, Athletic de Bilbao etc.) e a perplexidade dos meios de comunicação pela "estranha" torcida do St. Pauli (comunistas, anarquistas e antifascistas em geral), pelas bandeiras de Che tremulando no Estádio de Millentorn e pelos hinos antifascistas cantados por toda a sua torcida. O movimento contra-cultural também se fez presente: punks e skinheads antifascistas prestaram toda a sua solidariedade ao time do St. Pauli, formando inclusive algumas torcidas organizadas.
No início dos anos 90 torcedores antifascistas começaram a se organizar em torno do St. Pauli, surgindo assim o primeiro deles: o "St. Pauli Fans". Nesse mesmo ano, surgiu também o "St. Paulianer", que era uma torcida organizada que agrupava todo o tipo de juventude antifascista, contendo em suas fileiras um grande número de skinheads libertários, Redskins e SHARP. Sobre esta torcida ocorreu um fato curioso no final dos anos 90, quando os torcedores do "St. Paulianer" foram a Nuremberg, assistir à partida de seu time, se confrontaram fisicamente com os fascistas. A imprensa e as pessoas leigas ficaram completamente surpreendidas ao ver uma "encarniçada briga de rua entre skinheads de esquerda contra skinheads de direita". Existia também uma outra torcida denominada "BAFF" (Bündnis Antifas chistischer FusballFans). Entretanto, como já dissemos, o St. Pauli também contava com um grupo de torcedores fascistas que faziam manifestações políticas dentro do Estádio de Millentorn. Em todos os campos que iam, os neonazistas se mobilizavam para enfrentar os torcedores do St. Pauli. Mas a união entre as torcidas antifascistas do St. Pauli resultou na vitória final contra o eixo nazista. As brigas foram continuas e selvagens, mas no final de tudo as torcidas organizadas do St. Pauli limparam seu estádio da sujeira nazi-fascista, os expulsando dali no tapa (a única linguagem que esses fulanos conhecem). Também são famosos seus confrontos com os fascistas de Hamburgo, Berlim e Borussia Dortmund. Seu reflexo em outras torcidas alemãs é incrível, seguiram seus exemplos outras torcidas como as do Schalke 04, Kaiserlauntern e Mainz.
Enfim, a ideologia no seio do St. Pauli, tanto dos torcedores como da própria equipe, é o antifascismo. Foram os primeiros a organizar partidas contra o racismo, convidando imigrantes a participar. Até pouco tempo, a torcida e a equipe protestaram contra a guerra dos EUA no Iraque, levantando faixas com os dizeres: "FUCK THE WAR!". Atualmente, o St. Pauli conta com dezenas de grupos organizados que animam regularmente a equipe (todos eles antifascistas, claro!) distribuídos entre a Curva Norte e a "Gegengerade", que é a parte do estádio situada em frente à tribuna central. Todos eles animam de pé os 90 minutos da partida. Seu lugar de encontro é o ?Fanlanden?, uma espécie de lugar clandestino onde se reúnem todas as torcidas do St. Pauli, e onde se distribuem material do grupo e da equipe, elaboram a fanzine, reúnem bandeiras, discutem futebol e política e, naturalmente, tomam algumas cervejas. Também tem um programa de rádio próprio onde retransmitem diretamente todas as partidas que o St. Pauli joga fora de casa.Ficam aqui os mais sinceros parabéns a torcida e o clube, pelo acesso conseguido e fazemos votos que mantenham sua postura e atitude, que não façam concessões e muito menos abaixem a cabeça pra quem quer que seja por estarem na primeira divisão e que continuem sendo mais uma "organização" da luta anticapitalista nos tempos de hoje.

14 de maio de 2012

Valeu, Vila São Paulo!

Foi na base do “grito” que os moradores da Vila São Paulo conseguiram resolver um problema que afetava o bairro há pelo menos 15 dias. Para pressionar o Departamento de Água e Esgoto (DAE) a conter um vazamento de água na quadra 9 da rua Baltazar Batista, eles atearam fogo em pneus e colchões para bloquear a via no início da tarde da última sexta-feira, dia 11.O protesto surtiu efeito. Por volta das 16h, uma equipe de manutenção da autarquia já estava no local para consertar a tubulação. O vazamento havia sido tão intenso que um enorme buraco se abriu no asfalto, prejudicando o fluxo de veículos.
De acordo com o organizador da manifestação, que não quis se identificar, e para o qual este blog dá os parabéns, cerca de 20 moradores participaram da iniciativa. “A gente perdeu a paciência. Tentamos negociar com o DAE inúmeras vezes, de maneira educada. Mas ninguém nos deu ouvidos”, pondera.
Segundo ele, foram mais de dez queixas registradas junto à autarquia, mas nenhuma providência foi tomada.
“O buraco cheio de água e terra transformou a rua num barro só. Muitos motoristas desavisados passavam e quase quebravam o carro. Não dava mais para esperar”, acrescenta.
A comerciante Ester Gonçalves Silveira, 38 anos, conta que, na mesma semana  em que o bicho pegou por lá, um veículo precisou ser guinchado depois de cair na armadilha que se formou no meio da rua. Embora não tenha participado do protesto, ela também demonstrou indignação com a inércia (ou seria preguiça?) do departamento.
Ester conta que o vazamento, naquele ponto, é antigo e nunca foi consertado como deveria. “Esse problema já existe há um bom tempo. A prefeitura recapeou a rua sem mexer nos tubos e o asfalto começou a ceder. Eu mesma liguei várias vezes para o DAE, mas ninguém apareceu para arrumar”, reclama.
De acordo com a assessoria de imprensa do DAE, a autarquia registra cerca de 35 chamados diários por conta de vazamentos de água e outros 20 referentes a vazamento de esgoto. De fato, a situação vivenciada pelos moradores da Vila São Paulo não é uma realidade isolada.Os problemas estão por toda parte. No Parque Real, a vizinhança da quadra 10 da avenida das Bandeiras sofre há pelo menos um mês com o forte odor do esgoto de corre na calçada em direção à rua. “No começo da tarde, quando o sol está mais forte, o cheiro fica insuportável. A gente até perde a vontade de almoçar”, comenta a faxineira
Maria Aparecida Teodoro, 44 anos, destacando que telefonou diversas vezes para o departamento para solicitar o reparo. O DAE informou que o vazamento foi registrado na última segunda-feira e que o conserto deve ser concluído no decorrer da próxima semana.
Já na quadra 1 rua Santa Rita, próximo à Praça da Amizade, no Jardim Redentor, um vazamento de água completou 40 dias sem nenhuma solução. Conforme a assessoria de imprensa do DAE, a última queixa foi registrada no dia 19 de março e o problema teria sido resolvido no mesmo mês.Eis a questão: O que é o Poder Legislativo? A serviço de quem ele trabalha? Ele foi atacado por quem? Pensando nas classes socais, digo: A defesa do Congresso seria uma atitude benéfica para qual classe? O “ataque” ao Congresso é benéfico para qual classe? Pensemos...Este artigo está sendo escrito num momento de fortes reflexões sobre o papel que vários partidos políticos ditos populares deve ter na nossa sociedade. Vendo a ação dos moradores da Vila São Paulo, que, já estando até as tampas do descaso do DAE em relação aos seu bairro, foram até chamados de vãndalos. Mas como sabemos, em Bauru deve-se manter a ordem! Que ordem? Que ordem foi rompida?
Quiçá houvesse mais manifestações, queima de pneus em ruas, mais confronto com a ordem estabelecida! Assim estaríamos avançados no movimento popular, mas quem é do movimento popular não pode esconder seus objetivos. Aprendemos pela dor, na vida na periferia, que ou se jogam em um time, ou se joga em outro, pois não dá para acender uma vela ao santo e outra ao diabo. Todo apoio a galera da Vila São Paulo, todo apoio ao povo da Vila São Paulo , ao povo da perifreia de Bauru às dezenas de lutadores sociais dessa cidade! Venceremos! Para encerrar, citarei um pensamento, uma “máxima” do marxismo, nas palavras do próprio:

