3 de agosto de 2011

Músico gaúcho é processado por rap contra salário de deputados

Uma representação ao Ministério Público, assinada por Giovani Cherini (PDT) quando ainda era presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, resultou em processo por crime contra a honra (que honra tem safados disfarçados de representantes do povo, que enfiam nosso dinheiro dentro de meias e cuecas?) para o músico gaúcho Tonho Crocco.

Ele fez um rap no qual chamava de “gangue” os 36 deputados que aprovaram aumento de 73% em seus próprios salários, em dezembro do ano passado. Nesta semana, recebeu uma intimação para uma audiência preliminar no dia 22 de agosto, da qual Cherini também vai participar.

Procurado pelo site Sul21, Giovani Cherini negou que estivesse processando o músico gaúcho. “Não estou processando ele, deve ter havido algum erro. Vou procurar me informar”, disse o deputado. Mais tarde, no Twitter, escreveu: “Não ingressei com ação contra Tonho Crocco. Como presidente (da Assembleia), ofereci representação ao MP para que, havendo ilicitude, tomasse providências”.

Na representação, Cherini afirmou que “eleito pelos deputados estaduais como representante do povo gaúcho”, expressava sua “insurgência contra a manifestação espúria de Antonio Crocco, que enseja o presente pedido de providências ao Ministério Público Estadual”.

“Estou atordoado em receber esta intimação. Eu não cito o deputado Cherini no meu som”, disse Crocco . Segundo ele, o atual presidente da Assembleia, Adão Villaverde (PT), telefonou para dizer que não se tratava de um processo da instituição.

“Meu verdadeiro temor é que se abra um precedente coibindo as manifestações políticas, principalmente aquelas que usam de vias pacíficas e da arte como forma de expressão”, escreveu o músico, em nota divulgada em seu site oficial. O advogado Marcelo Almeida, ainda prepara os argumentos da defesa, mas lembra que o principal é a liberdade de expressão. “Isto é um direito básico dos músicos, da imprensa e de qualquer cidadão”, afirma.

Então pra esse bando de sem-vergonhas , dando razão ao Tonho Croco, nós aqui do Boteco do Valente vamos mandar essa daqui,ó:

De tudo que é nego torto

Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada


O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada


Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato


É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato


E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir


Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir


 - Joga pedra na Geni!
- Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar...
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!


Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim

Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim


A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia


Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo –- Mudei de idéia!

– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniquidade
– Resolvi tudo explodir...


– Mas posso evitar o drama,
Se aquela formosa dama,
Esta noite me servir!


Essa dama era Geni...

Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar...
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um..
Maldita Geni!


Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro

O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro


Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela –
Também tinha seus caprichos


E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos


Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão


O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão


- Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai ,Geni!
Você pode nos salvar,
Você vai nos redimir!
Você dá pra qualquer um,
Bendita Geni!

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco


Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco


Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado


E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado


Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir


Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir


- Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar...
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

Geni e o Zepelim (Chico Buarque)

A Ópera do Malandro

O malandro já nasce blindado. Sua filosofia de vida é que chapéu de otário é marreta e para ele, malandragem é virtude. O seu maior herói é o João Sem Braço. Sempre joga nas dez e bate com pau de dois bicos! Quando o besouro sem asa vem no “zig”, ele já está no “zag” e vice versa... Por não ter escola, vive de expediente. Passa o dia e a noite pirulitando pelo mundo sem cancela. Mesmo dormindo ele é perigoso, pois leva a fase REM pensando em como aplicar o 171 na população ordeira. Quando o otário (sua vítima) acorda, já está aplicado por antecipação. Para o malandro, o mundo está cheio de jurão e pato abarrufado!

Em sua homenagem, Wilson Batista cantou: “navalha no bolso/eu passo gingando/provoco e desafio/eu tenho orgulho/em ser vadio”. Bezerra da Silva, notório admirador e divulgador da malandragem, ele mesmo um autêntico malandro das favelas do RJ, sempre cantava que: “malandro é malandro, mané é mané!”.

O malandro é tão lesivo que se você estiver no caminho dele, somente levará a pior. Se você for aplicado por ele e der queixa na polícia, durante a acareação ele provará ao delegado que foi você quem o lesou! Se você o levar às barras do tribunal, o malandro arranja defensor de graça, ganha a ação e você ainda pagará as custas do processo... Se ele for condenado, não terá grana para pagar coisa alguma, logo será libertado dado ao escândalo feito por sua mãe e suas quengas, na porta do delegado e do juiz. Liberto, o malandro mexerá os pauzinhos e fará tudo para lhe dar outro prejuízo ainda pior.

Se você perder a paciência e o executar com seis petardos na caixa torácica, vai ter que pagar o enterro, as custas do processo, os advogados e a famigerada pensão da mulher dele pelo resto da vida, além da ajuda de custo da mãe (dele) doente!  Você então entenderá a  máxima de Balzac: “As mulheres amam por excelência as contradições, as incoerências e os maus sujeitos.”.

Se ele escapar do atentado, o que é muito comum, além das despesas processuais, você arcará com as despesas médicas, hospitalares, remédios, fisioterapia, indenização e a feira da quenga pelo resto da vida... Na prática e, mesmo indiretamente, você financiará até o bagulho que ele queima para arejar o cabeçote.

Se ele, por um milagre, escapar de tudo isso ileso, você mudará de cidade para se livrar da vendeta (vingança) e ele acabará por descobri-lo. Aí, a fera serrará o cano de uma 12 e irá montar campana na sua cola. Quando você estiver todo relax arriando a massa numa pescaria, o malandro aparecerá por detrás de uma moita alta, atira e você virará tábua de pirulito... Morrerá com a bermuda presa nas pernas recendendo um baita bafo de cachaça e todo lambuzado de coliformes fecais.

Existe o malandro, o malandrinho e o malandreco. Os dois últimos são auxiliares operacionais. Ficam com uma parte do que foi aplicado. Tem o falso malandro; aquele que desse o morro balançando que nem pato. Não confunda o malandro com o mala sem alça e nem o mané com o jurão. O malandro e o mané são tribais. 

Ainda não falamos de mais dois tipos de malandro que Deus fez de prima qualidade. Uma delas é a mulher que “faz vida na noite” e perfuma a existência dos que sofrem dos males do amor. Tudo nela é doce, na medida exata para encantar o otário. A outra coisa é o baiano. Ele foi criado apenas para aplicar em você e lhe provar que você é lóqui. Ele é campeão em tudo! Mais malandro do que o carioca.

Ele como tem axé dos Santos e Orixás, vão te deixar babando, enrolado e com quebranto de encruzilhada. Ponha uma coisa na sua cabeça, o carioca diz que é malandro e faz a malandragem só na conversa. O malandro baiano nega que faz e faz. Já que falamos no baiano, veio à recordação a coisa mais encantadora que Deus fez para o mundo. A baiana. Ela é uma verdadeira rainha Sherazade das Mil e Uma Noites nos Jardins Suspenso dos Orixás.

