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4 de janeiro de 2012

Parabéns, Peruche! 56 anos de glórias!!

Hoje, a galera do Boteco do Valente bate palmas para os 56 anos de sucesso da G.R.C.SE.S Unidos do Peruche, que é uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade de São Paulo, criada na década de 50, a partir de um grupo de amigos que participavam da escola de samba Lavapés. Peruche, a "filial do samba", possui em seu pavilhão as mesmas cores da bandeira do Brasil,tendo em seu simbolo a constelação do Cruzeiro do Sul e sendo o seu mascote o Peruchinho, que nada mais é do que um sambista vestido com a roupagem da corte real de antigamente, tocando um tamborim.

Hoje aniversário da nossa tradicional e guerreira Unidos do Peruche, muitos anos de muito amor ao samba brasileiro, que o seu sonho esse ano seja concretizado no Anhembi que é a volta ao Grupo Especial, de onde você nunca deveria ter saido, vamos com garra comunidade depende só de nós defender as cores do nosso pavilhão com muita garra e paixão, hoje a nossa escola precisa de todos nós mais do que nunca!


A Peruche tornou-se vice-campeã de 1968 à 1971 e também em 1989 e 1990. Mas um dos desfiles que mais marcaram a escola foi o de 1988, quando a escola, numa apresentação luxuosa com carros alegóricos gigantescos para os padrões paulistanos da época, contou com dois grandes intérpretes puxando seu samba: Jamelão e Eliana de Lima.

Entre os fundadores da Peruche estavam João Cândido da Silva, conhecido como Cachimbo e Carlos Alberto Caetano, conhecido como Carlão, que junto com alguns amigos sambistas, decidiram fundar um bloco de foliões no Parque Peruche. Surge então a Sociedade Esportiva Recreativa Beneficente Unidos do Parque Peruche, que possuía de início uma quadra para realização de seus ensaios no local chamado "Terreiro do Caqui". Nessa época, muitos sambistas da região desfilavam também em outras escolas cordões, tais como Rosas Negras, Garotos do Itaim, Campos Elíseos e Paulistano da Glória.

Os times de futebol da região como o Monte Azul, Ponte Preta do Morro e Estrela do Sul, ajudavam a escola emprestando seus instrumentos. Mesmo assim, eram insuficientes para o tamanho da Peruche, que crescia cada vez mais. A Peruche começou a desfilar pela Categoria II(atual Grupo de Acesso), tendo aproximadamente 300 componentes. Em 1960 passou a desfilar pela Categoria I (atual Grupo Especial). De 1960 à 1963 foi vice-campeã e de 1965 à 1967 alcançou o título de campeã do carnaval, quando ainda não havia um desfile oficial e organizado em São Paulo.

Até essa época, o Clube dos Lojistas da Lapa colaborava com a escola, mas a partir de 1967, quando a prefeitura oficializou os desfiles, a escola perdeu o apoio do clube e começou a encontrar dificuldades. Nesse mesmo período, a Peruche começou a ensaiar na Rua Zilda, uma vez que havia vendido seu terreno. Algum tempo depois, a entidade comprou um pequeno imóvel, situado na antiga Rua C. Sendo impossível ensaiar em um espaço tão pequeno, adquiriram a quarta quadra, um terreno no Morro do Chapéu que mais tarde foi vendido, para poderem adquirir o espaço onde se encontra a atual quadra da escola, no Limão.

Hino Oficial, do compositor B. Lobo

Chegou a filial do samba
Aqui ninguém é bamba
Mas tem um ideal
É incentivar a genuína melodia nacional
Vem ver as cabrochas faceiras
gingando na ponta do pé
Vem ouvir a cadencia do nosso batuque como é
Verde, amarelo e azul da cor de anil
Da cor de anil
Peruche tem as cores do Brasil.

Samba Exaltação , do compositor CARLÃO DO PERUCHE

Quando o repicar dos tamborins
anunciar é carnaval, carnaval, carnaval
e a nossa escola querida
descendo a Rua Zilda
num cortejo magistral
e a nossa comunidade
como uma irmandade
exaltando um feito sensacional
Peruche é, não leve a mal
a grande campeã do carnaval
lá, lá, lá, lá, laia... ôô ôô
lá, lá, lá, lá, laia... ôô ôô.

Parabéns Peruche obrigado por existir na minha vida e de todos os que te amam de paixão!

29 de abril de 2011

1º de Maio – Dia Mundial do Trabalhador

“A história do Primeiro de Maio mostra, portanto, que se trata de um dia de luto e de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mais também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade.” 
 Perseu Abramo

O Dia Mundial do Trabalhador foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.

Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.

Chicago, maio de 1886: o retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos diretamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extração da mais-valia, através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.

Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.

Como já se tornou praxe, os jornais patronais (que não serviam nem para se limpar)  chamavam os líderes operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.

No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.

Os oradores se revezavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação o pau cantou e  um grupo de 180 policiais , um verdadeiro gesto de selvageria, atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.

A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se “Estado de Sítio” e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.

A justiça (sabemos a justiça...) burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas (uma tremenda baixaria!). A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.