“Os comunistas recusam-se a ocultar suas opiniões e suas intenções. Declaram abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados com a derrubada violenta de toda ordem social existente.”

Violência, isso, violência, aquilo... Democracia não se faz assim.... Tem de ser dentro da lei... blá...blá...blá... Chega!! Chega de hipocrisia! Vai à merda! Chega de atacar os pobres quando estes se levantam. Devem reagir com violência sim, reagir à violência cotidiana, a falta de direitos!! A classe média de nossa cidade, critica aqueles que comentem ações “não-civilizadas”, mas que santa hipocrisia, criticar a cidadania daqueles que não têm direitos! A ação dos moradores da Vila São Paulo  é, em verdade, uma reação à condição que vivem milhões de bauruenses da periferia, que são tratados como criminosos por serem corajosos e desafiarem a ordem! Ordem da exclusão!

30 de janeiro de 2012

Piranha Não Dá No Mar (Ou Quem É o Criminoso,Hein,Soninha?)

Os moradores da ocupação do Pinheirinho, situado em São José dos Campos, (SP) , sofreram tudo quanto é tipo de barbaridade durante a remoção de suas casas, sendo até mesmo retirados, homens, mulheres e crianças, pela tropa de choque da PM, debaixo de porrada, perdendo tudo aquilo que lutaram durante toda a vida com o suor de seus rostos, para certas prostitutas disfarçadas de vereadoras, (que me desculpem as prostitutas, pois até elas mesmas tem mais ética e são mais humanas diante de tragédias como a do Pinheirinho)dizerem as merdas abaixo do Twitter na noite da quinta-feira (26 de janeiro), que os moradores do Pinheirinho que apareceram em fotos – há cerca de duas semanas – portando escudos e pedaços de madeira para resistir ao iminente despejo que a Polícia Militar promoveria são “criminosos tirando vantagem da situação, não gente comum defendendo sua terra”.

A declaração – que caberia perfeitamente na boca de um general linha dura da ditadura civil militar encerrada em 1985 – é forte e carrega consigo a idéia ultraconservadora que considera movimentos e lutas sociais como casos de polícia.É uma frase que sintetiza e ilustra muito bem a ideologia que prega a criminalização dos movimentos sociais. Não basta divergir deles. É preciso criminalizá-los, estigmatizá-los, torná-los inimigos da “lei e da ordem”, elementos que precisam ser eliminados e isolados da sociedade. Pra quem se diz defensora dos direitos humanos, tratá-los da forma como a PM-SP o fez, é apenas a conseqüência dessa ideologia defendida com tanta convicção por Soninha.

É público e notório que, nos últimos anos, você,Soninha, muito metida a querer sair pelos quatro cantos de São Paulo arrotando igualdade social a torto e a direito, com uma cagada dessas, se tornou uma prostituta ideológica da direita, especialmente nas redes sociais. Daí a chegar a esse grau de violência simbólica contra pessoas que já são marginalizadas e enfrentam toda a sorte de preconceitos e agressões para poderem (sobre) viver… Pois uma atitude hipócrita dessas, vinda de você, é de  se espantar. 

Soninha, você não é uma bobinha destemperada. Ao contrário, você sabe muito bem o valor que as palavras têm e os conceitos que elas carregam e reproduzem, pois os moradores do Pinheirinho, que você chamou de  criminosos, eram na verdade pais e mães de família, querendo um lugar pra morar, especialmente nas periferias, aonde gente como você, vai colocar a sua cara imunda pra pedir votos , sua Geni disfarçada de vereadora, e não se esqueça que esse é um ano eleitoral e você vai precisar do votos do povo da periferia, ou seja, você envergonha , com atitudes como essas, TODA A JUVENTUDE BRASILEIRA, que desde os tempos em que você era VJ na MTV, aprendeu a te admirar, mas que depois de uma putaria dessas, sua bovina eleitoreira, está te  virando as costas, ou no Pinheirinho não tinha população o suficiente pra garantir aí em Sampa o seu segundo mandato hein, sua tonta, pra dizer que só tinha criminoso lá? Então aqui vai pra você em alto e bom som um sonoro e retumbante JOGA BOSTA NA GENI!!!

NÓS SOMOS OS GAVIÕES DA FIEL (Manifesto de Fundação da GDF)

“NÓS SOMOS OS GAVIÕES DA FIEL”

Nosso lema está expresso em nossa própria designação
força–independente nosso verdadeiro ideal

Lutamos, vibramos, torcemos e seguimos todas as atividades esportivas nas quais o Corinthians esteja presente, procurando sempre colaborar com a mística corinthiana, seja um fator concreto de desenvolvimento moral e físico.