Basta ela ligar para você e emitir, em espirais metálicas o seu canto de enfeitiçar, seu filtro de sedução e amor: venha cá Paim! E você vai arrastando no chão, como um cachorrinho na coleira, mas vai. Ela é pura magia! Você vai morrer delirando! Já fui feliz vítima de uma “mãeinha”. Foram os mais prazerosos anos da minha vida de artista das estradas do mundo. Faria tudo de novo, mesmo sofrendo.

Para dar cabo do malandro tem que usar bala dum dum curtida no alho com azeviche. Dormida no Ebó em Codó (MA) e lavada com água do Rio Paraguaçu. E viva o malandro e a malandragem!

1 de agosto de 2011

Mensagem do Boteco do Valente à Populacão e Ao Poder Público pelos 115 Anos de Bauru

Antes de tudo, nós do Boteco do Valente gostaríamos de dar os parabéns a cidade de Bauru por completar não apenas 115 anos de existência, mas 115 anos de um povo que luta contra esse sistema injusto. 115 anos de uma sobrevivência difícil em um país onde as mídias que são reconhecidas e têm espaço são justamente aquelas que defendem única e exclusivamente os interesses das classes mais abastadas da população.

Hoje estamos todos aqui reunidos para aglutinar forças contra esse sistema neoliberal. É preciso entender que depois que sofremos um golpe duríssimo:depois de Nilson Costa ter sido duas vezes cassado, começou o governo de Tuga Angerami, que nos afundou no neoliberalismo. E, nas últimas eleições, mesmo depois do tamanho fuzuê que saiu nas Cerejeiras, muitos continuaram acreditando na possibilidade de mudança com o governo Rodrigo Agostinho. Resultado: estamos hoje no meio de uma crise política, tantto a esquerda quanto o movimento popular bauruense estão extremamente fragmentados, praticamente saindo uns com os outros na porrada por causa de um, ou melhor, uns carguinhos de confiança dentro da Prefeitura Municipal de Bauru, e você sai pelas ruas e as pessoas dizem: “não quero mais saber de política, isso não serve pra nada, político é tudo igual...”

O povo bauruense tem a mania e a cultura de esperar por messias: se aparece o Izzo, tá bom, afinal iniciamos um período democrático em nossa cidade (e, não esqueçam, que ele era popular no meio do povão). Agora vem o Nilson  Costa, que nem fez bem um ano que ele entrou, já cassaram. Agora vem o Tuga, a cidade tá uma porcaria. 2008, apareceu o Rodrigo, é agora... ele é jovem,, inteligente, esportista, ambientalista, bonito.  O povo tem que ter em mente que quem faz a história é o próprio povo. Pode pôr no poder Izzo, Nilson Costa,Tuga, Rodrigo Agostinho, o cacete, só vai mudar quando o povo estiver consciente que é ele que faz transformações sociais profundas, que ele que alterar a economia, a política e a cultura de uma cidade.

Enfiaram na cabeça do povo que ele não tem tradição de lutas. É papel da esquerda alertar sobre essa mentira. Temos como exemplo em nossa história o Quilombo dos Palmares, Canudos, Contestado, Coluna Prestes e muitos outros.

Chega com essa mania de o povo bauruense ter que engolir o boi com chifres e tudo, seja bom ou ruim. O que é ruim , nós temos direito de chegar e pedir mudança. Política não é só de 2 em 2 anos não, quando tem eleição. Política são as relações dos seres humanos todo os dias. E nós temos todo o direito de dar um basta ao que não suportamos mais e que não é de nossa vontade.

Vou dar um exemplo bem pequeno, coisa bem simples, não estou nem entrando no mérito de fazer revolução não. Aqui, em Bauru, bem no começo de 2011 aumentou a passagem do ônibus e a gente não faz absolutamente nada. Quando aumentou pra R$ 2,40 teve gente torcendo, rezando, botando santo de cabeça pra baixo pra aumentar logo pra dois reais e não precisar ficar carregando de troco as moedinhas de 20 centavos porque moeda é um negócio chato. É essa a mentalidade do povo que faz mudanças políticas? Onde está o movimento estudantil, que tantas vezes botou a cara na rua pra pedir o Passe Livre? Se acovardou agora? Olha que com disseram uma vez Teodoro e Sampaio.... QUEM TEM....TEM MEDO!

Não podemos cair no erro, também, de subestimar o sistema. Fazemos essa reunião aqui, sai todo mundo empolgado e achamos que o neoliberalismo vai acabar amanhã. A luta antineoliberal será difícil e duradoura. Esse sistema atua em todas os espaços: Economicamente: vende nosso país para as empresas internacionais. Politicamente: mantém o povo sem participação e dá poder a uma minoria. Culturalmente: impõe o consumo massivo à produção industrial, além de como falamos, deixar a população sem conhecer suas raízes e sem ter referência de lutas².

Estamos diante de um inimigo que atua atento para as minúcias e nós temos que estar atentos também. Até um vocabulário próprio esse sistema criou. Esse, que diz ser o sistema da liberdade e da democracia, faz sua ditadura, sua opressão até através das palavras. Ocupação de terras e de moradias eles chamam de invasão. Como se os trabalhadores não tivessem direito à terra e casa. Governos que não seguem a cartilha estadunidense são chamados de ditaduras. Analisemos: depois do Bush que ganhou por eleições fraudulentas, veio o Obama, fazendo uma cagada atrás da outra,  governando um país onde a população negra é oprimida e excluída, invade países através de guerra e é tido como exemplo de democracia. Enquanto governos como do Chávez e do Fidel Castro são ditaduras. Mas como pode isso? O Fidel Castro envia médicos para tudo que é lugar do mundo, o governo dá escola e saúde de alta qualidade gratuitos. Já o Chávez ganha quantas eleições quiserem fazer, faz círculos de inclusão social... oras, tem algo errado aí. Outro exemplo: as FARC são tachadas de terroristas narcotraficantes. Então, os Estados Unidos tem que ocupar o território colombiano, mesmo que gaste fortunas. Mas, pergunto, quantas campanhas eficientes de combate às drogas os Estados Unidos se preocuparam em fazer dentro do próprio território.

A esquerda de Bauru não pode cair nessas armadilhas e priorizar a luta consigo mesma. Tem gente que perde tanto tempo dizendo: “Sicrano é feio.  Fulano é bobo. Beltranos são pelegos”, esquece que tem um inimigo muito maior que só será derrotado com a união dessa esquerda.

Mais do que nunca, nossa cidade, para continuar vivendo, clama por uma aliança progressista contra o neoliberalismo. Temos que agir, como estamos fazendo hoje, reforçando essa aliança internamente. Temos, também, que reforçar essa aliança internacionalmente. É preciso sentir profundamente a dor de cada pai palestino ao perder o filho. É preciso sentir, no fundo do nosso peito, a dor de cada combatente iraquiano. É preciso sentir, com toda a força, as agruras que afegãos, bolivianos, colombianos, cubanos, venezuelanos e qualquer povo do mundo sofra ao enfrentar o capitalismo. Só dessa forma sairemos vitoriosos dessa luta que nos levará a uma cidade melhor e extremamente possível.