Spies fez a sua última defesa:

"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"

Parsons também fez um discurso:

"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão".

Fez um relato da ação dos trabalhadores, desmascarando a farsa dos patrões com minúcias e falou de seus ideais:

"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objetivo do socialismo".


Mártires de Chicago
 Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, Lingg (no meio) suicidou-se na prisão
No dia 11 de novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se. Seis anos depois, o governo de Illinois (se borrando todo de medo da reação dos valentes operários, que já estavam até as tampas de tanta safadeza!), pressionado pelas ondas de protesto contra a iniqüidade do processo, anulou a sentença e libertou os três sobreviventes.

Em 1888 quando a AFL realizou o seu congresso, surgiu a proposta para realizar nova greve geral em 1º de maio de 1890, a fim de se estender a jornada de 8 horas às zonas que ainda não haviam conquistado.

No centenário do início da Revolução Francesa, em 14 de julho de 1889, reuniu-se em Paris um congresso operário marxista. Os delegados representavam três milhões de trabalhadores. Esse congresso marca a fundação da Segunda Internacional. Nele Herr Marx expulsou os anarquistas, cortou o braço esquerdo do movimento operário num momento em que a concordância entre todos os socialistas, comunistas e anarquistas residia na meta: chegada a uma sociedade sem classes, sem exploração, justa, fraterna e feliz. Os meios a empregar-se para atingir aquele objetivo constituíam os principais pontos de discordância: Herr Marx, com toda a sua genialidade incontestável, levou adiante a tese de que somente através de uma “Ditadura do Proletariado” se poderia ter os meios necessários à abolição da sociedade de classes, da exploração do homem pelo homem. Mikhail Bakunin, radical libertário, contrapondo-se a Marx, criou a nova máxima: “Não se chega à Luz através das Trevas.” Segundo o Anarquista russo, deve-se buscar uma sociedade feliz, sem classes, sem exploração e sem “ditadura” intermediária de espécie alguma! A tendência majoritária do Congresso ficou em torno de Herr Marx e os Anarquistas foram, vale repetir, expulsos. Muitos têm apontado nesta ruptura de 1890 os motivos do fracasso do socialismo dito “real”: enfatizou-se mais do que o necessário a questão da “ditadura” e o “proletariado” acabou esquecido. A própria China de hoje (2004) é disso exemplo: uma pequenina casta de empresários lidera ditatorialmente uma nação equalizada à força aproximando perigosamente aquela tendência do neoliberalismo...

Fechando este parêntese que já vai longo, voltemos à reunião do Congresso Operário de 1890: na hora da votar as resoluções, o belga Raymond Lavigne encaminhou uma proposta de organizar uma grande manifestação internacional, ao mesmo tempo, com data fixa, em todas os países e cidades pela redução da jornada de trabalho para 8 horas e aplicação de outras resoluções do Congresso Internacional. Como nos Estados Unidos já havia sido marcada para o dia 1º de maio de 1890 uma manifestação similar, manteve-se o dia para todos os países.

No segundo Congresso da Segunda Internacional em Bruxelas, de 16 a 23 de setembro de 1891, foi feito um balanço do movimento de 1890 e no final desse encontro foi aprovada a resolução histórica: tornar o 1º de maio como "um dia de festa dos trabalhadores de todos os países, durante o qual os trabalhadores devem manifestar os objetivos comuns de suas reivindicações, bem como sua solidariedade".

Como vemos, a greve de 1º de maio de 1886 em Chicago, nos Estados Unidos, não foi um fato histórico isolado na luta dos trabalhadores, ela representou o desenrolar de um longo processo de luta em várias partes do mundo que, já no século XIX, acumulavam várias experiências no campo do enfrentamento entre o capital (trabalho morto apropriado por poucos) versus trabalho (seres humanos vivos, que amam, desejam, constroem e sonham!).

O incipiente movimento operário que nascera com a revolução industrial, começava a atentar para a importância da internacionalização da luta dos trabalhadores. O próprio massacre ao movimento grevista de Chicago não foi o primeiro, mas passou a simbolizar a luta pela igualdade, pelo fim da exploração e das injustiças.

Muitos foram os que tombaram na luta por mundo melhor, do massacre de Chicago aos dias de hoje, um longo caminho de lutas históricas foi percorrido. Os tempos atuais são difíceis para os trabalhadores, a nova revolução tecnológica criou uma instabilidade maior, jornadas mais longas com salários mais baixos, cresceu o número de seres humanos capazes de trabalhar, porém para a nova ordem eles são descartáveis. Essa é a modernidade neoliberal, a realidade do século que iniciamos, a distância parece pequena em comparação com a infância do capitalismo, parecemos muito mais próximos dela do que da pseudo racionalidade neoliberal, que muitos ideólogos querem fazer crer.

A realidade nos mostra a face cruel do capital, a produção capitalista continua a fazer apelo ao trabalho infantil, somente na Ásia, seriam 146 milhões nas fábricas, e segundo as Nações Unidas, um milhão de crianças são lançadas no comércio sexual a cada ano!