Se a nossa presença pioneira nos estádios leva a vibração e o alarido da geração moderna durante o espetáculo, não é menos verdade que, como participantes efetivos da família corintiana, com a qual colaboramos em tudo, inclusive financeiramente, nos reservamos o direito inalienável de participar da vida política e administrativa do clube, atuando através da observação que fazemos dos atos e atitudes dos dirigentes – simples mandatários da vontade da grande massa corintiana – aplaudindo, orientando e criticando quando isso atende aos interesses maiores do nosso clube.

Observamos, esclarecemos e atuamos, conforme o fizemos quando da vitória da revolução corintiana, cujas realizações e atos seguimos atentamente, reservando-nos o direito de opinar na hora oportuna.

Nascemos num momento de desalento, quando até a própria torcida parecia não mais acreditar no grande Corinthians. nós acreditamos sempre e por isso partimos para a luta. Luta que sempre existirá, pois o ideal de perfeição é eterno. quando adentrarmos nos estádios, poucos podem calcular quanto de sacrifício nos custa: financeiro, de trabalho, de despreendimento pessoal, etc. mas vamos continuar sempre: hoje, amanhã, depois, pois sempre existirá o grande e eterno Corinthians.

 
Nós somos os Gaviões da Fiel…
Força – Independente em prol do grande Corinthians

Flávio La Selva (sócio 01 dos Gaviões da Fiel)

31 de agosto de 2011

Polícia militar agride população presente na XIV Parada do Orgulho LGBT de Goiânia


No dia 05 de setembro de 2010 aconteceu em Goiânia a XIV Parada do orgulho LGBT. A festa foi legal em geral, todos curtindo de maneira pacífica e praticamente sem confusões, apesar de que na nossa opinião deveria ser um dia de luta e protesto ao invés de festa e comemoração.
De acordo com a organização do evento, o combinado que haviam feito com a prefeitura e a própria polícia era que o evento iria terminar às 22 horas, porém aproximadamente às 21:20 várias viaturas da polícia militar começaram a chegar com o intuito de expulsar as pessoas do local, um lugar público, uma rua em que todos deveriam ser livres (pelo menos de acordo com a constituição, apesar de que não acreditamos no cumprimento da mesma) para circular.
Utilizando-se de gases de efeito moral, a polícia começou a reprimir as pessoas que estavam no local ainda que essas pessoas não estavam cometendo nenhum “crime”, e muitos não se sentindo acuados pela polícia (por não estarem fazendo nada de errado) continuaram tranquilos e pacíficos no local. Vendo que a ação com os gases de efeito moral não estavam adiantando para expulsar as pessoas do local público os policiais passaram para um ataque mais violento, detendo pessoas que não haviam feito nada e utilizando se de agressões físicas contra essas pessoas.
Revoltada com essas atitudes dos policiais, uma jovem se aproximou e questionou aos policiais o porque dessas pessoas estarem sendo detidas e agredidas, porém sem resposta os policiais começaram a desferir chutes, socos, coronhadas e choques contra a jovem, deixando ela no chão quase desmaiada e mesmo nessa situação eles não pararam de agredí-la. Revoltad@s com o ocorrido, várias pessoas foram para cima dos policiais (dentre essas pessoas estava a companheira da jovem agredida, que também foi derrubada e agredida) e os policiais começaram a desferir golpes contra tod@s, até mesmo crianças foram alvo desses fascistas covardes, que deixaram várias pessoas feridas. Sem ter o que fazer, todos começaram a correr descontrolados tentando fugir das agressões dos policiais, que continuavam correndo atrás das pessoas e desferindo golpes em pessoas indefesas. O ocorrido lembrou muito aquelas cenas vistas em filmes e documentários da época do regime militar, que a polícia fortemente armada ataca o povo indefeso e sem ao menos ter feito nada de errado.
Agressões como essa que aconteceu nesse evento acontecem em vários lugares todos os dias, e o que me disseram é que não é a primeira vez que acontece na própria parada LGBT. Pelo que parece é que todos os anos, já a algum tempo, a polícia sempre chega de forma violenta para acabar com o evento antes do horário programado. Atitudes como essas não podem ser toleradas por nós, não podemos aceitar tal violência calados, devemos nos organizar para combater essas atitudes, devemos nos auto-defender desses fascistas fardados.
Em referencia ao ocorrido, queremos declarar que não ficará assim, essas agressões não serão simplesmente esquecidas sem serem resolvidas, porém como não acreditamos na justiça através das instituições (ainda mais contra a polícia) declaramos que a justiça será feita pelas mãos do próprio povo, pois só o povo unido tem força suficiente contra o Estado e seus defensores fascistas fardados.
ABAIXO A VIOLÊNCIA POLICIAL!!!
  ESSA PATIFARIA NÃO VAI PASSAR BATIDA!!!

13 de agosto de 2011

Chile: O Bicho Pegou, e Pegou Feio!

A onda de manifestações que tem acontecido no Chile no último mês destaca a necessidade dos estudantes chilenos de terem direito ao acesso ao ensino público e gratuito em todos os níveis. Universitários exigem acesso e mais verbas para a educação pública e secundaristas exigem desmunicipalização do ensino e estatização do ensino básico e médio.





Aconteceram manifestações convocadas pela Confederação dos Estudantes do Chile (CONFECh), que agrupa as Federações dos estudantes de 29 universidades chilenas. Junto com os estudantes universitários tem acontecido também a participação de entidades secundaristas: Assembléia Coordenadora dos Estudantes Secundaristas (ACES) e a Federação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (FEMES).





A primeira manifestação aconteceu no dia 12 de maio com cerca de 15 mil estudantes nas ruas. Depois uma nova manifestação no dia 26 de maio. No dia 01 de junho teve paralização geral que levou 20 mil estudantes para as ruas de Santiago. No dia 15 de junho mineiros da mina El Teniente, da estatal CODELCO (Coorporação Nacional de Cobre do Chile) em greve fizeram ato junto com estudantes secundaristas que juntou 7 mil pessoas.




No dia 16 de junho nova marcha convocada pela CONFECh que juntou cerca de 100 mil estudantes e professores em Santiago e mais de 200 mil em todo o país.No dia 23 estudantes secundaristas realizaram nova mobilização com 20 mil estudantes. Logo depois o Ministro da educação anuncia proposta que foi rejeitada por universitarios e secudnaristas em suas assembleias. No dia 30 de junho, 200 mil estudantes e professores ocupam as ruas de Santiago e cerca de 400 mil mobilizados em todo o país.