Bauru, 1o. de agosto de 2011.
115 Anos  de Emancipação Político-Administrativa de Bauru
 
BOTECO DO VALENTE
BAURU, INTERIOR PAULISTA, BRASIL

29 de julho de 2011

A Fábula da Águia e da Galinha (Leonardo Boff)

Era uma vez um camponês que foi na floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar o filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Cresceu como galinha. Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: “Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.”

“De fato”, disse o homem. “é uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia”.
“Não,” retrucou o naturalista. “Ela é e sempre será uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.”

“Não,” insistiu o camponês. “Ela virou galinha e jamais voará como águia”. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: “já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra as suas asas e voe”.

A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava destraidamente ao redor. Viu as galinhas lá em baixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês contestou. “Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!”

“Não”, tornou a insistir o naturalista. “Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.” No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: “águia, já que você é uma águia, abra as asas e voe”.

Mas quando a águia viu lá em baixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês sorriu e voltou a carga. “Eu havia lhe dito, ela virou galinha”. “Não”, respondeu firmemente o naturalista. “Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.”

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: “Águia, já que você é águia, já que você pertence ao céu e não a terra, abra as asas e voe!”

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte. Foi quando ela abriu suas potentes asas. Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto. Voou. E nunca mais retornou.

Povos do Brasil ! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E nós ainda pensamos e somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, irmãos e irmãs, abram suas asas e voem. Voem como águias, jamais se contentem com os grãos que lhes jogarem aos pés para ciscar!
 
Leonardo Boff, teólogo, professor de ética na UERJ e escritor.

A MUDANÇA NA “SEAR” SERÁ PARA RESOLVER O SEU PROBLEMA OU O DE ALGUNS?

Ouvimos dizer que o assunto do dia dentro da pauta de discussão na Câmara de vereadores será sobre o destino dado à SEAR – Secretaria das Administrações Regionais de Bauru? Ciente disso, o super-herói GUARDIÃO, mais antenadíssimo do que muita gente imagina, foi até à frente do prédio da Prefeitura Municipal e munido de uma faixa protestou contra o uso desmedido de politicagem na composição das atuais secretarias. Diante de tantas perguntas, mais uma feita pelo atento capa e espada: “Não existiria mais espaço dentro do atual mundo político para alguém ocupando um espaço como esse e que venha somente para resolver os problemas da pasta? Por que tudo tem que ser preenchido só com políticos de uma base de sustentação dos governos? E os problemas como ficam? E esse alguém chegando vem com que intenção, só para acomodar interesses?”. Por fim, ele mesmo enuncia em alto e bom som: “TÔ FICANDO DE SACO CHEIO!!!”. Acreditamos que os que agem assim deveriam colocar as barbas de molho, pois ainda não viram um homem com super-poderes bravo e espumando de raiva.

Aproveitando a deixa do GUARDIÃO,a galera aqui do Boteco do Valente foi um pouco mais a fundo e relacionou todos os secretários municipais e pede ajuda de todos os munícipes para uma constatação: Quais são técnicos do setor e quais seriam meros instrumentos de sustentação do governo? Poucos estão ali por imposição partidária, mas... Como diz a galera do Racionais, Tire você a conclusão:

Administração - Richard Vendramini TÉCNICO, Escolha pessoal do prefeito.

Administrações Regionais (SEAR)  Miguel Hernandes 
INTERINO, aguardando remoção. E o que virá por aí???

Agricultura – Zito Garcia
 INDICAÇÃO de seu partido, escolhido pelo PSB, gosta muito de feira.

Bem Estar Social  (Sebes)  – Darlene Tendolo 
 TÉCNICA , atuantíssima no setor citado, escolha pessoal do prefeito.

Cultura – Elson Reis
Funcionário de carreira, após 2 outros a apresentarem problemas, incompatibilidades com o cargo.

Desenvolvimento – Paulo Ferrari
Escolha pessoal do Prefeito, alguém de sua confiança e núcleo de amizade.

Educação – Vera Casério
TÉCNICA, escolhida pelo prefeito, depois de demissão de apoiadora de campanha.

Esportes – José Carlos Batata
Ex-vereador, INDICADO pelo partido pelo predicado de gostar de jogar bola e pelo partido não possuir outro nome.

Finanças – Marcos Garcia
TÉCNICO, funcionário de carreira e já tendo exercido cargo na administração anterior.

Negócios Jurídicos – Maurício Porto 
TÉCNICO, funcionário de carreira e experiente.

Meio Ambiente – Valcirlei Silva
TÉCNICO, funcionário de carreira, já tendo exercido cargo na administração anterior.

Obras – Eliseu Areco Neto 
TÉCNICO, escolha pessoal do prefeito e experiente.

Planejamento – Rodrigo Riad Said
TÉCNICO, escolha pessoal do prefeito.

Saúde – Fernando Monti
TÉCNICO, porém escolha do partido.

COHAB – Edson Bastos Gasparini Jr
Escolha do partido, tendo exercido cargo na administração anterior.

EMDURB – Nico Mondelli
Escolha pessoal do prefeito.

DAE – André Luiz Andreolli
Escolha do partido, num dos piores momentos do DAE em toda sua trajetória. Ainda está todo mundo nessa cidade sem saber se é ou não favorável à privatização e entrega para iniciativa privada (mesmo porque todo mundo já sabe que quando se trata desse tipo de assunto, o mesmo não desce de cima do muro nem amarrado!).

Segura, Gonzaguinha!

Emocionalmente, no momento, nós, aqui do Boteco do Valente, não me encontramos inspirados o suficiente para falar deste maravilhoso compositor e cantor de nossa MPB. Só queremos expressar em poucas palavras, que na nossa modesta opinião, não existe uma composição sequer deste artista, que não seja uma belíssima obra musical.  Mas quem é ele? Vocês vão ter a imensa alegria de conhecê-lo agora:

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior nasceu em 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro, filho legítimo de Luiz Gonzaga, (o velho Lua) o rei do baião, e Odaléia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil.

"Venho de Odaléia, uma profissional daquelas que furam cartão e de vez em quando sobem no palco; ela cruzou com meu pai e de repente eu vim" (Gonzaguinha)

A mãe morreu de tuberculose ainda muito moça, com apenas 22 anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos, e o pai, não podendo cuidar do menino porque viajava por todo Brasil, entregou-o aos padrinhos

"Dina (Leopoldina de Castro Xavier) e Xavier (Henrique Xavier), baiano do violão das calçadas de Copacabana, do pires na zona do mangue, morro de São Carlos foram eles que me criaram e por isso eu toco violão. (Gonzaguinha)

As primeiras letras Gonzaguinha aprendeu numa escola local, mas as verdadeiras lições de vida recebeu pelas ladeiras do morro. Quando garoto, para conseguir algum dinheiro, carregava sacolas na feira.