A situação da classe trabalhadora não é fácil; nesse período houve avanços, mas a nova revolução tecnológica do final do século XX trouxe à tona novamente questões que pareciam adormecidas. Tal qual no final do século XIX, a redução da jornada de trabalho é a principal bandeira do movimento sindical brasileiro; na outra ponta uma sucessão de governos neoliberais (Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso) fazem o inimaginável pela supressão de direitos trabalhistas conquistados a duras penas ao longo dos anos (13º salário, direito a férias remuneradas, multa de 40% por rompimento de contrato de trabalho, Licença Maternidade, etc.) ampliando as dificuldades ao trabalho, principalmente face a uma crise de desemprego crescente, e simplificando cada vez mais a vida da camada patronal. Neste sentido, naturalmente, a reflexão das lutas históricas passadas torna-se essencialmente importante, como aprendizagem para as lutas atuais.

O Dia do Trabalhador no Brasil

No Brasil, como não poderia deixar de ser, as comemorações do 1º de maio também estão relacionadas à luta pela redução da jornada de trabalho. A primeira celebração da data de que se tem registro ocorreu em Santos, em 1895, por iniciativa do Centro Socialista, entidade fundada em 1889 por militantes políticos como Silvério Fontes, Sóter Araújo e Carlos Escobar. A data foi consolidada como o Dia dos Trabalhadores em 1925, quando o presidente Artur Bernardes baixou um decreto instituindo o 1º de maio como feriado nacional. Desde então, comícios, pequenas passeatas, festas comemorativas, piqueniques, shows, desfiles e apresentações teatrais ocorrem por todo o país.

Com Getúlio Vargas – que governou o Brasil como chefe  (de que país, cara-pálida?) e ditador por 15 anos e como presidente eleito por mais quatro – o 1º de maio ganhou status de “dia oficial” do trabalhador. Era nessa data que o governante anunciava as principais leis e iniciativas que atendiam as reivindicações dos trabalhadores, como a instituição e, depois, o reajuste anual do salário mínimo ou a redução de jornada de trabalho para oito horas. Vargas criou o Ministério do Trabalho, promoveu uma política de atrelamento dos sindicatos ao Estado, regulamentou o trabalho da mulher e do menor, promulgou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garantindo o direito a férias e aposentadoria.

Na Constituição de 1988, promulgada no contexto da distensão e redemocratização do Brasil após a ditadura militar (que perseguiu e colocou no mesmo balaio liberais, comunistas e cristãos progressistas), apesar de termos 80% dos tópicos defendendo a propriedade e meros 20% defendendo a vida humana e a felicidade, conseguiu-se uma série de avanços – hoje colocados em questão – como as Férias Remuneradas, o 13º salário, multa de 40% por rompimento de contrato de trabalho, Licença Maternidade, previsão de um salário mínimo capaz de suprir todas as necessidades existenciais, de saúde e lazer das famílias de trabalhadores, etc.

A luta de hoje, como a luta de sempre, por parte dos trabalhadores, reside em manter todos os direitos constitucionais adquiridos e buscar mais avanços na direção da felicidade do ser humano.

Meu Maio

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua – Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.

Sou operário – Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –  Eis o maio que eu quero!
Sou terra – O maio é minha era!

(Vladimir Maiakovski)
 

4 de março de 2011

Definição Universal, Física e Espiritual de Mulher

Há quem diga que as mulheres sâo o sexo frágil (que lorota mais á toa!). Na concepção do Boteco do Valente, essa definição de mulher não corresponde com a realidade. As mulheres são obras-primas de qualidade inestimável, pois Deus quando criou-as, criou a sua imagem e semelhança conforme verso bíblico mencionado supra. E como pode um ser que foi criado à imagem e semelhança de Deus ser frágil?  A mulher tem capacidade de administrar, executar, delegar e cobrar os afazeres pertinentes a ela. Desempenham o papel primordial na família que é edificar o lar. Se a mulher for tola destrói, e se for sábia edifica o lar. Isto implica dizer que o sucesso da família, bem como de toda e qualquer atividade, pessoal ou profissional, depende da sabedoria da mulher.

Importante frisar que, o dia criado para comemorar o dia da mulher surgiu devido às constantes manifestações das mulheres por condições melhores de trabalho. E esta foi proposta no inicio do século XX no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorreu a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria.  Um dos protestos que merecem destaque na historia foi o de 1908 em Nova York, onde 15.000,00 mulheres marcharam pelas ruas da cidade exigindo melhores condições no trabalho como a redução da carga horária, melhor salário e o direito ao voto. Em decorrência deste acontecimento, em 28 de fevereiro de 1909 foi celebrado o primeiro Dia Internacional da Mulher nos Estados Unidos da América.

A socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de um dia Internacional da Mulher, que foi aprovada em 1910 na 1ª Conferência Internacional das mulheres em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista. No ano seguinte à Conferência, no dia 19 de março foi comemorado o primeiro Dia Internacional das mulheres na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

Seis dias depois à comemoração supra, ocorreu um grande incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist que mataram 146 trabalhadoras, a maioria costureiras. O fato ocorreu devido às péssimas condições de segurança do edifício. Este sinistro incendiário foi o considerado o pior da história de Nova York até 11 de setembro de 2001. Para a socióloga brasileira Eva Blay este foi o marco que deu origem ao Dia Internacional da Mulher.