No meio da luta o presidente Piñera tem reprimido fortemente as manifestações. O que se combina com as perseguições políticas nas escolas. A estudante Lorena Mussa do Colégio Alemão da cidade de Arica foi expulsa da escola e ameaçada pela dona da escola por convocar assembleia estudantil em sua escola. Luz Marina Osorio ameaçou Lorena dizendo que se estudantes ocupassem o colégio "poderia até matar ela, bater a paulada e que não receberia nenhuma solicitação contra sua decisão porque o recinto era privado."




- Livre acesso, gratuidade e mais verbas para a educação pública universitária no Chile.


- Federalização e estatização do ensino básico e médio no Chile.


- Abaixo a repressão e a perseguição! Reintegração imediata da Lorena Mussa em sua escola!

8 de agosto de 2011

Revolução Mexicana

O México é um país de desigualdades sociais, o que significa que há poucos ricos dominando a economia enquanto faz-se presente no território uma grande massa de pobres.

De 1876 a 1911 o México foi governado por Porfírio Diaz, que ganhava eleições através de fraudes. Porfírio prendia seus opositores e fez um plano para modernizar o país. Para isso, Porfírio procurou desenvolver o capitalismo. Não tinha preocupação com o social e sim em beneficiar os mais abastados.

O governo deu forças para que comunidades indígenas perdessem suas terras para os latifundiários e permitiu que empresas norte-americanas explorassem o México. Eram companhias de minas e de estradas de ferro. As empresas norte-americanas ganhavam fortunas enquanto os trabalhadores tinham um péssimo salário e viviam em constante exploração, sem uma legislação que os protegia ainda.

Estado Oligárquico: oligarquia significa governo de alguns, ou seja, governo que beneficia somente alguns privilegiados. Porfírio Díaz era um governo oligárquico que só beneficiava grupos econômicos ligados a si, principalmente os interesses ianques no México.

Muitos fazendeiros, empresários, intelectuais e pessoas da classe média queriam o fim dessa oligarquia porque não recebiam apoio do Estado para seus negócios. Desejavam eleições limpas, um presidente que respeitasse o Congresso e uma Constituição que garantisse os direitos de qualquer cidadão.

Revolução de 1911:  o ditador Porfírio Díaz era apoiado por latifundiários e burguesia que era ligado a sua oligarquia. Camponeses, operários e parte da burguesia queriam a queda do Estado Oligárquico. O povo mexicano via nas eleições uma oportunidade para derrubar o ditador e implantar um governo mais justo. Porém, nas eleições, Porfírio venceu com fraudes novamente. A população revoltou e pegou em armas, quartéis foram invadidos e muitos batalhões ficaram contra o ditador.

Porfírio Diaz pegou dinheiro público e saiu voado para a França, sem prejuízo algum a sua integridade física e econômica.  Burgueses, camponeses e operários queriam reconstruir o país, cada qual com seu pensamento.

Francisco Madero:   Madero foi o presidente eleito. Ele era latifundiário, dono de minas e fábricas. Estudou na Europa e EUA e representava a burguesia liberal. O campesinato formou um exército e exigiram seus direitos, como a reforma agrária, visto que Madero também não fez um governo popular. A burguesia liberal só queria o fim do Estado oligárquico, não queria ceder suas terras.

Os camponeses eram liderados por Pancho Villa no norte e Emiliano Zapata no sul. Operários insatisfeitos fizeram greves em todo país. Zapata tinha apoiado Madero, mas passou a opor ao seu governo, lançando o PLANO DE AYALA, que exigia reforma agrária imediata ou revolução. Os EUA pressionaram Madero porque queriam estabilidade, visto que tinham investimentos no país. A pressão acabou derrubando Madero.

General Huerta:  o general Huerta invadiu com seus homens o palácio presidencial em 1913 e Madero foi assassinado. Huerta era o novo presidente, que atuou como ditador. O povo lutou tanto para derrubar um ditador e agora se faz presente novamente esse regime no país.

Zapata e Pancho Villa lutaram contra Huerta e reivindicavam “Terra e Liberdade”. Os generais Carranza e Obregón formaram as forças constitucionalistas para lutarem contra o ditador. Defendiam idéias democráticas e liberais. Os EUA, com um baita olhão crescendo pra cima do petróleo mexicano, apoiavam Huerta porque este permitia seus lucros. Porém, viram que Huerta estava tumultuando o país, atrapalhando seus negócios. Por isso, enviaram tropas para o país. Os EUA só pensavam em seus lucros, independente dos problemas sociais altino-americanos.

Na batalha de Zacatecas, o exército de Pancho Villa matou Huerta. Em 1914 o exército de Carranza entra vitorioso na cidade do México. Havia 3 exércitos: o dos generais Carranza e Obregón que defendia a burguesia; o de Zapata que defendia os camponeses do sul; e de Pancho Villa que representava os peões do norte.

O país agora precisava de uma organização política. Na CONVENÇÃO DE AGUASCALIENTES representantes de Carranza, Zapata e Villa discutiram como seria o novo governo do México. Não chegaram em acordo nenhum devido interesses opostos e a guerra civil continuou. Zapata ignorou a guerra civil porque estava fazendo reforma agrária em suas províncias.

Carranza se aliou aos EUA, que preferiam se aliar a um representante da burguesia. Para ter mais aliados, Carranza prometeu reformas sociais, tendo o apoio de operários, parte do campesinato e classe média. Pancho Villa ficou isolado, mas não abandonou a guerra e até invadia cidades norte-americanas.Os EUA e Carranza caçaram Villa, mas não o capturaram na guerra. Zapata foi assassinado somente em 1919 e Villa em 1923, quando já tinha abandonado as armas e era apenas um agricultor.  Carranza se consolidava como presidente do México.

Constituição de 1917:  o México elaborou uma constituição liberal em 1917 – avançada para a época. Estabelecia: sufrágio universal, eleições diretas para presidente, direitos individuais, leis trabalhistas (salário, jornada de trabalho de 8 horas e proibição do trabalho infantil). Estabelecia o princípio da reforma agrária. Anos depois, algumas terras foram distribuídas para os camponeses, mas não foi feita uma reforma agrária eficiente. As terras de subsolo foram consideradas da nação, mas as empresas ianques que já atuavam no país permaneceram.

Fim da revolução:  após Carranza, Obregón se tornou presidente e mandou assassinar Carranza. Obregón facilitou a exploração dos EUA no México. A burguesia saiu vitoriosa. As desigualdades sociais continuaram, pois o capitalismo prevaleceu. Hoje, na região de Chiapas, o movimento zapatista tenta derrubar o sistema capitalista, lutando por reforma agrária e um governo mais justo.