Moleque Luizinho – seu apelido de infância, ia aprontando das suas. Pipas, peladas, bolinha de gude, pião e os acidentes da infância. Como as três vezes em que furou o olho esquerdo. Na primeira, com uma pedrada, depois, com um estilingue e, na quina da cama, com isso perdeu 80% da visão desse olho.

No carnaval fugia com Pafúncio, um vendedor de caranguejos que morava nas redondezas e era membro da ala de compositores da Unidos de São Carlos, a partir daí, o samba estaria definitivamente em sua vida. Nas ruas do Estácio, Gonzaguinha ia crescendo, entre a malandragem dos moleques de rua e o carinho da madrinha.

Do pai, recebia o nome de certidão, dinheiro para pagar os estudos e algumas visitas esporádicas. Imerso no dia-a-dia atribulado da população, Gonzaguinha ia aprendendo a dureza de uma vida marginal, a injustiça diária vivida por uma parcela da sociedade que não tinha acesso a nada.

O aprendizado musical se fez em casa mesmo, ouvindo o padrinho tocar violão e tentando fazer o mesmo: "Sempre toquei um instrumento e poderia chegar a tocar bem, sendo um músico profissional, coisa que não sou. Sou um compositor e um intérprete que também toca violão, mais não sou músico nem tenho intenção de me arvorar a sê-lo" (Gonzaguinha)

Quando pequeno, Gonzaguinha ouvia Lupicínio Rodrigues, Jamelão e as músicas de seu pai. Gostava de bolero e era assíduo freqüentador de programas sertanejos. Ouvia também muita música portuguesa, pois D. Dina sua madrinha e mãe adotiva, era filha de portugueses e manteve-se ligada às tradições familiares.

Aos catorze anos, Gonzaguinha escrevia sua primeira composição: Lembranças da Primavera. Pouco mais tarde , compôs Festa e From U.S of Piauí, que seu pai gravaria em 1967.


Em 1961, Gonzaguinha, que estava completando 16 anos, foi morar com o pai em Cocotá. Xavier e Dina não podiam dar estudos para o garoto, que queria estudar economia.

Neste ano Gonzaguinha estudou muito, desde então jamais repetiu um ano, lia todos os jornais e guardava tudo num saco de estopa, ele dizia que esses jornais podiam ajudar ele nos estudos. Só depois de formado é que ele jogou tudo fora.

Trancado no quarto, estudava economia e tocava violão. Quando saía, ia para a praia jogar futebol, sua outra paixão. Como já fizera no morro de São Carlos, esquecia dos horários e nunca vinha almoçar.

Em dezembro de 61, ocorreu o primeiro acidente automobilístico de sua vida, em viagem com o pai e uma amigo, a caixa de mudança do carro enguiçou, isso ocorreu no Rio, em direção a Miguel Pereira, Gonzagão ficou um mês hospitalizado, e Gonzaguinha só sofreu um grande susto. Os desentendimentos com Helena, esposa de Gonzagão, fizeram com que o menino acabasse sendo interno em um colégio. Talvez tenha sido a partir daí que o "homem" Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior tenha começado a se delinear. Não só concluiu o Curso Clássico, como ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes (Rio de Janeiro). Aquele que tinha tudo para não dar em nada, começava a mostrar o cidadão consciente social e politicamente.

O começo da amizade com Ivan Lins e alguns outros teve inicio na rua Jaceguai, na Tijuca onde morava o psiquiatra Aluízio Porto Carrero, um homem que gostava de levar pessoas a sua casa para longas conversas, jogos de cartas ou uma roda de violão.

Foi nesta casa que Gonzaguinha conheceu Ângela, sua primeira esposa, mãe dos seus dois filhos mais velhos, Daniel e Fernanda . Das rodas de violão na casa do psiquiatra nasceu o M.A.U. (Movimento Artístico Universitário) e dele faziam partes nomes como Ivan Lins, Aldir Blanc, Paulo Emílio, César Costa Filho. "Éramos um Grupo com pretensões de romper as barreiras do mercado de trabalho, com a consciência de que os festivais não projetavam ninguém" (Ivan Lins). O MAU acabaria sugado pela TV Globo que em 1971 lançava o programa "Som livre exportação".

Nos primeiros dois meses as coisas caminharam bem e o grupo fez grande sucesso. Passando esse período, na hora da renovação do contrato, a Globo só queria Ivan Lins, Gonzaguinha e César Costa Filho. No início eles procuraram manter-se unidos , "na base do ou assina todo mundo ou ninguém assina". Passados os primeiros dias, as grandes somas envolvidas, as diferenças pessoais e outros fatores cindiram o grupo. O programa continuou por mais algumas semanas, comandado por Ivan lins, que foi o que mais vacilou na defesa do grupo. "Não era uma questão de eu ser mais ou menos forte que o Ivan. É uma questão estrutural. Só isso. A minha imagem de antipatia não permitia que as pessoas tentassem me cooptar. Isso me deixava muito distante. (Gonzaguinha)

Foi nessa época que se difundiu a imagem de Gonzaguinha como um artista agressivo, chegando um jornalista a chamá-lo de "cantor rancor". Para o compositor, sua agressividade foi criada pelo sistema para ele vender mais.

Em 1973, Gonzaguinha participou do programa Flávio Cavalcanti apresentando a música Comportamento Geral num dos concursos promovidos pelo programa. Os jurados ficaram apavorados com a letra que dizia "Você deve aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado/ São palavras que ainda te deixam dizer por se homem bem disciplinado/ Deve pois só fazer pelo bem da Nação tudo aquilo que for ordenado".

Muita polêmica, uma advertência da censura mas, em compensação, o compacto gravado pelo compositor, que estava encalhado nas prateleiras das lojas, esgotou-se em poucos dias e logo Gonzaguinha pulava do quase anonimato para as paradas de sucesso na Rádio Tamoio e era convidado para gravar um novo disco.

Como era de se prever naqueles anos de chumbo, a divulgação da música logo foi proibida em todo o território nacional e Gonzaguinha "convidado" a prestar esclarecimentos no DOPS. Seria a primeira entre muitas visitas do compositor ao orgão público. Para gravar 18 músicas, Gonzaguinha submeteu 72 à censura - 54 foram vetadas!  Apesar de toda a perseguição, Gonzaguinha nunca deixou de divulgar seu trabalho: quer seja em discos onde driblava os censores com canções alegóricas, quer seja em shows onde, além de cantar as músicas que não podiam ser tocadas nas rádios, Gonzaguinha não se continha e exprimia suas opiniões e sua preocupação com os rumos que a nação tomava.
 
Em 1975, Gonzaguinha dispensou os empresários e essa atitude foi fundamental para sua carreira, segundo Gonzaguinha a vantagem de trabalhar independente dos empresários está nos contatos que o artista mantém com várias pessoas, o que concorre para recuperar se a base humana do trabalho. O ano de 1975 foi particularmente importante na vida do compositor: tendo contraído tuberculose, Gonzaguinha viu-se obrigado a passar oito meses em casa e aproveitou o tempo para meditar e refletir sobre si mesmo. Neste período acabou chegando a algumas conclusões importantes.