A mulher tem lutado pelo reconhecimento do seu espaço e de sua importância na sociedade ao longo dos anos. Já conquistaram diversas vitórias e derrubaram inúmeras barreiras. Sendo que hodiernamente, mulheres comandam grandes empresas, como empresárias, administradoras, advogadas, juízas, motoristas de ônibus/táxi’s... Enfim, com muita garra, força e determinação, conseguiram mostrar ao mundo que além de boas esposas, mães, donas de casa, podem ser excelentes profissionais no mercado de trabalho.

Estudiosos, cientistas e psicólogos têm admitido que em determinadas funções de chefia, a mulher é melhor que o homem, vez que ela é dedicada, organizada, sabe ouvir/aconselhar funcionários, utiliza a emoção (coração) e a razão nas decisões importantes da empresa,  e é por essas e outras razões que a partir de agora, o Boteco do Valente vai contar pra você uma pequena historinha que explica a importãncia desse ser magnífico nas nossas vidas:


Quando Deus fez a Mulher, Ele estava no sexto dia, trabalhando até depois do expediente. Um anjo apareceu e disse: "Por que Você está gastando tanto tempo fazendo isso? " E o Senhor respondeu: "Você viu a planilha de especificações técnicas dela? Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico, ter mais de 200 partes móveis, todas intercambiáveis, funcionar com coca-cola diet, ter um colo que pode acolher criança, ter um beijo que pode curar qualquer coisa desde um joelho arranhado até um coração partido e ter dois pares de mãos."

O anjo ficou impressionado com as exigências. "Dois pares de mãos!!!" Não tem jeito! E isso é só o modelo básico? Isso é demais para um dia só de trabalho, deixe para terminar amanhã." "Não vou fazer isso", protestou o Senhor. "Estou tão perto de terminar esta criação, e está tão perto do meu coração! Ela até cura a si mesma quando está doente e é capaz de trabalhar 18 horas por dia, quando está obstinada."

O anjo se aproximou e tocou a Mulher. "Mas você a fez tão frágil, Senhor!"  "Ela é frágil sim," o Senhor concordou, "mas eu também a fiz resistente. Você não tem idéia do que ela é capaz de suportar ou conquistar" "E ela será capaz de pensar?", perguntou o anjo.

O Senhor respondeu: "Não só será capaz de pensar, como de argumentar e negociar." O anjo viu alguma coisa, e, estendendo a mão, tocou a face da Mulher. "Oh, parece que tem um vazamento nesse modelo. Eu disse que Você estava tentando colocar coisa demais nela."

"Isso não é um vazamento," corrigiu o Senhor, " é uma lágrima!"  E para que serve lágrima?" perguntou o anjo. O Senhor disse, "A lágrima é sua maneira de expressar alegria, tristeza, dor, desapontamento, amor, solidão, luto e orgulho."

Ai foi o anjo que passou a ficar emocionado. "Você é um gênio, Senhor! Pensou em tudo! Mulher é realmente impressionante!" "Sim! Mulheres têm forças que impressionam os homens. Elas suportam dificuldades e carregam fardos, mas mantêm a alegria, amor e o contentamento. Elas sorriem quando querem gritar. Cantam quando querem chorar. Choram quando estão felizes e riem quando estão nervosas. Lutam por aquilo que acreditam. Erguem-se contra a injustiça. Não aceitam "não" como resposta quando acreditam que há uma solução melhor. Acompanham um amigo assustado ao médico, só pela amizade. Amam incondicionalmente. Choram quando seus filhos se destacam e rejubilam-se quando seus amigos são premiados. Ficam felizes quando ouvem sobre um nascimento ou um casamento. Seus corações se partem quando um amigo morre. Elas se enlutam pela perda de um membro da família, no entanto são fortes quando se pensa que não há mais força. Sabem que um abraço e um beijo pode ajudar a curar um coração partido.

Mulheres vêm em todos os tamanhos, cores e formas. Elas vão dirigir carros, pilotar aviões, andar, correr ou mandar e-mails para mostrar o quanto elas se importam com as pessoas. O coração de uma mulher é o que faz o mundo continuar girando! Elas trazem alegria e esperança. Têm compaixão, idéias e ideais. Dão apoio moral a seus amigos e familiares. Têm coisas vitais a dizer e tudo a dar.