13 de julho de 2011

Lampião e Seus Cabras: Uma Saga de Raça, Resistência, Coragem e Luta!

A violência aplicada na colonização para tomar posse das terras indígenas, ainda pairava no ar seco do sertão.

Nos brejos perenes e em períodos de chuva, o interior nordestino tornava-se promissor e produzia muito, mas entre as fazendas havia muitos bandidos que ameaçavam esse progresso.

Os coronéis, que exploravam e oprimiam o povo, não admitiam as ações desses bandidos em seus territórios, tendo nos jagunços e na volante da polícia a segurança local.

Essa contradição de segurança despertou em homens bravios, o sentimento de injustiça, e o abuso de autoridade por parte dos coronéis gerou rixas, que fizeram surgir o cangaço no contexto histórico nordestino.

O cangaço tomou força no começo do século XX e os grupos atuavam em todo o sertão, foi um acontecimento social que produziu uma cultura ímpar, com indumentária, música, versos, dança e um jeito de ser bem característicos.

Luiz Gonzaga tomou emprestadas essas características e absorveu essa cultura para se lançar no cenário da música brasileira.

Os cangaceiros eram homens valentes que começaram a agir por conta própria, através das armas, desafiando grandes fazendeiros e cometendo agressões. Geralmente, os cangaceiros saíam da lida com o gado.

Eram boiadeiros habilidosos, que faziam as próprias roupas, caçavam e cozinhavam, tocavam o pé-de-bode (sanfona de oito baixos) em dias de festa, trabalhavam com couro, amansavam animais, desenvolvendo um estilo de vida miliciano e, apesar da vida criminosa, eram muito religiosos.

A astúcia e a ousadia nos ataques às fazendas e cidades era outra característica desses guerreiros, que quase sempre saíam vitoriosos das investidas, mas às vezes levavam desvantagem, por isso tinham uma vida cigana, de estado em estado, de fronteira em fronteira.

Vestiam-se com roupas de tecido grosso, ou até com gibão, calçavam alpercata, usavam chapéus de couro com abas largas e viradas para cima, gostavam de lenços no pescoço, de punhais compridos na cintura, cartucheiras atravessadas ao peito disputando espaço com as cangas, que eram as bolsas, cabaças e outros suportes, utilizados para transportar os objetos pessoais.

Pelo Nordeste havia vários grupos de cangaço, porém o mais famoso foi o de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, um pernambucano que desafiou todos os poderes políticos. Ficou conhecido pela bravura, a qual Luiz Gonzaga venerava e cantava.

O banditismo parece ser um fenômeno universal. É difícil encontrar um povo no mundo que não teve (ou tenha) bandidos: indivíduos frios, calculistas, insensíveis à violência e à morte. Sem entrar no mérito das atrocidades cometidas pelos colonizadores portugueses, que escravizaram os negros africanos e quase exterminaram os índios nativos do país, a região Nordeste do Brasil vivenciou um período de quase meio século de violência, especialmente no final da década de 1870, após a grande seca de 1877.

O monopólio da terra e o trabalho servil, heranças das capitanias hereditárias, sempre mantiveram o empobrecimento da população e impediram o desenvolvimento do Nordeste, apesar do empenho de Joaquim Nabuco e da abolição da escravatura. As pessoas continuam sendo relegadas à condição de objetos, cujo maior dever é servir aos donos de terras.

Enquanto o capitalismo avançava nos grandes centros urbanos, no meio rural persistia o atraso da grande propriedade: a presença do latifúndio semifeudal, elemento dominador que, da monarquia à república, se mantém intocável em seus privilégios. Os problemas das famílias abastadas são resolvidos entre si, sem a intervenção do poder do Estado, mas com a substantiva ajuda de seus fiéis subordinados: policiais, delegados, juízes e políticos.

No final do século XIX, os engenhos são tragados pelas usinas, porém as relações pré-capitalistas de produção se conservam: os trabalhadores rurais se tornam meros semi-servos. E o dono da terra - o chamado "coronel" - representa o legítimo árbitro social, mandando em todos (do clero à força policial), com o apoio integral da máquina do Estado. Contrariar o coronel, portanto, é algo a que ninguém se atreve.

É importante registrar também a presença dos jagunços, ou capangas dos "coronéis", aqueles assalariados que trabalham como vaqueiros, agricultores ou mesmo assassinos, defendendo com unhas e dentes os interesses do patrão, de sua família e de sua propriedade.

Diante das relações semifeudais de produção, da fragilidade das instituições responsáveis pela ordem, lei e justiça, e da ocorrência de grandes injustiças - homicídios de familiares, violências sexuais, roubo de gado e de terras, além de secas periódicas que vêm agravar a fome, o analfabetismo e a pobreza extrema, os sertanejos buscaram fazer justiça com as próprias mãos, gerando, como forma de defesa, um fenômeno social que combatia na base do fogo contra fogo as injustiças sociais do sertão, era respeitado pelos mais humildes  e botou terror nas elites da época: o cangaço.

Fora o cangaço, dois outros elementos que surgem nos sertões nordestinos são o fanatismo religioso e o messianismo, a exemplo de Canudos (na Bahia) com Antonio Conselheiro; de Caldeirão (na chapada do Araripe, município do Crato, no Ceará) com o Beato Lourenço; e dos seus remanescentes em Pau de Colher, na Bahia. O cangaço, o fanatismo religioso e o messianismo são episódios marcantes da guerra civil nordestina: representam alternativas através das quais a população regional pode retaliar os danos sofridos, garantir um lugar no céu, alimentar o seu espírito de aventura e/ou conseguir um dinheiro fácil.
A expressão cangaço está relacionada à palavra canga ou cangalho: uma junta de madeira que une os bois para o trabalho. Assim como os bois carregam as cangas para otimizar o labor, os homens que levam os rifles nas costas são chamados de cangaceiros.

O cangaço advém do século XVIII, tempo em que o sertão ainda não havia sido desbravado. Já naquela época, o cangaceiro Jesuíno Brilhante (vulgo Cabeleira) ataca o Recife, e é preso e enforcado em 1786. De Ribeira do Navio, estado de Pernambuco, surgem também os cangaceiros Cassemiro Honório e Márcula. O cangaço passa a se tornar, então, uma profissão lucrativa, surgindo vários grupos que roubam e matam nas caatingas. São eles: Zé Pereira, os irmãos Porcino, Sebastião Pereira e Antônio Quelé. No começo da história, contudo, eles representam grupos de homens armados a serviço de coronéis.