"Achei que devia retomar toda uma espontaneidade em termos de apresentação, de estar no palco como se estivesse em qualquer outro lugar" (Gonzaguinha)

O ano de 1975 também marcou o início das suas excursões pelo Brasil, em que rodou todo o país de violão. Com isso, conseguiu solidificar as bases nacionais de sua arte e descobriu a importância de seu pai, na música popular brasileira.

Em 1976, Gonzaguinha gravou o LP Começaria Tudo Outra Vez. O disco, de acordo com o próprio autor, representou a capacidade de voltar ao início da carreira, retomar a espontaneidade perdida e "assumir a coerência de um trabalho que vem se estendendo há muito tempo"

Em 1981 nasceu Amora Pêra, filha de Gonzaguinha e da Frenética Sandra Pêra. Depois disso, sua carreira constituiu um coleção de sucessos, tanto nas apresentações ao vivo como nos diversos LPs que lançou, entre os quais Gonzaguinha da vida (1979), Coisa Mais Maior de Grande (1981), Alô, Alô Brasil (1983), em toda essa trajetória, Gonzaguinha tem demonstrado, ao lado de qualidades artísticas indiscutíveis, uma grande coerência de idéias sobre a arte, a vida e a dimensão política do homem.

Seus últimos 12 anos de vida, Gonzaguinha passou-os ao lado de Louise Margarete Martins  - a Lelete. Desta relação nasceu Mariana, sua caçula. Até hoje Lelete e Mariana vivem em Belo Horizonte, cidade onde Gonzaguinha viveu durante dez anos.

A vida em Minas, mais calma, com longos passeios de bicicleta em torno da lagoa da Pampulha, marcou um período mais introspectivo de sua carreira. O músico dedicava-se a pesquisar novos sons dividindo-se entre longos períodos em casa e demoradas turnês de shows pelo país.

A mais importante dessas turnês talvez tenha sido com o show "Vida de Viajante", ao lado do pai Luiz Gonzaga, em 1981. Não apenas um show, "Vida de Viajante" selou o reencontro de pai e filho, a intersecção de dois estilos, o Brasil sertanejo do baião encontrando o Brasil urbano das canções com compromisso social e uma só paixão - o palco.

Se "Todo artista tem de ir aonde o povo está", lá estavam pai e filho deixando mágoas, desavenças, ressentimentos na poeira das estradas. Viajando juntos por quase um ano, mais do que se perdoaram - tornaram-se amigos. Não houve reconciliação, houve compreensão.

O acidente que tirou a vida de Luiz Gonzaga Júnior, aconteceu na manhã do dia 29 de abril de 1991 , ocorrido no quilômetro 30 da BR-280, entre os municípios de Renascença e marmeleiro, na região sudoeste do Paraná e a cerca de 420 quilômetros de Curitiba.

O Monza dirigido por Gonzaguinha bateu de frente no caminhão F-4000 com placa de Marmeleiro(PR), Gonzaguinha ainda chegou a ser levado a policlínica São Francisco de Paula, em Francisco Beltrão onde chegou sem vida. Os passageiros que viajavam com o Cantor, seu empresário Renato Manoel Duarte e Aristide Pereira da Silva, foram internados na mesma policlínica em estado de coma, ambos tiveram traumatismo craniano. O Renato foi o único sobrevivente.

Segundo um patrulheiro da policia rodoviária estadual, disse que possivelmente o sol atrapalhou a visão do motorista da caminhonete , pertencente a um matadouro. O motorista cruzou a pista para entrar numa estrada de terra que conduz ao matadouro e atingiu o Monza. No asfalto, ficou a marca da freada do automóvel por quase 50 metros.

Gonzaguinha seguia em destino a Foz do Iguaçu onde de lá tomaria um avião com destino a Florianópolis, para a realização de seis shows em Santa Catarina.

Ney Matogrosso

“ É tão súbito que nem sei o que dizer. Éramos amigos e há, pouco tempo, chegamos a estar bem próximos mesmo sem ter trabalhado juntos. Mais do que seu trabalho, gostava dele como pessoa”

Fagner

“ Era muito ligado a ele e a toa sua família. Tudo que posso dizer nesse momento é que estou chocado”

Joanna

“ Gonzaguinha era um poeta contemporâneo, que abordava a alma feminina de uma forma completa. Através da palavra, desnudava o universo da mulher> Ele tinha a sensibilidade à flor da pele. Na minha obra é de extrema importância. Sempre esteve presente nos meus trabalhos, desde que fez a música agora para o meu primeiro LP”

Simone

“ Era uma pessoa de quem gostava muito.Tinha um grande talento. Estou muito chocada agora para dizer para dizer mais alguma coisa”

 
Arquiles (MPB-4)

“ Nós éramos muito amigos. Sempre tivermos uma ligação forte porque o MPB-4 gravou muitas músicas dele. Ele nunca nos negou uma composição inédita. Nossas posições políticas também eram parecidas”

Abel Silva

“ A música brasileira perde um grande compositor de apelo popular, que dizia ass coisas com muito precisão e coragem. As canções que ele deu para a Bethânia por exemplo vão ficar. Na última vez que o vi, ele disse: ‘tenho saúde, resto a gente tira de letra’.”

Nana Caymmi

“Tinha um carinho grande pelo compositor e pelo ser humano. Vai ficar faltando um pedaço. À importância da obra dele é enorme. Com o tempo sentiremos falta de sua música. Ele lutava pela pátria. Sempre fui sua amiga e era muito ligada a ex-mulher dele, Ângela .Nossos filhos cresceram juntos. È horrível e inacreditável que isso tenha acontecido

Gonzaguinha tanto fez das das suas lá no Morro de São Carlos, que no Carnaval do Grupo de Acesso A do RJ em 2010, um de seus versos de Com a Perna no Mundo, "TEU MENINO DESCEU O SÃO CARLOS", foi lembrado pela G.R.E.S Estácio de Sá , com o samba-enredo Deixa falar. A Estácio é isso ai! Eu visto esse manto e vou por aí...


Ê, FAVELA!