Texto dedicado a todas as mulheres que convivem direta e indiretamente na minha vida... só para lembrá-las do quão são admiráveis (pelo menos para mim), porque, se há um defeito nas mulheres, é que tendem a esquecer de si mesmas. E aos cuecas também,é lógico, para que nunca se esqueçam do valor que todas as MULHERES possuem... apenas para citar algumas:
- Sra. Aparecida Célia Custódio Florêncio (minha amada e estimada genitora,agradeço inifinitamente ao bom Deus por eu ser o que sou hoje, graças ao seu imenso amor e carinho dedicados a mim e a todos os que te procuram, a sua benção. mãe!);
- Sra.Orminda Antonio (in memorian - minha amada avozinha e madrinha - Dinda, como eu tem chamava quando eu era menino, mais viva do que nunca em meu coração);
- Sra. A.S. /Sec.Municipal do Bem Estar Social, Darlene Martin Tendolo (minha grande amiga pessoal e chefe dentro da Sebes - ops, tem um monte de mulherada que trampa lá comigo!-, saúde, raça e muita alegria pra você e sua genitora, por mim bastante estimada, a sua benção, Dona Zenaide!, hehehehe);
- Sra. Estela Alexandre Almagro - vice-prefeita municipal de Bauru (aquele abraço);
- Sra. Tatiana Calmon e todas as mulheres lá do SINFERRO (a luta não pára);
- Toda a mulherada do PCdoB-Bauru (ó a luta pegando fogo, parar não dá, o Socialismo tá perto !);
- Mulherada da Cohab IX de Julho (meu amado lar - e região - grandes guerreiras, que fazem o couro comer quando preciso!;
- Ana Paula Dionizio Lima (minha prima - muita calma nessa hora!);
- Sra. Elis Angela dos Anjos (minha coordenadora do curso de Administração da Faculdade Anhanguera (bem como todas as colaboradoras, funcionárias e docentes de lá!) - Unidade Norte de Bauru - eu que o diga, com tantos números pra somar, hehe);
- Sra Aparecida Florencio - outra tia muito querida de minha parte!;
Sra. Ana Luiza - minha cunhada, pra casa de quem eu corro, quando quero sossego para a minha cabeça;
Sra Nadir Custódio Genebra - minha tia lá do Bauru XVI;
Mulherada dos dois lados da minha família - valeu a força!;
E a todas aquelas que eu não citei, os meus mais sinceros votos de um feliz Dia Interncional da Mulher!

14 de maio de 2010

Dia do Assistente Social - 15 de Maio



Com vocês a LOAS, Lei Orgãnica  da Assistência Social, como forma de Homenagem ao Dia do Assistente Social (amanhã, 15 de maio)::

Como surgiu o Dia do Assistente Social?
O mês de maio traz data muito especial para os Assistentes Sociais: o dia 15, quando se comemora o seu dia 15, quando se comemora o seu dia e marca a profissão desde o seu nascimento. Em 15 de maio de 1891, o Papa Leão XIII publicava a Encíclica "Rerum Novarum", apresentando ao mundo católico os fundamentos e as diretrizes da Doutrina Social da Igreja. Era a primeira Encíclica Social já escrita por um Papa e, arcava o posicionamento da Igreja frente aos Graves problemas sociais que dominavam as sociedades européias. Para os assistentes sociais europeus, a Encíclica publicada naquele dia 15 de maio, trazia um conteúdo muito especial. Atônitos frente à complexidade dos problemas existentes e teoricamente fragilizados em conseqüência de sua formação ainda bastante precária, aqueles profissionais assumiam o documento e os ensinamentos ali contidos, como base fundamental de seu trabalho. E desse modo se aproximavam cada vez mais da Igreja Católica européia que. por sua vez, assumia progressivamente a sua liderança sobre o enfoque das práticas sociais daqueles profissionais.

No Brasil, o Serviço Social foi criado em 1936, a partir das iniciativas dos grandes líderes da Igreja Católica no País, inspirados na Doutrina Social da Igreja então enriquecida por uma nova Encíclica Social: a "Quadragésimo Ano" redigida pelo Papa Pio XI e publicada no dia 15 de maio de 1931 em comemoração aos quarenta anos da Rerum Novarum. E, desse modo, gestada no seio da prática da "Ação Social Católica", ou simplesmente "Ação Católica" - no Brasil a profissão cresceu sob a liderança da Igreja e, até o início dos anos 60, recebeu a influência direta e decisiva da sua "Doutrina Social".




Mas, o fato de sabermos que o dia "15 de maio" é uma homenagem à publicação da "Rerum Novarum" - documento que embalou a profissão em berço e lhe sustentou a vida - não esgota o assunto em pauta. Quem determinou que assim o fosse? É uma data comemorada apenas por assistentes sociais brasileiros? Estas são algumas perguntas que na literatura encontrada, bem como nos contatos estabelecidos na fase preparatória desse artigo, não responderam a estas indagações. Cabe, portanto, aos assistentes sociais interessados na história profissional, se embrenhem pelos caminhos da pesquisa em busca dessas respostas e de outras relativas ao tema. Cabe as assistentes sociais, conhecer o passado e construir a memória da sua profissão.

Bacharelado



É o planejamento e a execução de políticas públicas e de programas sociais voltados para o bem-estar coletivo e para a integração do indivíduo na sociedade. O assistente social trabalha com a questão da exclusão social, acompanhando, analisando e propondo ações para melhorar as condições de vida de crianças, adolescentes e adultos.