Em 1897, surge o primeiro cangaceiro importante: Antônio Silvino. Com fama de bandido cavalheiresco, que respeita e ajuda muitos, ele atua, durante 17 anos, nos sertões de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. É preso pela polícia pernambucana em 1914. Um outro cangaceiro famoso é Sebastião Pereira (chamado de Sinhô Pereira), que forma o seu bando em 1916. No começo do século XX, frente ao poder dos coronéis e à ausência de justiça e do cumprimento da lei, tais indivíduos entram no cangaço com o propósito de vingar a honra de suas famílias.

Para combater esse novo fenômeno social, o Poder Público cria as "volantes". Nestas forças policiais, os seus integrantes se disfarçavam de cangaceiros, tentando descobrir os seus esconderijos. Logo, ficava bem difícil saber ao certo quem era quem. Do ponto de vista dos cangaceiros, eles eram, simplesmente, os "macacos". E tais "macacos" atuavam com mais ferocidade do que os próprios cangaceiros, criando um clima de grande violência em todo o sertão nordestino.

Por outro lado, a polícia chama de coiteiros todas as pessoas que, de alguma forma, ajudam os cangaceiros. Os residentes no interior do sertão - moradores, vaqueiros e criadores, por exemplo - se inserem, também, dentro dessa categoria.

Sob ordens superiores, as volantes passam a atuar como verdadeiros "esquadrões da morte", surrando, torturando, sangrando e/ou matando coiteiros e bandidos. Se os cangaceiros, portanto, ao empregar a violência, agem completamente fora da lei, as volantes o fazem com o apoio total da lei.

Nesse contexto, surge a figura do Padre Cícero Romão Batista, apelidado pelos fanáticos de Santo de Juazeiro, que nele vêem o poder de realizar milagres e, sobretudo, uma figura divina. Endeusado nas zonas rurais nordestinas, o Padre Cícero concilia interesses antagônicos e amortece os conflitos entre as classes sociais. Em meio a crendices e superstições, os milagres - muitas vezes, resumidos a simples conselhos de higiene ou procedimentos diante da subnutrição - atraem grandes romarias para Juazeiro, ainda mais porque os seus conselhos são gratuitos. O Santo de Juazeiro, contudo, a despeito de ser um bom conciliador e uma figura querida entre os cangaceiros, utiliza a sua influência religiosa para agir em favor dos "coronéis", desculpando-os pelas violências e injustiças cometidas.

Em meio a essa turbulência, surge o mais importante de todos os cangaceiros e quem mais tempo resiste (cerca de vinte anos) ao cerco policial: Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também chamado rei do cangaço e governador do sertão. Os membros do seu bando usam cabelos compridos, lenço em volta do pescoço, grande quantidade de jóias e um perfume exagerado. Seus nomes e alcunhas são os seguintes: Antônio Pereira, Antônio Marinheiro, Ananias, Alagoano, Andorinha, Amoredo, Ângelo Roque, Beleza, Beija-Flor, Bom de Veras, Cícero da Costa, Cajueiro, Cigano, Cravo Roxo, Cavanhaque, Chumbinho, Cambaio, Criança, Corisco, Delicadeza, Damião, Ezequiel Português, Fogueira Jararaca, Juriti, Luís Pedro, Linguarudo, Lagartixa, Moreno, Moita Braba, Mormaço, Ponto Fino, Porqueira, Pintado, Sete Léguas, Sabino, Trovão, Zé Baiano, Zé Venâncio,Assum Preto, Maria Bonita, Lampião, Chumbinho, Severino entre outros.

A partir de 1930, a mulher é inserida no cangaço. Tudo começa com Maria Bonita, companheira de Lampião, e depois vêm outras. Muito embora não entrassem diretamente nos combates, as mulheres são preciosas colaboradoras, participando de forma indireta das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos cangaceiros. Elas sempre portam armas de cano curto (do tipo Mauser) e, em caso de defesa pessoal, estão prontas para atirar.

Seja representando um porto seguro, ou funcionando como um ponto de apoio importante para se implorar clemência, as representantes do sexo feminino contribuem muito para acalmar e humanizar os cangaceiros, além de aumentar-lhes o nível de cautela e limitar os excessos de desmandos. As cangaceiras mais famosas do bando de Lampião, juntamente com os seus companheiros, são: Dadá (Corisco), Inacinha (Galo), Sebastiana (Moita Brava), Cila (José Sereno), Maria (Labareda), Lídia, (José Baiano) e Neném (Luís Pedro).

Como as demais sertanejas nordestinas, as mulheres recebem a proteção paternalista dos seus companheiros, mas o seu cotidiano é mesmo bem difícil. Levar a termo as gestações, por exemplo, no desconforto da caatinga, significa muito sofrimento para elas. Às vezes, precisavam andar várias léguas, logo após o parto, para fugir das volantes. E caso não possuíssem uma resistência física incomum, não conseguiriam sobreviver.

Em decorrência da instabilidade e dos inúmeros problemas da vida no cangaço, os homens não permitem a presença de crianças no bando. Assim que seus filhos nascem, são entregues a parentes não engajados no cangaço, ou deixados com as famílias de padres, coronéis, juízes, militares, fazendeiros.

Vale ressaltar que um fator decisivo para o extermínio do bando de Lampião é o uso da metralhadora, que os cangaceiros tentam comprar, mas não obtêm sucesso. No dia 28 de abril de 1938, Lampião é atacado de surpresa na grota de Angico, local que sempre julgou como o mais seguro de todos. O rei do cangaço, Maria Bonita, e alguns cangaceiros são mortos rapidamente. O resto do bando consegue fugir para a caatinga. Com Lampião, morre também o personagem histórico mais famoso da cultura popular brasileira.

Em Angicos, os mortos são decapitados pela volante e as cabeças são exibidas em vários estados do Nordeste e sul do país. Posteriormente, ficam expostas no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por cerca de 30 anos. Apesar de muitos protestos, no sentido de enterrar os restos mortais mumificados, o diretor do Museu - Estácio de Lima - é contra o sepultamento.

Após a morte de Lampião, Corisco tenta assumir durante dois anos o lugar de chefe dos cangaceiros. A sua inteligência e competência, porém, estão longe de se comparar àquelas de Virgulino.