DA BATUCADA, DO MEU GRANDE AMOR
EU SOU MALANDRO E FAÇO HISTÓRIA
NA ZONA DO MANGUE ONDE TUDO COMEÇOU

NASCIA EM FORMA DE ORAÇÃO
NAS MESAS DO CAFÉ, UMA CANÇÃO
BAMBAS QUE O BERÇO DO SAMBA UM DIA EMBALOU
VERSOS DE ISMAEL, "SE VOCÊ JURAR"
TE DOU EM POESIA, "A DONA DO LUGAR"
VAI MINHA INSPIRAÇÃO... DEIXA FALAR

EU VOU, "BEM JUNTO AO PASSO"
BEM NO COMPASSO DA MARCAÇÃO
EU SOU DO "VELHO ESTÁCIO"
E SE MORRER É DE EMOÇÃO

A "CADA ANO", "VÊ SE PODE"
MEU "PARAÍSO" É MAIS FELIZ
FEZ DA ARTE NEGRA ROMARIA
SE VESTIU DE FANTASIA E CRIOU SUA RAIZ

DO TERREIRO GRANDE, A DOCE VOZ
QUE EMOCIONA A TODOS NÓS
"TEU MENINO DESCEU O SÃO CARLOS"
BROTA "MELODIA" DESSE CHÃO

"EU VI, AI MEU DEUS EU VI"
A MINHA ESCOLA LEVANTAR A MULTIDÃO
E "QUERO A ARTE PRO MEU POVO
SER FELIZ DE NOVO", MEU LEÃO

ESTÁCIO É O MEU AMOR
E ESSE AMOR TEM SEU LUGAR
UM CORAÇÃO VERMELHO E BRANCO
QUE BATE FORTE SEM PARAR!

25 de julho de 2011

Valeu, Amy Winehouse, Saravá!

Hoje, os tantãs, surdos, pandeiros, agogõs, taróis, repeliques, repiques de mão, tamborins e cavacos da galera aqui do Boteco do Valente estão de luto, pois neste último sábado, 23 de julho, a grande Amy  Winehouse (Londres, 14 de setembro de 1983 — Londres, 23 de julho de 2011) foi ser mais uma das tantas atrações dos palcos do céu, ao lado de James Brown, Raul Seixas, Taiguara, Luiz Gonzaga, Bezerra da Silva, Mussum, Clara Nunes, Kid Morengueira,  Gonzaguinha, Jovelina Pérola Negra, Mamonas Assassinas, Agepê e tantos outros que deixaram sua marca de  raça e coragem misturadas a muita garra, talento,malandragem, deboche e irreverência neste mundo (agora, os esconjurados FDPs dos tablóides tem notícia de sobra pra dar!).

Seu primeiro álbum, Frank, lançado em 2003 pela Island Records, foi muito bem recebido, comercial e criticamente, e o segundo, de 2006, Back to Black, deu a ela seis indicações ao Grammy Awards, das quais venceu cinco.

Amy também foi muito conhecida por seus escândalos públicos e pelo uso de drogas. Os problemas de Amy com drogas e álcool foram noticiados pelos meios de comunicação ao redor do mundo desde 2008. Em junho de 2008 o pai de Amy revelou aos jornalistas que ela estava com uma possível arritmia cardíaca por conta do uso abusivo de cocaína e cigarro.Em 2009, Winehouse garantiu estar se recuperando. Ela já havia vendido 505 mil cópias de seus dois discos anteriores no Brasil, segundo a revista semanal Veja.

Em 2010, Amy terminou seu tratamento na reabilitação e finalmente parecia ter se libertado das drogas, podendo concentrar-se no seu terceiro disco, esperado para janeiro de 2011, fa(c)to que não ocorreu. No seu último show, em 19 de junho de 2011, em Belgrado, a cantora teve uma atuação em que era visível o seu estado de embriaguez, levando a assobios  e vaias por parte dos fãs sérvios. Ficou assim provado, que a cantora não se tinha ainda curado do alcoolismo. No dia 23 de julho de 2011 foi encontrada morta em sua casa. A polícia informou que a causa de sua morte "ainda não foi explicada."
 
Amy Winehouse nasceu em uma área suburbana de Southgate, bairro de Londres, numa família judia de quatro pessoas, com tradição musical ligada ao jazz. Seu pai, Mitchell Winehouse, era motorista de táxi e sua mãe, Janis, farmacêutica. Amy tem ainda um irmão mais velho, Alex Winehouse. Cresceu em Southgate, onde fez os estudos na Ashmole School.

No dia 18 de maio de 2007 casou-se com Blake Fielder-Civil em Miami. Seu marido cumpre prisão temporária pela acusação de ter ferido gravemente James King, 36, proprietário de um pub, e de ter tentado obstruir a justiça em 2007, desde dezembro do ano passado. Blake admitiu sua culpa em audiências preliminares ao processo e evitou que o processo fosse agravado. Sua sentença poderia chegar a dez anos. Amy assistiu duas vezes às audiências, no tribunal londrino de Snaresbrook.Amy já foi presa duas vezes no ano de 2008, devido a posse de drogas e confessou ter batido em um homem com as mãos, passou uma noite numa cela, mas foi presa sem acusação formal.

Em 16 de julho de 2009, Amy e Blake se divorciariam, por causa de acusações de infidelidade de ambas as partes. Foram conhecidas as brigas que tiveram, com agressões. Boatos do reatamento de Amy com Blake foram desmentidos. Amy estava namorando com Reg Traviss, um diretor de cinema. Segundo amigos e parentes da cantora, Traviss é uma ótima influência para Amy e não tem envolvimento com drogas e nem álcool.

O pai da cantora, Mitch Winehouse, lançou-se como cantor com o álbum "Rush Of Love", que traz clássicos do jazz de Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e ainda quatro músicas compostas por Mitch. Amy Winehouse possuia algumas tatuagens pelo corpo. No braço direito, um pássaro com as palavras Never clip my wings (nunca amarres as minhas asas). No braço esquerdo, uma pin-up e uma ferradura (sorte), misturadas com a expressão daddy's girl (menina do papai). Já no antebraço esquerdo tinha uma pena. Na barriga, "Hello Saylor" (Olá Marinheiro). Finalmente, tinha tatuado sobre o seio esquerdo um bolso, e, escrito logo a cima, Blake's, que significa, do Blake.

Ultimamente tinha-se debatido, juntamente com o seu ex-marido, com problemas relacionados com drogas, tendo várias vezes tentado superar o vício em clínicas de desintoxicação. Os tablóides britânicos elegeram-na como alvo preferencial, destronando deste modo Pete Doherty ex-The Libertines e atual líder da banda Babyshambles, como junkie mais famoso da Grã-Bretanha.

No dia 22 de janeiro de 2008, um vídeo com Amy usando crack e outras drogas saiu no site do jornal inglês The Sun. Em 25 de janeiro, foi internada numa clínica de reabilitação, sendo vigiada 24 horas por dia..[10]

Em função das polêmicas, o governo dos Estados Unidos negou visto à artista para cantar no Staples Center, sede da 50ª edição do Grammy, realizada em 10 de fevereiro em Los Angeles. A pedido dos organizadores, Winehouse deveria cantar numa performance ao vivo de Londres, onde morava e cumpria seus tratamentos antidrogas.