Cria campanhas de alimentação, saúde, educação e recreação e implanta projetos assistenciais. Em penitenciárias e abrigos de menores, propõe ações e desenvolve a capacitação para a reintegração dos marginalizados.  Em órgãos públicos, formula projetos e políticas que atendam os segmentos excluídos da sociedade. Em empresas, realiza campanhas de segurança no trabalho e acompanha funcionários nas questões de saúde, finanças, sociais e familiares. É obrigatória a inscrição no Conselho Regional de Assistentes Sociais para o exercício da profissão.

MERCADO DE TRABALHO


Nos últimos anos, a demanda por bacharéis nessa área tem crescido. Há cerca de 74 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Serviço Social. Segundo a entidade, o setor que mais emprega é o de saúde, especialmente em órgãos públicos.  Por isso, a maioria dos profissionais presta concurso. No eixo Rio-São Paulo, os salários costumam ser maiores e há mais oportunidades de trabalho, tanto no setor público quanto em ONGs, escolas, penitenciárias e centros de ressocialização, fundações, centros comunitários e empresas privadas em geral. Há boa procura nas áreas de educação, apoio às minorias e combate às desigualdades sociais. A expansão no número de cursos de Serviço Social deve abrir vagas também para quem pretende seguir carreira acadêmica, mas para isso é necessário fazer pós-graduação.

O CURSO


Todo o conteúdo é voltado a dar base para o aluno compreender e analisar a realidade social numa perspectiva histórica, crítica e propositiva. O principal objetivo do curso é formar um profissional capaz de criar e implementar programas cuja finalidade seja a transformação social. Para isso, a grade curricular inclui muita sociologia, teoria política, filosofi a e economia, além de conteúdos vinculados à formação da sociedade brasileira, como políticas e movimentos sociais, trabalho e sociabilidade, relações de gênero, étnicas e raciais.

Desde o início, o estudante realiza trabalhos de campo em comunidades e em diversos espaços institucionais e sociais, como sindicatos, escolas, creches, ONGs e cooperativas. O estágio supervisionado é obrigatório.


O QUE FAZ UMA ASSISTENTE SOCIAL?


Assistência à criança e ao adolescente

Desenvolve e implanta projetos de apoio à educação e acompanhamento de crianças e jovens carentes. Na Justiça, nas varas de família, deve acompanhar os processos que envolvem crianças e adolescentes em situação de risco social, de adoção e de disputa de guarda.

Empresas


Organiza e executa programas educativos de saúde, lazer e segurança no trabalho.

Saúde


Participa de campanhas públicas de prevenção de doenças endêmicas e epidêmicas e do combate ao alcoolismo e às drogas. Presta assistência a pacientes e seus familiares.

Educação


Cria e implementa programas de bolsa de estudo e auxílio financeiro, assim como selecionar os estudantes beneficiários.

Duração média

Quatro anos.


HISTÓRIA DO SERVIÇO SOCIAL
É provável que, no Brasil, o Serviço Social tenha nascido durante a Primeira Guerra Mundial. Nessa época, imigrantes de várias colônias, em especial as da Itália, da França e dos Estados Unidos, realizavam festas beneficentes destinadas a enviar ajuda às vítimas do conflito e aos exércitos de seus países.  Em São Paulo, uma quermesse promovida pela colônia italiana arrecadou fundos para a ampliação do hospital Humberto I. Talvez tenham sido essas as sementes de um trabalho que só na década de 40, durante o Estado Novo, se transformaria em profissão, graças às leis trabalhistas que incorporaram o Serviço Social como política do governo Getúlio Vargas. Com o desenvolvimento da atividade industrial e a expansão da classe operária, as desigualdades sociais ganharam visibilidade e passaram a exigir maior atenção do Estado.


Surgiram, então, as políticas de bem-estar social que buscavam suprir as necessidades do trabalhador em áreas de saúde e educação. Associar o trabalho de assistência social a atividades filantrópicas é um erro. Trata-se de uma profissão que, mais do que assistencialismo, exige conhecimentos em várias áreas das Ciências Sociais, sobretudo quando se deseja implantar programas e políticas sociais nas empresas.

A bagagem para contornar os mais diversos problemas vem de um currículo que contempla várias áreas do conhecimento. Além de disciplinas básicas, como filosofia, psicologia, sociologia, direito e legislação social, estudam-se matérias mais específicas - teoria do serviço social, política social, administração em serviço social, ética e planejamento.

Quem escolhe essa carreira deve estar preparado para encarar a dura realidade de um país com tantas desigualdades sociais como é o nosso. Crianças abandonadas, mendigos ao relento, doentes em busca de uma vaga num leito hospitalar, idosos na fila da previdência social, consumo de drogas, alcoolismo - a lista dos desafios a enfrentar é enorme.

Aplicando seus conhecimentos de psicologia, antropologia, Economia, o assistente social procura apontar soluções para as mazelas sociais e orientar os cidadãos sobre os seus direitos.

O trabalho costuma ser feito junto a outros profissionais - médicos, advogados, psicólogos ou educadores, numa ação multidisciplinar, em atividades ligadas a setores como habitação, previdência, saúde e saneamento básico.