No dia 23 de março de 1940, a volante Zé Rufino combate o bando. Dadá é gravemente ferida no pé direito; Corisco leva um tiro nas costas, que lhe atinge a barriga, deixando os intestinos à mostra. O casal é transportado, então, para o hospital de Ventura. Devido à gangrena, Dadá (Sérgia Maria da Conceição) sofre uma amputação alta da perna direita, mas Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) não resiste aos ferimentos, vindo a falecer no mesmo dia.

O fiel amigo de Lampião é enterrado no dia 23 de março de 1940, no cemitério da cidade Miguel Calmon, na Bahia. Dez dias após o sepultamento, o seu cadáver foi exumado: decepam-lhe a cabeça e o braço direito e expõem essas partes, também, no Museu Nina Rodrigues.

Naquela época, o cangaço já se encontra em plena decadência e, com Lampião, morre também a última liderança desse fenômeno social. Os cangaceiros que vão presos e cumprem pena conseguem se reintegrar no meio social. Alguns deles são: José Alves de Matos (Vinte e Cinco), Ângelo Roque da Silva (Labareda), Vítor Rodrigues (Criança), Isaías Vieira (Zabelê), Antônio dos Santos (Volta Seca), João Marques Correia (Barreiras), Antônio Luís Tavares (Asa Branca), Manuel Dantas (Candeeiro), Antenor José de Lima (Beija-Flor), e outros.

Após décadas de protestos, por parte das famílias de Lampião, Maria Bonita e Corisco, no dia 6 de fevereiro de 1969, por ordem do governador Luís Viana Filho, e obedecendo ao código penal brasileiro que impõe o devido respeito aos mortos, as cabeças de Lampião e Maria Bonita são sepultadas no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador. Em 13 de fevereiro, do mesmo ano, o governador autoriza, ainda, o sepultamento da cabeça e do braço de Corisco, e das cabeças de Canjica, Zabelê, Azulão e Marinheiro.

Por fim, registram-se informações sobre alguns ex-cangaceiros que retornam ao convívio social. Tendo fugido para São Paulo, depois do combate na grota de Angico, Criança adquire casa própria e mercearia naquela cidade, casa-se com Ana Caetana de Lima e tem três filhos: Adenilse, Adenilson e Vicentina.

Zabelê volta para o roçado, assim como Beija-Flor. Eles continuam pobres, analfabetos e desassistidos. Candeeiro segue o mesmo rumo, mas consegue se alfabetizar.

Vinte e Cinco vai trabalhar como funcionário do Tribunal Eleitoral de Maceió, casa com a enfermeira Maria de Silva Matos e tem três filhas: Dalma, Dilma e Débora.

Volta Seca passa muito tempo preso na penitenciária da Feira de Curtume, na Bahia. É condenado, inicialmente, a uma pena de 145 anos, depois comutada para 30 anos. Através do indulto do presidente Getúlio Vargas, porém, em 1954, ele cumpre uma pena de 20 anos. Volta Seca se casa, tem sete filhos e é admitido como guarda-freios na Estrada de Ferro Leopoldina.

Conhecido também como Anjo Roque, Labareda consegue se empregar no Conselho Penitenciário de Salvador, casa e tem nove filhos.

E, intrigante como possa parecer, o ex-cangaceiro Saracura torna-se funcionário de dois museus, o Nina Rodrigues e o de Antropologia Criminal, os mesmos que expuseram as cabeças mumificadas dos velhos companheiros de lutas.

29 de março de 2011

Fortunato Rocha Lima: a paciência acabou!

Cinco “fogueiras” alimentadas por pneus e tudo mais o que se podia encontrar. Além de interditar a via, a altura da fumaça preta, que podia ser avistada a quilômetros de distância, foi a maneira encontrada por moradores de três bairros bauruenses cortados pela rua Laudze Garcia Menezes para chamar a atenção das autoridades e pedir mais segurança. No último sábado, pai e filha morreram atropelados na rua, que funciona como marginal da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Marília.

Na ocasião, o coletor de recicláveis Valdecir Monteiro, que completou 48 anos exatamente no dia da tragédia, e sua filha caçula Gabriela, de apenas 4, foram atingidos por um Renault Clio conduzido por Joyce Aparecida de Oliveira, 20 anos. Com a morte de ambos, a população, que já viu acidente semelhante no fim do ano passado, deu para  as autoridades locais uma verdadeira mostra de organização popular,  explondindo toda a sua revolta para fora e pedindo mais sinalização e segurança.

Ontem, o posicionamento revoltoso ficou mais quente, literalmente. Em cinco pontos da rua em questão, os moradores dos bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá e Jardim Eldorado fizeram barricadas com fogo. Como combustível para as chamas utilizaram pneus, galhos, colchões, panos, entre outros objetos.

Sob os gritos de “queremos lombada” e “justiça a Valdecir e Gabriela” (as vítimas fatais do fim de semana), a população se aglomerava por todos os segmentos da rua. A posição de todos era unânime em pedir obstáculos a fim de reduzir a velocidade dos automóveis que passam pelo local.

Maria Aparecida da Silva tem 23 anos. Desses, 12 viveu em uma residência nas proximidades da Laudze Garcia Menezes. “O movimento de carros é muito grande. E eles passam correndo demais. Existem escolas e igrejas e é muito perigoso. Não aguentamos mais esse tipo de acidente e, por isso, viemos protestar”, desabafa.

Segundo ela, o fluxo é constante em diversos horários, porém, há picos de maior movimentação. “O pior horário é depois das 16h e durante todo o fim de semana. Nessas horas, fica um movimento enorme aqui. Como não tem lombada, o povo corre mesmo”.

Fátima Benedito Lisboa, 43, mudou-se há menos de um ano para o Parque Jaraguá e já percebeu o tamanho do risco concentrado na via. “Tenho uma filha de 7 anos. Não aguento mais isso. É uma preocupação enorme. Tem carros que passam a 140 km/h. É um absurdo, principalmente porque a quantidade de crianças aqui é muito grande”.

Fora o fato de que há um grande número de crianças circulando pela rua Laudze Garcia Menezes. Segundo apurado, o limite máximo de velocidade na via é de 40 km/h.Segundo os moradores, a periculosidade da rua Laudze Garcia Menezes sempre foi uma grande preocupação. De acordo com Solange da Silva, 43 anos, presidente da associação de moradores do Parque Jaraguá, foram feitos vários pedidos de lombadas ao local. “Faz três anos seguidos que estamos mandando abaixo-assinado e pedindo mais segurança aqui. Mas ninguém faz nada. Pedimos lombada, mas falaram que aqui é uma ‘rua morta’ e que não precisava. Como não precisa? Nessa área, contando aqui e a rodovia, já foram oito mortes este ano”.