No dia 30 de maio de 2008 deu o seu primeiro concerto em Portugal, no Rock in Rio Lisboa. Aparentemente, Amy entrou em palco bêbada. Apresentou-se com um hematoma no pescoço e uma ligadura na mão que a impedia de segurar no microfone. Encontrava-se rouca, pelo que o concerto deixou um pouco a desejar. Este concerto foi motivo de notícia nos mais diversos meios de comunicação. A cantora inglesa pediu desculpas pelo seu atraso de 40 minutos (o que fez com que o alinhamento fosse encurtado para não atrasar o espectáculo de Lenny Kravitz) e admitiu ainda que devia ter cancelado o concerto, devido ao mau estado da sua voz. Nesse mesmo concerto, Amy quase chorou quando cantou "Love Is A Losing Game", onde, depois, disse que tinha feito recentemente um ano de casamento com o seu marido que iria sair da prisão dentro de semanas. No seu grande cabelo, Amy tinha um coração com o nome do seu marido. Durante a música "Wake Up Alone", a cantora quase cai. A sua presença naquele concerto era uma incógnita até ao momento em que aparecesse em palco, e o facto de ter aparecido já foi um ponto muito positivo para muitos fãs e para um recinto de quase 100 mil pessoas completamente esgotado. Acompanhada de seis músicos e dois vocalistas, Amy Winehouse demorou 50 minutos para interpretar pouco mais de dez temas retirados dos seus dois álbuns (Frank, Back to Black), mas não na sequência anteriormente prevista..[11][12]

Semanas antes deste concerto, Amy foi presa duas vezes, e foi vista cheia de arranhões.[13]

Na última audiência do marido, Amy exaltou-se no tribunal e foi expulsa do edifício pois não parava de gritar dentro da sala.

Várias fotografias de Amy com o seu marido vieram para a internet. Amy aparece em poses sensuais, o seu peito exposto e ainda com comprimidos na língua. Também apareceram dois vídeos: um onde Amy canta uma música racista e outro onde Amy está com Pete Doherty, brincando com ratinhos recém-nascidos. Amy Winehouse já pediu desculpas pelo vídeo onde canta a música racista.

Amy passou algum tempo internada pelo pai num hospital depois de ter desmaiado em casa quando ia dar autógrafos a fãs que a esperavam à porta de sua casa. Os médicos fizeram testes de tuberculose que deram negativo, e disseram que Amy estava com sinais de algo que podia levar a um enfisema pulmonar. Foi feito um ultimato à cantora: se não deixar as drogas, irá perder a voz e morrer rapidamente. Amy foi liberada para sair do hospital na última semana de junho para ensaiar, pois iria fazer shows que já estavam marcados antes de ir para o hospital. Tudo isso seria feito com acompanhamento médico e depois dos shows ela retornaria ao hospital para continuar seu tratamento. Amy Winehouse, logo depois da saída do hospital para ir ensaiar, já foi encontrada fumando e comprando whisky, vodka e figurinhas do Euro 2008 para o ex-marido, com quem teria reatado.

No dia 29 de maio, a cantora inglesa apresentou-se no Festival de Glastonbury, onde cantou durante uma hora. Desta vez, a cantora aproximou-se muito dos fãs, e um deles jogou um objeto que bateu em sua cabeça, o que fez com que Amy tivesse uma reação agressiva, tentando dar socos no fã.[14] Amy Winehouse há pouco tempo sofreu uma overdose e alguns especialistas disseram que Amy estaria pesando 45 quilos, o que não seria normal para uma pessoa em que já pesou 50 kg em sua perfeita forma física e moral. Amy surpreendeu muitos ao declarar que sonhava ter filhos e ser feliz em um lugar que, segundo ela, estaria longe do cotidiano em que vivia.

Amy foi encontrada morta em sua casa, em Camden, Londres, no dia 23 de julho de 2011, às 16 horas (hora local), aos 27 anos.[15] A informação teria sido divulgada pelo jornal The Daily Mirror e confirmada pela polícia inglesa. O jornal The Sun divulgou notícia sobre a morte, informando que a polícia havia sido chamada às 16h 05 min, a uma propriedade ao norte de Londres, respondendo a um chamado para atender uma mulher desmaiada.[16]

Por volta dos dez anos, Winehouse fundou uma banda amadora - e de curta vida útil - de rap chamada Sweet 'n' Sour, as Sour. Ela descreveu a banda como sendo "the little white Jewish Salt 'n' Pepa" ("a pequena Salt 'n' Pepa judaica"). Ganhou a sua primeira guitarra elétrica aos 13 anos de idade e por volta dos 16 anos já cantava profissionalmente ao lado de um amigo, o cantor de soul Tyler James.

Segundo os pais de Amy, ela não demonstrava muito talento e cantava tudo timidamente. Eles acreditavam que ela não tinha muitas expectativas. Antes de assinar o contrato com a Island Records, Amy cantava e tocava em pubs de Londres. Darcus Breeze ouviu demos que a cantora havia enviado e "quis saber quem era a garota com a voz de jazz e blues". Pouco depois, Amy assinou um contrato com a Island e lançou seu álbum de estreia Frank.

O seu álbum de estreia, "Frank", lançado em outubro de 2003, foi produzido por Salaam Remi. Diversas canções do álbum possuem influências do jazz e, todas as canções foram escritas por Winehouse. O álbum foi bem recebido pela crítica e sua voz foi comparada à de Sarah Vaughan, Macy Gray, entre outras.[2] Frank foi indicado para o Mercury Music Prize 2004.[17] O álbum foi lançado apenas no Reino Unido.
 

O seu segundo álbum, "Back to Black", recebeu 6 indicações para o Grammy 2008, das quais venceu 5: Canção do Ano, Gravação do Ano, Artista Revelação, Melhor Álbum Vocal Pop, Melhor Performance Vocal Pop Feminina.[18][19] Back to Black atingiu grande sucesso comercial, sendo o disco mais vendido de 2007(mais de 5 milhões de cópias no ano) e com mais de 8 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro até o primeiro semestre de 2008 e 13 milhões de cópias vendidas até 2010.[2][20]

Durante o EMA 2007, Amy recebeu um prêmio surpresa: foi feita uma votação entre os artistas de mais destaque nesse ano para saber qual o artista que merecia ganhar, tendo sido Amy a mais votada. Artistas como Rihanna, Chris Brown, Fergie e Shakira disseram que ela merece uma vez que é original, tem uma voz incrível e um ritmo único.

Apesar de ter apenas dois álbuns de estúdio, Amy Winehouse teve "Rehab" eleita pelos criticos do segmento uma das músicas mais influentes da década 2000-2009. 

Após quatro anos desde o lançamento de Back to Black, Amy Winehouse voltou a produzir material inédito com Mark Ronson, o produtor de seu segundo álbum, em 2010. Esse novo projeto é um pseudo-tributo a carreira de Quincy Jones, um álbum chamado Q Soul Bossa Nostra e que possui o apoio de diversos artistas da música contemporânea, incluindo Jennifer Hudson, Amy Winehouse, Akon, Ludacris, Usher, Mary J. Blige, Robin Thicke, Tyrese, LL Cool J, Trey Songz, Three 6 Mafia, Jermaine Dupri, Scott Storch e Jamie Foxx. Amy optou por regravar uma canção que fez sucesso na voz de Lesley Gore em 1963: "It's My Party (song)". O lançamento desse álbum está marcado para o dia 9 de Novembro de 2010. De acordo com Quincy Jones, um dos produtores mais conhecidos da música, já tendo assinado obras de grandes nomes da música como Frank Sinatra, Michael Jackson e Sarah Vaughan, a cantora é "de outro planeta", declarou sobre o talento de Amy Winehouse na revista "Rolling Stone", e que a nova roupagem da canção ficou "com cara de Amy".