O Estado é o principal empregador. Contratados por órgãos governamentais, os profissionais vão trabalhar em prefeituras, escolas, creches, hospitais, penitenciárias, varas de justiça da criança e da família, além de outros serviços comunitários.

Nas empresas privadas, o campo de ação é mais restrito, embora já estejam surgindo assistentes sociais na área de recursos humanos, para a seleção e treinamento de pessoal, benefícios e acidentes do trabalho.






Perfil do profissional



O curso oferece formação que facilita ao profissional atuar nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da sociedade civil e de movimentos sociais, além de oferecer uma formação intelectual e cultural generalista crítica, competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho.

Mercado de trabalho


O profissional é contratado por prefeituras, associações, entidades assistenciais e de apoio à luta por direitos.

A sua atuação abrange os sistemas judiciário e prisional, os sistemas de saúde e previdenciário, empresas, sindicatos, ONGs, centros comunitários, escolas, fundações, universidades, centros de pesquisa e assessorias.


DÚVIDAS SOBRE A PROFISSÃO

O que é o Serviço Social?

O Serviço Social é uma profissão de nível superior e pode ser exercida somente por profissionais diplomados em instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC) e devidamente registrados no Conselho Regional de Serviço Social (CRESS). A pessoa que se forma no curso de Serviço Social é denominada de assistente social.

Quando surgiu o Serviço Social no Brasil?

O Serviço Social surgiu a partir dos anos 1930, quando se iniciou o processo de industrialização e urbanização no país. A emergência da profissão encontra-se relacionada à articulação dos poderes dominantes (burguesia industrial, oligarquias cafeeiras, Igreja Católica e Estado varguista) à época, com o objetivo de controlar as insatisfações populares e frear qualquer possibilidade de avanço do comunismo no país. O ensino de Serviço Social foi reconhecido em 1953 e a profissão foi regulamentada em 1957 com a lei 3252.

A profissão manteve um viés conservador, de controle da classe trabalhadora, desde seu surgimento até a década de 1970. Com as lutas contra a ditadura e pelo acesso a melhores condições de vida da classe trabalhadora, no final dos anos 1970 e ao longo dos anos de 1980, o Serviço Social também experimentou novas influências: a partir de então, a profissão vem negando seu histórico de conservadorismo e afirma um projeto profissional comprometido com a democracia e com o acesso universal aos direitos sociais, civis e políticos (cf., dentre outros, Iamamoto e Carvalho, 1995; Netto, 1996; Pereira, 2008).

O que faz um assistente social?

De acordo com a lei 8662/93, que regulamenta a profissão de Serviço Social, em seu artigo 4º, constituem competências do assistente social:

I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;

II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil;


III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população;


IV - (Vetado);


V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;


VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais;


VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais;

VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo;

IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;

X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social;


XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.

Já o art. 5º da referida lei aponta as atribuições privativas do assistente social. Ou seja, somente o profissional de Serviço Social pode executar tais atribuições. São elas:

I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social;

II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social;

III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social;

IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social;

V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular;

VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social;

VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação;

VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social;

IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social;

X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social;


XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;

XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas;

XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional.

Quais são os espaços ocupacionais em que o assistente social pode trabalhar?

O profissional de Serviço Social pode atuar em instituições públicas federais, estaduais e municipais. Geralmente, a contratação ocorre, de acordo com preceitos constitucionais, através de concurso público. Contudo, nos anos 1990, com as inúmeras terceirizações no serviço público – como forma de precarizar o trabalho e reduzir custos – assistimos a formas diversas de contratação dos profissionais, através de cooperativas, “bolsas”, etc.


Outro espaço ocupacional é o setor privado, em empresas e Organizações Não-Governamentais (ONG’s). Nestes, a contratação ocorre através de seleções.

Quais são os principais campos de atuação do assistente social?


O maior campo de atuação do Serviço Social é a Saúde. Outros campos também são bastante expressivos, como o campo Sócio-Jurídico e a Assistência Social. Temos ainda o campo da Educação, Habitação e Empresarial. O Meio Ambiente ainda é um campo pouco explorado em nossa área.

Qual é a legislação básica que deve orientar a ação profissional do assistente social?

O assistente social deve orientar-se pela lei que regulamenta a profissão de Serviço Social (Lei 8662, de 7 de Junho de 1993, que dispõe sobre a profissão e dá outras providências) e pelo Código de Ética Profissional.

É imprescindível ainda o conhecimento da legislação social em vigor, de acordo com o campo de atuação do profissional (Saúde, Assistência Social, Previdência, Habitação, Educação, etc). Contudo, o estudo dos direitos sociais afirmados pela Constituição Federal de 1988 é um requisito básico, bem como as leis orgânicas que regulamentam a Carta Constitucional.

O Portal do Serviço Social disponibiliza os links para a legislação social largamente utilizada pelos profissionais de Serviço Social.

Há um Código de Ética do Assistente Social?