A presidente da associação adianta que protestos como o de ontem vão continuar até que uma atitude seja tomada. Para hoje, outra “queima de pneus” está agendada para as 16h na via, em frente a uma igreja no Jardim Eldorado. Apesar do tom sério do protesto, outra moradora ainda se refere ao problema da dengue em Bauru (que o nosso “secretário municipal” de Saúde finge não ver, ou não está nem aí para isso) para mostrar que a ação não terminou ontem. “Se depender da gente, vamos resolver esse problema da dengue também, porque vamos queimar todos os pneus que estão juntando água parada na cidade”, alfinetou Maria Aparecida da Silva.


Solange da Silva, presidente da associação, é ainda mais incisiva ao apontar que, caso algo não seja feito, as ações serão intensificadas. “Se ninguém fizer um obstáculo, nós é que faremos. Se o fogo não resolver, vamos quebrar o asfalto e os carros vão ter que passar mais devagar”, completa, em tom de promessa (está mais do que apoiado!).


Por conta do protesto e das barricadas de fogo feitas na rua Laudze Garcia Menezes ontem, cinco viaturas da Polícia Militar (que deveriam estar atrás de criminosos de colarinho branco, e não do povo que reivindica seus direitos!) e outra unidade do Corpo de Bombeiros ficaram de prontidão no local. A orientação era apenas preventiva. Segundo os bombeiros, além de haver o perigo da propagação do fogo pelo mato e residências nas proximidades, o fato mais preocupante era a extensa fumaça preta originária dos pneus queimados.

O vento carregou todo resíduo para cima, entretanto, o alerta era para uma possível mudança que levaria a fumaça para a rodovia. Com esse fato - que felizmente não ocorreu -, a visibilidade dos motoristas poderia ser prejudicada e novos acidentes poderiam ter ocorrido.

A PM também, de forma preventiva, acompanhou o protesto à distância (se viessem o bicho ia pegar). Como foi apenas uma manifestação pacífica, nenhuma atitude foi tomada pelos policiais (e o medo deles? Isso não conta?).
 
Na noite de ontem, o “presidente” da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli, declarou que será concluído um estudo para analisar os pontos que necessitam de lombadas no local. Todavia, afirmou que “serão pintadas faixas amarelas de sentido duplo na rua” e que vai conversar com o prefeito Rodrigo Agostinho (que deveria deixar de ser bunda-mole e ter ido lá ver pessoalmente a situação da rodovia!) para que “a área seja tratada como prioridade e que seja agilizada a implantação de algumas lombadas na via”.

Em relação aos radares, o presidente da Emdurb disse que a possibilidade é remota, pois “não há essa necessidade”. Durante o protesto de ontem, os moradores também exigiram calçadas, uma vez que elas não existem em nenhuma das margens da via. O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, disse que vai analisar a questão para saber de quem é a responsabilidade.

“Ao longo daquela rua, existem três setores envolvidos: os moradores, que são os particulares; a prefeitura e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Iremos verificar de quem é a responsabilidade em cada parte daquela área para tentar resolver o problema”, informou.

Quiçá houvesse mais manifestações, ocupações, mais confronto com a ordem estabelecida! Assim estaríamos avançados no movimento popular, mas um militante popular não pode esconder seus objetivos. Aprendemos pela dor, na vida política, que ou se é santo, ou se é ladrão, pois não dá para acender uma vela ao santo e outra ao diabo. Todo apoio aos moradores dos bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá e Jardim Eldorado, todo apoio ao povo do  Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá , Jardim Eldorado e região! Venceremos! Para encerrar, citarermos um pensamento, uma “máxima” do marxismo, nas palavras do próprio Marx:

“Os comunistas recusam-se a ocultar suas opiniões e suas intenções. Declaram abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados com a derrubada violenta de toda ordem social existente!”

Violência, isso, violência, aquilo... Democracia não se faz assim.... Tem de ser dentro da lei... blá...blá...blá... Chega!! Chega de hipocrisia! Chega de atacar os pobres quando estes se levantam. Devem reagir com violência sim, nem que para isso seja preciso fazer como fez a galera do Movimento de Libertação dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MLST, que  é um movimento pequeno, mas com muita força, e foi criado a partir de uma dissidência de integrantes do MST, na década de 1990, atuando essencialmente nos estados de Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, quando em 2002, invadiram o Congresso Nacional, a dita“casa do povo”,  e vendo a ação dos quase 500 trabalhadores do movimento, que ao serem barrados pela segurança do congresso resolveram exercer o seu direito de entrar lá na marra, como afirmou o Sr. Aldo Rebelo(PC do B-SP), com a sua boca de caçapa, que “o Partido Comunista do Brasil, que apóia e sempre apoiou a luta dos trabalhadores rurais por suas justas bandeiras, vem a público repudiar os atos de violência e vandalismo perpetrados, na tarde de hoje, na Câmara dos Deputados. Atos dessa natureza --inconseqüentes e irresponsáveis-- se voltam contra o próprio interesse dos trabalhadores e de seus movimentos. Ao mesmo tempo, o PCdoB apresenta sua solidariedade e respaldo ao presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, por suas ações em defesa do Poder Legislativo”  (vai lamber sabâo ,Aldo!), e anida por cima,  foram presos e mais uma vez, se criminalizou o movimento social, sendo que na verdade a pauta do MLST era extensa, e eles tinham uma carta a ser entregue aos deputados, entre as reivindicações o fim da lei que impede a reforma agrária em terras ocupadas. Mas como sabemos, o Congresso, ou melhor, o Chiqueiro Nacional é um lugar “íntegro”, de justiça, de aplicação das leis e deve manter a ordem, ou seja , tem sim que reagir à violência cotidiana, nem que precise arrebentar  com paus e pedras a Câmra Municipal de Bauru e afins, e a falta de direitos!! A classe média critica aqueles que comentem ações “não-civilizadas”, mas que santa hipocrisia, criticar a cidadania daqueles que não têm direitos! O corajoso protesto dos moradores dos bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá e Jardim Eldorado,  é, na verdade, uma reação à condição que vivem milhões de brasileiros da periferia de Bauru, que são tratados como criminosos por serem corajosos e desafiarem de peito aberto a ordem! Ordem da exclusão!