O terceiro álbum de Amy Winehouse estava sendo produzido desde 2008, mas nessa época não foi concluído e foi abandonado. Após estar mais recuperada das drogas, Amy compôs algumas canções quando estava em Santa Lúcia (em 2009), mas as canções foram rejeitadas pela gravadora. Segundo os executivos o disco era muito depressivo e com muitas referências ao ex-marido da cantora, Blake Fielder-Civil. Amy chamou Mark Ronson para "tentar salvar o novo álbum" mas, na época, os dois não chegaram nem a se reunir. Finalmente em 2010, Winehouse começou a trabalhar oficialmente no terceiro trabalho de estúdio, o sucessor de Back to Black. Segundo Darcus Breeze, que ouviu algumas demos do álbum, as músicas são ótimas e ele ficou realmente impressionado. O pai de Amy Winehouse, Mitch Winehouse afirmou que o novo álbum da cantora deve sair em dezembro de 2010 e que as canções são ótimas.Porém, o produtor Mark Ronson afirmou que Winehouse ainda não começou a trabalhar no disco. Amy afirmou que o álbum será lançado em janeiro de 2011 e que tem material o suficiente para produzir três discos diferentes.

Amy Winehouse findou sua curta e brilhante carreira antes de lançar o tão aguardado terceiro álbum. Espera-se que haja o lançamento de materiais inéditos e demos que foram gravados pela cantora antes de sua trágica morte. Espera-se que o terceiro álbum seja lançado como um CD póstumo. Em 14 de fevereiro de 2007 ganhou um Brit Award por Melhor Artista Feminina Britânica entregue pela Baby Spice, Emma Bunton. Quatro meses depois,Winehouse, recebe o Mojo Awards pela melhor canção do ano. Mesmo que seja recebeu e vários outros como : Europe Music Awards , MTV Video Music Awards , Mercury Prize Awards , Q Awards , Elle Style Awards , Ivor Novello Awards , South Bank Show Awards , Meteor Irish Music Awards e outras .

Apesar de ter lançado somente dois álbuns, Amy influenciou alguns artistas: a cantora Adele (que inclusive era amiga de Amy) foi intitulada pela mídia como a nova Amy Winehouse, além de ter voz e estilo parecidos. Gabriella Cilmi também é comparada a Winehouse por seu timbre, sendo este quase idêntico. Paloma Faith tem visual, voz, estilo musical influenciados por Winehouse. Amy Winehouse morreu de over ou underdose? Estava sozinha? Feliz ou infeliz? Todas essas e tantas outras perguntas não importam mais. O que prevalece é o fato de que o mundo da música perdeu um extraordinário talento. Uma cantora dona de uma belíssima voz, que não conseguiu, em nove anos de cantora, e aos 27 anos de idade superar a dependência do uso de drogas numa tremenda mostra de muita raça e determinação.


Em circunstâncias semelhantes à da morte de Amy, e com a mesma idade, já morreram talentos como o de Janis Joplin, Kurt Cobain, Jim Morrison e Jimi Hendrix. No Brasil, vítima do uso excessivo de álcool, morreu, antes de completar 27 anos de idade, o extraordinário talento de Noel Rosa. Amy Winehouse teve uma vida tumultuada, cercada de brigas e escândalos com o marido Blake Fielder-Civil. Sua vida também era uma rotina de uso excessivo de drogas e prisões. Viveu cenas patéticas no palco, quando esquecia a letra de suas músicas ou cantava completamente embriagada.


Nada disso apaga o valor do seu talento musical. Nada fará seus milhões de fãs, em todo o mundo, esquecerem a beleza de suas canções e principalmente da sua voz. Amy não deixa em desespero apenas sua família, os músicos que a acompanhavam, os amigos e milhões de fãs na Inglaterra e em todo o mundo. O sofrimento na verdade é de todos que amam a boa música, o verdadeiro talento de uma artista e a voz inigualável de uma cantora.


Acima, muito acima, do vício pelas drogas ou pelo álcool, a vida desregrada e tumultuada de um artista, está o seu talento, a beleza do seu trabalho e o reconhecimento do público. O máximo que podemos fazer é lamentar que uma pessoa tão jovem, bonita e talentosa, tenha vivido tão pouco. E egoisticamente dizer: teria nos contemplado com tantas outras canções e interpretações maravilhosas... Seria tão bom...


O que importa hoje, naquela tarde um pouco fria de sábado, é que o mundo musical ficou mais pobre. Perdeu precocemente mais um grande talento. Para matar a saudade, vamos ver e ouvir a bela voz de Amy Winehouse, nesse vídeo maravilhoso, em preto e branco, tão badalado e tão visto, mas que dá a impressão de que ela está conduzindo a despedida de si própria.

Amy Winehouse foi um ícone de estilo, trazendo em seu "look" uma mistura diversificada: os olhos cobertos por um forte delineador que lembrava o visual de cantores de rock; o cabelo (característica mais marcante no seu visual) era inspirado nos penteados das divas dos anos 1950/60; as roupas eram modernas. Suas roupas eram simples; sapatilhas de balé estavam quase sempre com a cantora.

 Muito obrigado,Amy Winehouse, por sua meteórica passagem pela Terra e sucesso na sua REHAB aí no outro lado da vida, que aqui, nós do Boteco do Valente, vamos tocando nossas vidas, até o dia em que todos nós vamos nos encontrar de novo, e pra você fazemos nossas as palavras do GRES Estácio de Sá no Grupo de Acesso A do Carnaval do Rio em 2010, debaixo de uma tremenda e estrondosa batucada, feita pela nossa bateria, em sua homenagem, regada a muito churrasco e cerveja (guaraná pra quem não bebe, por favor!), como direito a nossa galera toda dizendo no pé, no melhor estilo da malandragem (pois você foi bem malandra no seu prório estilo, com cara e jeito de periferia, sem precisar imitar ninguém!) pois você não deve ser lembrada com tristeza, mas sim com alegria :

"Ê, FAVELA!DA BATUCADA, DO MEU GRANDE AMOR.../EU SOU MALANDRO E FAÇO HISTÓRIA/NA ZONA DO MANGUE ONDE TUDO COMEÇOU (...)VAI MINHA INSPIRAÇÃO... NASCIA ASSIM, EM FORMA DE ORAÇÃO, NAS MESAS DO CAFÉ, UMA CANÇÃO/BAMBAS QUE O BERÇO DO SAMBA UM DIA EMBALOU.... (...) DEIXA FALAR!(...)EU VOU, "BEM JUNTO AO PASSO"/BEM NO COMPASSO DA MARCAÇÃO/ EU SOU DO "VELHO ESTÁCIO" E SE EU MORRER É DE EMOÇÃO!"