Sim. O Serviço Social já teve diversos Códigos de Ética (1947, 1965, 1975 e 1993) que expressam os diferentes momentos vivenciados pela profissão (cf. Barroco, 2001 e Forti, 2005). O Código de Ética atual afirma os princípios fundamentais da profissão e dispõe sobre direitos e deveres do profissional, bem como dos parâmetros éticos nas relações com usuários, outros profissionais, com a Justiça, com Empregadores, dentre outros.


O Código de Ética deve ser conhecido e respeitado por todo profissional em exercício, bem como pelos estudantes de Serviço Social. A fiscalização quanto ao cumprimento dos deveres profissionais cabe aos CRESS.


Quais são as entidades da categoria e quais são as suas funções?

A categoria dos assistentes sociais conta com três entidades representativas:

A) Conjunto formado pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e pelos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS): regulamentado pela Lei 8.662/93 e objetiva disciplinar e defender o exercício da profissão de assistente social em todo o território nacional. Os CRESS são responsáveis pela fiscalização quanto ao cumprimento dos deveres dos profissionais registrados e obedecem à Política Nacional de Fiscalização do conjunto.

Anualmente há uma reunião do conjunto para a tomada de diversas deliberações relativas a ações da categoria profissional. As decisões podem ser acessadas nos relatórios dos Encontros Nacionais.


Para saber mais sobre o histórico do conjunto CFESS/CRESS.


B) Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS): criada em 1946, denominada então de Associação Brasileira de Escolas de Serviço Social (ABESS) e formada por três unidades de ensino preocupadas com a formação profissional em Serviço Social, que ainda engatinhava. Em 1998 passou a denominar-se ABEPSS, incorporando a dimensão de pesquisa (e não somente de ensino) em suas preocupações.



A ABEPSS é uma entidade civil de âmbito nacional sem fins lucrativos, com foro jurídico em Brasília, mas sua sede é itinerante, a cada dois anos, conforme mudança da Diretoria. É constituída pelas Unidades de Ensino de Serviço Social, por sócios institucionais colaboradores e por sócios individuais. Cabe ressaltar que nem todas as Unidades de Ensino de Serviço Social são filiadas à ABEPSS: portanto, a filiação depende de uma opção acadêmico-política, isto é, de identificação com as finalidades da ABEPSS.



O seu principal objetivo tem sido o de assegurar a direção político-pedagógica impressa nas Diretrizes Curriculares de 1996, essencial para possibilitar a formação de profissionais críticos e competentes.


A ABEPSS realiza, a cada dois anos, o Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social (ENPESS). O último ocorreu em dezembro de 2008, em São Luis do Maranhão, e, o próximo, está previsto para 2010.


C) Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social (ENESSO): É a instância representativa dos estudantes de Serviço Social em âmbito nacional e concentra-se em questões como a qualidade da formação profissional, os rumos da universidade brasileira, dentre outras. A ENESSO, além dos representantes nacionais, possui coordenações regionais. Realiza, anualmente, o Encontro Nacional dos Estudantes de Serviço Social, quando elege sua Diretoria (nacional e regional) e estabelece as diretrizes de trabalho para o ano seguinte.

O Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS) é organizado pelas três entidades e ocorre a cada três anos. O último CBAS – o XII - foi realizado em 2007, em Foz do Iguaçu (Pr) e, o próximo, está previsto para 2010.

Quais os símbolos do Serviço Social e o que eles significam?


Turmalina Verde


Pedra Brasileira singela por excelência, ninguém procura falsificá-la. Simboliza a esperança e a sinceridade.


Estrela dos Reis Magos

Lembra num mesmo facho, a suprema caridade do redentar e o elevado ideal dos Reis Magos que, segundo e na renúncia dos próprios bens e comodidade encontrou a LUZ. Simboliza o espírito de fraternidade universal e de sacrifício pelo bem dos homens.

Balança com a Tocha


Exprime o caráter da justiça social; mais moral que jurídica, à punição do que erro, preferindo a redenção. Simboliza que pelo amor e pela verdade tudo pode ser removido.

O que é preciso para atuar como um Assistente Social?

Para exercer a profissão de Serviço Social é necessário concluir a graduação em Serviço Social em unidade de ensino cujo curso tenha sido oficialmente reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e proceder à inscrição no Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) de sua região.

Caso você encontre alguém intitulando-se assistente social sem a devida formação, é necessário que faça uma denúncia ao CRESS, pois o Serviço Social, infelizmente, ainda é muito utilizado para práticas clientelistas, assistencialistas e eleitoreiras. O assistente social, ao assinar documentos, pareceres, etc, deve registrar o número de sua inscrição no CRESS.



 
Eu mesmo tenho a honra de conviver com várias (uma delas está aí nessa foto comigo, mesmo sendo Secretária Municipal do Bem Estar Social de Bauru, (espero que ela não se zangue com a homenagem mais do que singela a todas as assistentes sociais de Bauru, rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs!) , embora estagiário de Administração, por isso ficam aqui os meus mais nobres parabéns a essa profissão que é sinônimo de garra, num país como o nosso, carregado de problemas sociais!  E se alguma assistente social quiser ter sua foto publicada aqui, o Boteco está à disposição!